CRÍTICA | Capitão Phillips

Direção: Paul Greengrass
Roteiro: Billy Ray
Elenco: Tom Hanks, Barkhad Abdi, Chaterine Keener, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2013


Já faz algum tempo desde que assisti a Capitão Phillips (Captain Phillips), visto que o fiz logo em sua estréia no Brasil. Resolvi que não escreveria sobre a obra, por pura falta de tempo para tal, mas com a recente indicação ao Oscar, me senti compelido a fazê-lo, não só pelo interesse de escrever para todos os filmes indicados, mas também por perceber que as imagens do longa-metragem de Paul Greengrass (Vôo United 93) ainda estão vívidas em minha lembrança, o que não prejudicaria a minha análise.

Baseada em uma história real (e no livro que a conta), a trama acompanha a trajetória de Richard Phillips (Tom Hanks), Capitão da embarcação Alabama, destinada a levar mantimentos para o povo da Somália. Enquanto navegava, e após seguidas tentativas de defesa, Phillips vê sua embarcação ser invadida por piratas somalis, entre eles, o "capitão" Muse (Barkhad Abdi). Após cansativas tentativas de negociação, ele acaba sequestrado e refém dos piratas, numa crise que acaba quase tornando-se diplomática.

O grande mérito de Greengrass é o constante clima de tensão de seu filme, que vai crescendo a cada minuto. Tememos por Phillips a todo momento, pois sabemos que tudo pode acabar a qualquer instante, tamanha a instabilidade dos piratas. Sem isso a obra dificilmente funcionaria, levando em conta a limitação dos cenários e os poucos personagens em tela. Também ajuda na imersão do filme a fotografia sempre próxima da realidade do diretor, aproximando o espectador dos eventos de forma competente e visceralmente real.

Mostrou-se acertada a decisão de escalar para o elenco atores somalis (alguns nem atores eram, na verdade), não só pela verossimilhança conferida, mas também, por seu porte físico, frágil, em contraste com a ameaça que eles proporcionam. E vale sim destacar a atuação de Barkhad Abdi como Muse, mas considero um exagero sua indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante. Seu trabalho realmente é muito bom, mas imagino que a Academia tenha pretendido apenas arrastar os holofotes para a categoria.

Mas o filme é de Tom Hanks (A Viagem), e disso não há dúvida (aí sim, senti falta de uma indicação). O ator é um grande talento norte-americano, mas há tempos vivia apagado em projetos de menos sucesso ou que não possibilitassem o seu brilho. A segurança e a lealdade com que Phillips lida com seus tripulantes e tenta salvá-los é transmitida pelo olhar de Hanks, bem como seu temor e insegurança nos momentos de extrema agonia que vivencia quando é sequestrado. Há duas cenas em particular, ambas no fim do terceiro ato (e que não poderei detalhar aqui para não revelar o desfecho da obra), que emocionam e impressionam, tamanha a entrega do ator.

Capitão Phillips tornou-se maior do que aparentava ser na época de sua estreia e certamente será lembrado na filmografia de Hanks e Greengrass como um de seus melhores filmes. Para nós, espectadores e amantes do cinema, é um prazer, pois sabemos que dois grandes profissionais da indústria continuam trabalhando em alto nível.


Ótimo

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