Rick and Morty | 3ª Temporada



Tal qual Morty (voz de Justin Roiland), fui carregado sem querer por uma jornada da qual não sabia o destino. Quando me dei conta, já havia teletransportado por todas as temporadas. Fui do vislumbre com universos fantásticos à reflexão sobre se sentir sozinho em meio à multidão. Quanto mais achava que estava anestesiado com as loucuras inventivas da cabeça dos criadores Dan Harmon e Justin Roiland, eles sacavam um "Pickle Rick" para esfregar na minha cara que eu não estava, nem de perto, preparado.

Pra quem está vivendo em uma realidade onde não há Rick and Morty (embora ache difícil acontecer), vale dizer que a série animada é transmitida no bloco Adult Swim, do Cartoon Network, e tem as duas primeiras temporadas disponíveis no Netflix.

Maravilhosa, nonsense e extremamente inteligente. Em 10 episódios, a terceira temporada nos faz acompanhar melhor a jornada (ou ausência dela) de Jerry (voz de Chris Parnell). Vermos a mesma chama incontrolável do Rick (voz de Justin Roiland) florescer na Beth (voz de Sarah Chalke) pela primeira vez. Viajarmos lado a lado no amadurecimento de Morty. E, por alguns momentos, chamar a série de Rick and Summer (voz de Spencer Grammer).

Muito do brilho desse terceiro ano é espalhar o foco. Assim como aconteceu na 4ª temporada de Bojack Horseman, Rick and Morty também opta por aprofundar seus coadjuvantes em prol de conseguir entender os porquês que cercam seus protagonistas. Aqui, apenas metade dos episódios são focados na dupla.

Foto: Cartoon Network

Não só os personagens, mas todo o conceito dos multiversos é melhor explorado. O mais puro creme de milho verde, néctar da ficção científica, abre espaço para reflexões mais pessoais. De realidades ‘Mad Maxianas’ à sátiras com o super heroísmo. Não há dedos ou medos, apenas a desconstrução dos produtos que estamos acostumados a consumir.

Mas é na crítica à atual sociedade (em maior evidência, a norte-americana) que a produção nos entrega uma das melhores coisas que assisti no ano. Nem mesmo uma cidadela composta apenas por clones de Ricks e Mortys consegue escapar dos mesmos problemas que enfrentamos nos dias de hoje. Preconceito, racismo e opressão cercam The Ricklantis Mixup, sétimo episódio da temporada.

Difícil conseguir entender de primeira todas as mensagens e metalinguagem que o roteiro propõe, porém, ao ver nossa realidade ainda sofrer com os mesmos problemas arcaicos, fica evidente que o ser humano ainda está bem longe de uma real evolução da espécie. 

Ao fim, o terceiro arco de Rick and Morty nos mostra que a série vai muito além do que se propõe em um primeiro olhar. A ficção científica é a chave de ignição para a nave que nos leva ao conhecimento. Não ao interplanetário da criação, mas ao interior de cada aventureiro.

Foto: Cartoon Network

Eduardo Fernandes é jornalista, era bom na feira de ciências da escola e espera não ser um clone.

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