CRÍTICA | Severina

Direção: Felipe Hirsch
Roteiro: Felipe Hirsch
Elenco: Carla Quevedo, Javier Drolas, Alejandro Awada e Alfredo Castro
Origem: Brasil / Uruguai
Ano: 2017


Em uma realidade tecnológica em que a atração pelos livros parece não fazer mais sentido para boa parte da população, devido à facilidade e preferência aos livros eletrônicos, é corajoso que Severina conte uma história de amor vivida em uma livraria. 

Com roteiro e direção do brasileiro Felipe Hirsch (Insolação), o longa uruguaio/brasileiro é baseado em um conto do escritor guatemalteco Rodrigo Rey Rosa. Nele, o dono de uma livraria desenvolve um relacionamento obsessivo com uma misteriosa mulher que rouba livros em sua loja para, supostamente, compartilhar com seu avô. A principio ele não reage, porém, em uma das vezes, mais interessado em puxar conversa do que sanar o prejuízo, ele a coloca contra a parede.

A moça então passa a furtar livros em outros estabelecimentos, porém, o dono da libraria não está disposto a se libertar da misteriosa obsessão. Aos poucos, o desorientado homem descobre que a fronteira entre o lógico e o surreal é tênue demais quando se trata de uma paixão.

Crédito: RT Features

Rodado no Uruguai, o filme tem em seu elenco atores argentinos, brasileiros, uruguaios, chilenos, guatemaltecos e e até portugueses. Trata-se do segundo longa-metragem dirigido por Hirsch, que dessa vez aborda em sua obra temáticas como o amor e o perdão. Ou, como a própria define, um delírio amoroso. 

O projeto começou em 2013, com a ideia de trabalhar a literatura latino-americana. É um mergulho cinematográfico no pensamento de vários autores do continente, o que é enfatizado pela eclética formação do elenco. O casal protagonista é vivido pelos argentinos Carla Quevedo e Javier Drolas, cujas atuações se destacam. Drolas é convincente como o livreiro, retratando a sua necessidade de querer viver um delírio ao invés de escrever sobre ele. Carla, por sua vez, aparenta fragilidade, revela-se perfeita no papel da moça enigmática, e passa a necessidade de seus livros roubados para sua existência, tentando viver no mundo segundo seus desejos.

Portanto, temos uma obra sobre o verdadeiro e o falso, sobre os valores exagerados que damos às coisas, e os elementos narrativos contribuem para acentuar essa atmosfera. A fotografia composta majoritariamente por planos sequências e pela câmera na mão, ajuda a passar os sentimentos dos personagens, seguindo-os pelo quadro. Divido em capítulos, o filme apresenta o aspecto de conto/livro e nos faz sentir como se estivéssemos realmente desfrutando da literatura. 

Severina ainda traz uma trilha sonora original simboliza a forma como a narrativa começa mais lógica e vai se tornando emotiva dentro de uma camada sensorial. Percebemos os altos e baixos dos protagonistas, seus medos, frustrações e desejos, e como eles têm muitas vidas, como se fosse "um delírio da própria imaginação".

Bom


Confira aqui o discurso do diretor na sessão do Festival do Rio:


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