5 Filmes Subestimados de Woody Allen


Quando alguém cita o nome Woody Allen, inevitavelmente surgem palavras-chave que remetem às características cinematográficas do diretor: Nova York, diálogos engraçados, personagens complexos, neuroses e sarcasmo. Com uma das maiores carreiras do cinema mundial, fica até difícil indicar um filme do cineasta. O nova-iorquino produz filmes anualmente desde a década de 70, portanto chega a ser compreensível que muitas pessoas nem se arrisquem em começar a desvendar suas obras menos conhecidas. Mas eu estou aqui para fazer exatamente o contrário.

Fã que sou do diretor, quero compartilhar cinco títulos não tão conhecidos da carreira de Woody e que merecem (COM URGÊNCIA) maior atenção do público.


Maridos e Esposas (Husbands and Wives, 1992)


Conhecido por ser o filme que antecedeu todo o escândalo envolvendo a separação de Woody e Mia Farrow, "Husbands and Wives" funciona como um prelúdio do que estava para acontecer. Aliás, é difícil não se perguntar até que ponto os sentimentos da época colaboraram (ou não) para a produção do roteiro. Temos aqui uma das direções mais imersivas (e uma das minhas preferidas) de Allen. 

O primeiro plano, no qual sabemos logo de cara que o ponto de discussão do filme será a separação abrupta de um casal de amigos que estão juntos há anos, é muitíssimo bem conduzido e extremamente eficiente em passar o sentimento de desconforto de cada personagem. 
Temos aqui uma abordagem honesta sobre as complexidades presentes nos longos relacionamentos e no convívio diário entre duas pessoas. Apesar do alívio cômico carregado de amargura, característica bastante presente nos filmes do cineasta, neste longa somos confrontados com reflexões mais realistas, que nos levam a questionamentos pessoais sobre até que ponto vale a pena continuar no conformismo que, inevitavelmente, atinge as relação ou o quanto é possível abrir mão de nossos anseios para estar com alguém.


A Outra (Another Woman, 1988)


Saindo de sua zona de conforto, o roteiro de "Another Woman" é um dos mais profundos e melancólicos de Allen. Aqui vemos claramente o quanto o diretor se inspirou em seu gosto pessoal por filmes e diretores europeus para trazer esse drama existencial, tão bem interpretado pela maravilhosa Gena Rowlands (Diário de uma Paixão).

Acompanhamos a vida de Marion, uma mulher bem sucedida profissionalmente e com um casamento aparentemente estável. Porém, determinados eventos desencadeiam uma série de lembranças e questionamentos na personagem, mostrando o quanto ela tem sido negligente a respeito da direção que deseja seguir em diversos âmbitos de sua vida. 

Por conta deste filme e de muitos outros que eu permaneço convicta na opinião de que o tempo de duração influencia pouquíssimo quando a obra é realmente boa, já que os 81 minutos passam voando e são suficientes para um fantástico desenvolvimento de personagem. É o tipo de filme que todo mundo deveria assistir pelo menos uma vez na vida.


Zelig (idem, 1983)


Já ouviu falar em Leonard Zelig? Não? Então vá conhecer a história do "homem camaleão" criado por Woody Allen e que foi desenvolvida no formato de um pseudo-documentário em preto e branco, o qual não te poupará de boas risadas e críticas geniais. 

O realismo criado em torno da figura deste homem que se transforma de acordo com o ambiente em que está inserido diz muito sobre nós mesmos, mas ao mesmo tempo você não sabe se para pra pensar na mensagem da obra ou se continua rindo das diversas situações inusitadas presentes na história. É uma pena que seja pouquíssimo lembrado no gênero dos filmes de comédia e até mesmo quando se discute a carreira do Woody, pois a originalidade do roteiro e o tom cômico são precisos, sendo um dos pontos mais altos de toda sua filmografia.


Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works, 2009)


Ele é ateu, misantropo e evita ao máximo qualquer tipo de relação humana: esse é Boris Yellnikoff, personagem principal de "Whatever Works"

Desta vez, quem interpreta o alter ego de Woody Allen é o comediante Larry David (A Era do Rádio), que não nos poupa de suas observações ácidas a todo o momento e traz a quebra da quarta parede de volta, característica já utilizada em outras obras do diretor. A técnica funciona muito bem para a proposta do filme, pois é inevitável não se simpatizar com Boris e suas opiniões a respeito da vida, por mais pessimistas que possam parecer. 

De volta à Nova York, o monólogo inicial, por si só, já é suficiente para mostrar que Allen não perdeu a mão depois de tantos anos e consegue produzir mais uma ótima história em sua cidade natal.


Um Misterioso Assassinato em Manhattan 
(Manhattan Murder Mystery, 1993)


Depois de tantas colaborações fantásticas com a atriz e ex-namorada Diane Keaton (Annie Hall), lá na década de 70, os dois voltaram a protagonizar uma comédia-suspense 24 anos depois, em "Manhattan Murder Mystery"

De imediato, é possível notar que a sintonia dos dois para a comédia continua incrível, mesmo depois de tantos anos.

Interpretando um casal que decide investigar por conta própria um possível crime na vizinhança, não faltam bons momentos dos dois em tela. Até mesmo brincando de fazer um suspense a la Hitchcock, Woody Allen consegue entregar uma trama envolvente e que nos deixa realmente curiosos em relação ao resultado final da obra. Para os fãs da dupla, esse filme funciona como um enorme presente.

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