CRÍTICA | Deadpool

Direção: Tim Miller
Roteiro: Rhett Reese e Paul Wernick
Elenco: Ryan Reynolds, Morena Baccarin, T.J. Miller, Brianna Hildebrand, Stefan Kapicic, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2016


Deadpool. O anti-herói da Marvel mais fora do comum. Quem diria que um personagem tão insano, depravado e politicamente incorreto teria seu lugar ao sol, podendo ser comparado, em termos de popularidade, com os maiores astros da Casa das Ideias? Bem, mas antes de falarmos do filme que sacramentou tal sucesso, vamos comentar um pouco sobre sua origem.

O mercenário tagarela foi criado por Fabien Nicieza e Rob Liefeld. Sua aparência e alguns traços de personalidade foram inspiradas no personagem da DC Comics, Slade Wilson, o Exterminador. Tanto que seu nome civil é Wade Wilson. O personagem perde a mãe aos 4 anos  e vive a infância espancado por seu pai, bêbado e ex-militar. Depois disso, logo entrou pra delinquência e num ato de insanidade, mata o seu pai que tanto o maltratou. 

Daí pra frente Wade inicia uma carreira de mercenário, aceitando matar apenas quem merecessem morrer. Posteriormente, diagnosticado com câncer, ele se torna cobaia de um programa de desenvolvimento super-humano: o Arma X (o mesmo responsável pela transformação do Wolverine). A experiência não funciona conforme o esperado e o personagem acaba deformado, mas com um fator de cura inimaginável.

Eis que, em 2014, um suposto vazamento na internet, mostrando o personagem numa abordagem adulta, para os maiores de 18 anos, fez extremo sucesso entre os fãs. O Fox Film então percebeu a oportunidade que tinha em mãos e produziu, enfim, Deadpool, lançado em 2016.

Foto: Fox Film do Brasil

Wade (Ryan Reynolds) quer matar Ajax (Ed Skrein) pelas crueldades cometidas contra ele durante o Projeto Arma X. Ele ele então pula de uma ponte e mata todos os capangas do vilão com violência explicita e muito humor. Paralelamente a isso, somos apresentados a flashes do seu passado, quando ele era um mercenário comum, ainda sem poderes mutantes, e se relacionava com Vanessa (Morena Baccarin), sua namorada e paixão maior. De volta a ponte, temos a  chegada de Colossus (Stephan Kapičić) e Míssil Adolescente Megassônico (Briana Hildebrand), que aparecem para tentar evitar que Deadpool faça mais estrago.

O grande trunfo do longa é seu roteiro, pautado quase que totalmente em situações cômicas, feito realmente para não ser levado a sério. Os personagens fazem dezenas de piadas de duplo sentido e esbanjam referencias à cultura pop, citando obras como Matrix, Star Wars, A Hora do Pesadelo e Alien 3. E não espere muito além disso, pois a trama em si é bem clichê, um filme de vingança, mas que consegue ser surpreendentemente divertido.

É claro que piadas com o próprio Ryan Reynolds (A Proposta) não ficariam de fora, especialmente referências aos filmes de super-herói que o ator protagonizou no passado e que foram fracassos retumbantes de crítica, como Lanterna Verde (2011) e X-Men Origens: Wolverine (2009).

No que diz respeito aos aspectos técnicos, a obra é bastante competente, ainda mais se levarmos em conta o baixo orçamento da produção. Os efeitos digitais, por exemplo, são satisfatórios e tornam personagens como Colossus e o próprio Deadpool críveis. O primeiro por ser um homem de metal com 2 metros de altura, o segundo pelas inúmeras situações de flagelo criadas, que vão desde um tiro na nádega até mãos decepadas.

Foto: Fox Film do Brasil

O trabalho de figurino e maquiagem também se destacam. O uniforme do anti-herói, por exemplo, segue a risca ao que foi apresentado nos quadrinhos, já a maquiagem para transformar Reynolds em um homem deformado causa certe repulsa, mas sem tirar totalmente as características faciais do ator, permitindo liberdade criativa para sua atuação.

Há espaço também para uma trilha sonora variada, repletas de canções que ajudam a construir a identidade buscada pela produção. Canções como "Shoop Shoop", do trio feminino de rap Salt-N-Pepa; "Careless Whisper", do finado George Michael; e "X Gon' Give It to Ya", do rapper DMX, são lembradas hoje em dia mais pelo filme do que por seu contexto original, o que é um atestado do sucesso da obra.

Deadpool é um longa que agrada quem gosta de violência e humor sem filtro, se mostrando, portanto, uma adaptação fiel aos quadrinhos. Se você acha este tipo de conteúdo ofensivo, talvez seja melhor não assisti-lo. Do contrário, divirta-se, mesmo que não tendo lido qualquer HQ do personagem.

Ótimo

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