CRÍTICA | Dumbo

Direção: Samuel Armstrong, Norman Ferguson, Wilfred Jackson, Jack Kinney, Bill Roberts e Ben Sharpsteen
Roteiro: Joe Grant e Dick Huemer
Elenco: Mel Blanc, Billy Bletcher, Verna Felton, entre outros
Origem: EUA
Ano: 1941


Durante a noite, as cegonhas vêm trazendo vários bebês. Porém, a Sra. Jumbo, esperançosa, não tem seu desejo atendido. Na manhã seguinte, uma cegonha muito atrapalhada chega até o vagão e traz um elefantinho muito gracioso. Logo se nota que o pequeno paquiderme é um tanto diferente dos outros: ao espirrar, a força é tamanha que suas orelhas abrem, se revelando maiores que o normal. A partir de então o bebê passa a sofrer ofensas por parte das colegas da mãe e recebe o apelido degradante de Dumbo (traduzindo do inglês "dumb", que significa burro).

Durante uma das apresentações, Dumbo é abusado por crianças desordeiras. Isso faz com que a Sra. Jumbo perca o controle e revide, ocasionando em seu aprisionamento. Dumbo é relegado a solidão, e apenas o ratinho Timóteo resolve ajudá-lo a recuperar sua autoestima e mãe.

O roteiro trata de forma certeira a maneira como os donos de circo itinerante cuidavam de animais entre uma apresentação e outra, fazendo uso deles para lucrar e, vez ou outra, ignorar que os mesmos podem sofrer abusos por parte dos visitantes. De maneira mais velada, o racismo também é abordado, visto que um dos personagens é Jim Crow, segregacionista que servia como deboche por sua maneira de andar e falar dos negros norte-americanos.

Foto: Walt Disney Pictures

Levando-se em conta que essa é uma animação de 1941, a qualidade é imensa. A Disney, desde Branca de Neve e os Sete Anões (1937), sempre fora perfeccionista. Aqui, o movimento dos animais, em especial dos elefantes, é de uma naturalidade plástica, suave e bem encaixada. Vale destacar a sequência dos elefantes rosas. Não apenas o estilo da animação é drasticamente alterado, como o ritmo é completamente independente do resto do filme.

A música segue a tradição original do estúdio. Os destaques vão para "When I See An Elephant Fly", onde corvos cantam que ficam impressionados com a ideia de que um elefante possa voar; e também "Pink Elephants On Parade", que dá um tom sinistro e ao mesmo tempo agradável, na cena que mencionei no parágrafo acima.

O desenho de som é magistral. O trabalho para fazer com que o trem parecesse falar através dos apitos é genial. As correias, na sequência onde se arma o circo, é bem feita, unindo chuva, lama, vento e tudo mais em um momento de grande harmonia sonora.

A direção de arte dispensa comentários. Dos ambientes internos dos vagões até o circo na parada, tudo é feito com riqueza de detalhes, fazendo com que o universo, mesmo que reduzido, seja vivo e único. A obra abusa de cores vivas, o que salta aos olhos em uma animação.

Foto: Walt Disney Pictures

Dumbo é uma animação cativante, divertida e emocionante. Deve-se levar em conta que algumas cenas polêmicas foram idealizadas em tempos mais politicamente despreocupados, por assim dizer. Nada que seja suficiente para apagar o charme que tornou a obra tão querida pelo estúdio e pelo público. 

Excelente

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