CRÍTICA | O Gênio e o Louco


Direção: Farhad Safinia
Roteiro: Farhad Safinia, John Boorman e Todd Komarnicki
Elenco: Mel Gibson, Sean Penn, Natalie Dormer, Steve Coogan, entre outros
Origem: Irlanda
Ano: 2019

“Todo ser humano merece uma segunda chance, liberte-o, ou ele perecerá.”

Mais que uma frase de efeito, essa é a premissa da narrativa de O Gênio e o Louco (The Professor And The Madman), longa-metragem dirigido por Farhad Safinia (Apocalypto) e baseado em uma história real, com roupagens de ficção, que mudou os rumos da humanidade graças ao imenso legado deixado pelos protagonistas.

Na trama somos apresentados as trajetórias de dois homens notáveis que, juntos, criaram o Dicionário Inglês de Oxford. Com início em 1857, o projeto foi considerado um dos mais ambiciosos já realizados, no qual milhares de definições de palavras foram enviadas para análise do professor James Murray (Mel Gibson). Porém, um envio específico despertou sua atenção, o do Doutor W.C. Minor (Sean Penn), que havia submetido mais de dez mil definições de palavras para serem analisadas. É quando o comitê decide honrá-lo, que a verdade choca a todos: Doutor Minor é um veterano da Guerra Civil Americana que se encontra preso em um hospício para criminosos. Todos os membros do comitê vão ter papel decisivo na aprovação ou não do projeto, que pode definir o rumo da carreira do professor Murray e de todos os envolvidos na empreitada.

Foto: Imagem Filmes

A escolha por apresentar separadamente a vida dos protagonistas para posteriormente entrelaçar suas jornadas é uma escolha acertada do roteiro. Testemunhamos o assassinato no qual o doutor Minor se envolve, os depoimentos de defesa e acusação, o veredito do júri, as reações da viúva Laiza (Natalie Dormer) e o tratamento degradante que recebe o condenado, com isolamento, tortura e momentos de delírio causados por seu quadro esquizofrênico. O professor Murray, por sua vez, surge como um autodidata, fluente em dezenas de línguas e engajado há vinte anos na tese de que as palavras têm poder e sempre serão úteis na vida cotidiana. As apresentações servem para mostrar ao espectador não apenas a genialidade de ambos, mas também os aspectos de loucura que vivi neles, um por não saber diferenciar realidade de ilusão, o outro, louco por seu trabalho.

Se a premissa baseada em fatos estimula, o ritmo acaba não favorecendo a narrativa, uma vez que os protagonistas levam muito tempo para se encontrar. O mesmo acontece com a resolução do conflito se o Doutor Minor deve ou não deixar o sanatório. Apesar de surpreendente, a solução demora demais a aparecer.

Apesar dos problemas técnicos, as atuações de Sean Penn (A Vida Secreta de Walter Mitty) e Mel Gibson (Pai em Dose Dupla 2) compensam. O primeiro com um personagem vulnerável e sensível, atravessando todo o sofrimento que um ser humano poderia aguentar, sejam eles físicos ou psicológicos. O segundo mais contido, mas firme em seu propósito. Não foi à toa que Murray dedicou-se a um projeto que se tornou um diferencial cultural na vida nas pessoas.

Foto: Imagem Filmes

Instigante, perturbador e libertador, assim poderia definir O Gênio e o Louco, obra que mostra como um vasto vocabulário pode influenciar no cotidiano das pessoas, ao mesmo tempo que destaca como somos reféns de nossos sentimentos, representados não apenas por expressões físicas, mas também pelas palavras.

Bom

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