CRÍTICA | Onde Está Segunda?

Direção: Tommy Wirkola
Roteiro: Max Botkin e Kerry Williamson
Elenco: Noomi Rapace, Glenn Close, Willem Dafoe, entre outros
Origem: Reino Unido / França / Bélgica
Ano: 2017


A ficção científica é um gênero amplo do cinema e da televisão, que já explorou diversos temas, de alienígenas à inteligência artificial, do espaço à genética. Em Onde Está Segunda? (What Happened to Monday), filme dirigido pelo norueguês Tommy Wirkola (João e Maria: Caçadores de Bruxas), nos aventuramos em um futuro distópico, onde a população está passando por uma crise de natalidade e o nascimento de novas pessoas é um evento controlado pelo governo.

No filme, Noomi Rapace (Prometheus) vive não apenas uma, mas 7 personagens diferentes. Com a questão da natalidade controlada em vigor, Terrence Settman (William Dafoe) esconde suas 7 netas recém-nascidas do governo que estabeleceu, por lei, que famílias com mais de uma criança deveriam enviar os irmãos ou irmãs para um sistema de criogenia até segunda ordem. Ele então as cria em segredo, as batizando com os nomes dos dias da semana, dessa forma, elas podem sair de casa sem causar alarde. Cada uma em seu dia semanal. E para que elas possam navegar nesse universo sem serem percebidas, todas precisam incorporar o codinome “Karen Settman” quando as demais estão fora.

Caso essa temática pareça familiar é porque você com certeza já deve ter ouvido falar da aclamada série Orphan Black, pela qual Tatiana Maslany (O Que Te Faz Mais Forte) venceu o Emmy por interpretar múltiplos personagens ao mesmo tempo. A diferença, no entanto, é que em Onde Está Segunda?, o trabalho de Noomi Rapace foi mais enxuto e urgente, já que se trata de um longa com bem menos tempo para desenvolvimento de personagens.

Foto: Netflix

O filme explora esse universo distópico criado, usando de uma narrativa expositiva e bem pontuada, o que nos ajuda a compreender a dinâmica desse mundo, sem precisar parar para explicar cada novo detalhe. Além disso, Rapace é uma excelente atriz de ação, entregando cenas de combate e conflito com maestria, ainda que o roteiro não a favoreça dramaticamente. Ela interpreta 7 irmãs de visuais muito diferentes entre si, cujo laço de irmandade é tênue, porém logo diminuído pelas primeiras baixas sofridas entre elas.

No que diz respeito ao roteiro, focar na ação em detrimento da relação familiar entre as irmãs foi uma decisão equivocada, fazendo com que eventuais mortes de personagens não atinjam quase nenhum impacto dramático. Trazendo Orphan Black novamente para a discussão, o laço de familiar é a primeira camada de interação entre as irmãs, fazendo com que a perda de uma delas seja sentida ao longo de toda a história e criando um engajamento muito mais profundo entre espectador e personagens. Apesar dos pontos citados, as caracterizações de Rapace trazem trejeitos únicos a cada irmã, e, por mais que seja breve, é notável. 

No fim, Onde Está Segunda? é um bom filme de ficção, traz bons atores em tela e entrega uma história que, apesar de trazer elementos batidos, funcionam dentro de sua proposta. Há ainda alguns plot twists interessantes que surpreendem o espectador, contribuindo para o resultado final do filme.

Bom

Foto: Netflix

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