CRÍTICA | Happy Hour: Verdades e Consequências


Direção: Eduardo Albergaria
Roteiro: Eduardo Albergaria, Ana Cohan, Carlos Arthur Thiré e Fernando Velasco
Elenco: Letícia Sabatella, Pablo Echarri, Luciano Cáceres, entre outros
Origem: Argentina / Brasil
Ano: 2017


Um bom roteiro é o alicerce de todo bom filme. É preciso oferecer ao espectador uma história atraente, dinâmica, com personagens instigantes e, se possível, alguma surpresa. Happy Hour: Verdades e Consequências chega com a proposta de aliar os dramas do cotidiano com a comédia, tecendo críticas à sociedade, à política e também ao machismo. Ótima proposta do diretor e roteirista argentino Eduardo Albergaria (Sebastiana Quebra Galho), mas que esbarra justamente em seu principal fundamento.

Horácio (Pablo Echarri) é um professor universitário frustrado que sofre uma reviravolta em sua vida após acidentalmente ajudar a prender um notório criminoso da cidade. Após virar celebridade, ele decide contar a sua esposa, Vera (Letícia Sabatella), sobre o seu desejo de ter um relacionamento aberto e se relacionar com outras mulheres fora do casamento. A fama, a revelação e os holofotes chegam para Vera em um momento delicado de sua carreira, quando está prestes a se candidatar à prefeitura do Rio de Janeiro. Todo esse turbilhão mexe com o casamento e coloca a relação de ambos em risco.

Apesar dos vários elementos apresentados, o roteiro os apresenta de forma desordenada, inicialmente confundindo o espectador, que demora a assimilar tudo o que acontece em tela. Premissas interessantes acabam sendo desenvolvidas de forma clichê. Se a intenção era explorar a temática do casamento e da infidelidade, faltou criatividade para despertar a curiosidade de quem assiste, fator essencial a todo audiência.

Foto: Imovision

No que diz respeito as atuações, Pablo Echarri (No Fim do Túnel) apresenta um personagem inicialmente carismático, mas que acaba se perdendo na narrativa. Horácio deixa claro suas intenções, mas depois se vê encurralado pela esposa e fama instantânea. Letícia Sabatella (O Colar de Coralina) cumpre bem sua função, mas não o suficiente para manter relevante um roteiro cheio de retalhos.

Vale destacar positivamente o trabalho de Luciano Cáceres (As Ineses) no papel de Ricardo, amigo de Horácio, uma espécie de alívio cômico na trama. O personagem entra de forma intrometida no imbróglio do casal e protagoniza cenas hilariantes, o que dá certo fôlego a uma obra cheia de problemas de estrutura.

Happy Hour: Verdades e Consequências acaba sendo uma decepção. Uma co-produção argentina/brasileira desperdiçada, especialmente por ter elementos que poderiam lhe render bons resultados, mas que soa apressada e mal resolvida.

Foto: Imovision


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