CRÍTICA | A Princesa e o Plebeu

Direção: William Wyler
Roteiro: Ian McLellan Hunter, John Dighton e Dalton Trumbo
Elenco: Gregory Peck, Audrey Hepburn, Eddie Albert, entre outros
Origem: EUA
Ano: 1953


O gênero de comédia romântica está sempre em debate, no que se diz respeito aos filmes que, em teoria, não possuem tamanha qualidade cinematográfica, ou que não caem no gosto popular. Eu, particularmente, possuía um pouco de preconceito no assunto em destaque. Entretanto, preconceitos existem para serem derrubados, e o filme A Princesa e o Plebeu (Roman Holiday, 1953), vencedor de  3 estatuetas do Oscar e dirigido pelo ótimo William Wyler (Ben-Hur), me agradou de diversas maneiras, apresentando uma obra sólida e bastante divertida até hoje.

Aqui conhecemos a história da Princesa Ann (Audrey Hepburn), que inicia uma tour pela Europa para tratar de assuntos políticos, pousando em Roma, na Itália, onde o longa-metragem se passa. A protagonista nos é apresentada como uma mulher gentil e muito educada, características que a acompanham até o final, mostrando-se uma mulher de imenso carisma e apaixonante aos olhos do espectador. É notável que todo esse processo da viagem está debilitando a Princesa, que se mostra cansada e entediada com toda a sua nobre rotina. Eis que, então, ela inicia uma busca ao “impossível”: tirar uma noite de folga para aproveitar todo o entretenimento que a cidade de romana a reserva.

Wyler é muito feliz ao promover o encontro da Princesa com o seu co-protagonista, o jornalista Joe Bradley (Gregory Peck), pois é ali que somos marcados pelo belo entrosamento entre os dois atores e seus personagens de realidades distintas. A rua em que mora, seu apartamento, suas roupas, a vizinhança em torno trabalho, elementos que sempre estiveram fora da imaginação da princesa, mas que agora são notadas nos mínimos detalhes ao se deliciar com seu “feriado”.

Foto: Paramount Pictures

É muito importante, principalmente em um filme que possua cenas de comédia em seu contexto, que a ligação com a narrativa, a caracterização do personagem e sua conexão com a dramatização da obra não soe forçada e sim leve, algo que conduza o telespectador a comprar a premissa da obra. Isso é feito com maestria em todas as ocasiões, através de uma narrativa delicada, que ressalta a qualidade dos atores e o propósito de deus personagens. Além disso, o belo trabalho de fotografia valoriza uma Roma histórica, moderna e também simples, quando preciso.

Aqui há também espaço para drama e romance, gêneros bem estabelecidos dentro da narrativa. Percebe-se, nas atuações, todo o profundo amor construído entre os personagens. Especialmente com toda a situação da volta de Joe Bradley, que se mostra, acima de tudo, um homem que reflete a respeito de seus próprios atos, algo relevante para a época em que o filme foi lançado.

Endeusamos a nobreza ou figuras consideradas importantes em nosso meio social, porém esquecemos que os mesmos possuem vontades, prazeres e sonhos a serem explorados. Mesmo que por apenas um dia, o direito de ser feliz ou de se apaixonar, independentemente de sua classe econômica ou social, é normal, faz parte da vida. A Princesa e o Plebeu mostra isso. Uma obra que cruza realidades distintas, sem a garantia de destinos encontrados ou separados, como é a vida.

Foto: Paramount Pictures

Ótimo

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