Mad Men 7x07 | Waterloo


O mid-season finale de Mad Men foi fascinante em diversos aspectos. É o tipo de episódio complicado de se gravar, pois a história precisa saber encerrar - de certa maneira - o arco narrativo dos 7 episódios e preparar o terreno para os capítulos finais que virão no próximo ano. Como o elenco é extenso e todos exercem função determinante na trama, escrever o roteiro do 7x07 não deve ter sido uma tarefa fácil, porém é gratificante perceber a excelência do resultado final. Estamos falando de uma série que dificilmente nos decepciona em sua produção.

Waterloo, como em vários outros momentos de temporadas passadas, trouxe um acontecimento histórico da cultura norte-americana exercendo papel fundamental na trama. A chegada do homem a lua mexeu com as emoções dos protagonistas e também ditou o rumo das negociações com a Burger Chef, pois o sucesso da missão especial era determinante para o negócio dar certo. E se esse cenário proporcionou todo um momento nostálgico aos espectadores, também serviu para que a série fugisse da obviedade.

Um ótimo exemplo foi o beijo de Sally no garoto "geek", quando tudo levava a crer que ela estaria interessada no irmão mais velho, de visual atlético. Quando o rapaz contesta a viagem à lua, a garota tende a seguir seus passos, até que Don a faz mudar de opinião ao telefone. Beijar o garoto mais novo, de certa forma, serviu para mostrar a influência que o pai tem sobre a filha. Ela o escuta, por mais que pareça desinteressada. Betty, por outro lado, tende a enxergar as atitudes da filha com acidez.


Mad Men foge novamente da obviedade com a morte de Bert Cooper. A todo momento víamos os protagonistas atentos a televisão para acompanhar a história sendo feita, inclusive o próprio Cooper, em 2 momentos. Seria fácil mostrar o personagem desfalecendo ao sofá ou algo semelhante, mas a série opta por nos dar a notícia através da reação de Sterling, e da profunda admiração que tinha pelo sócio de tantos anos. Esse arco, aliás, foi um dos mais belos do episódio, pois momentos antes o velho Cooper diria ao parceiro que ele era um grande homem, mas não era um grande líder. Foi o suficiente para motivar Roger a assumir a postura de comandante que lhe faltava.

Em tempo, a melhor frase de Roger Sterling no episódio:

"Every time an old man starts talking about Napoleon, 
you know they're going to die."

Enquanto isso, Don dividia sua atenção entre a apresentação da Burger Chef e a tentativa de Cutler em puxar seu tapete. Esse segundo, aliás, passou dos limites ao acionar os advogados alegando quebra contratual com o sócio, o que levou a uma cena de crescente tensão em que Draper batia na porta de cada sócio para apurar a questão. É impressionante como a direção nos leva a acompanhar o protagonista como se estivessemos andando lado a lado, comprando sua briga. E quem não vibrou quando Don dá uma tirada ácida em Joan? Amo a personagem, mas nessa temporada era está detestável em suas atitudes dissimuladas.

Don: "Joan! Get out here!"
Joan: "What's going on?"
Don: "No one knows about this?"
Joan: "I saw it."
Don: "Then why did you say, "What's going on"?"


Outro grande momento foi a apresentação de Peggy após Don abrir mão da mesma. Ciente de que não faria diferença para ele, após perder a esposa e praticamente perder o emprego, ele então da uma oportunidade para que Olsen brilhe. E ela o faz, ao melhor estilo Draper.

De volta à agência, tivemos a estratégia de Roger para retomar o poder e consequentemente dar sossego ao amigo. Após tudo resolvido, Don se dirige para retomar sua antiga sala, quanto subitamente tem uma visão de Cooper, dançando e cantando o refrão "The Best Things in Life are Free". Me faltam palavras para descrever o que foi esse momento, desde já icônico em toda a série. Draper fica visualmente emocionado ao ver o antigo sócio e também com a mensagem que lhe foi passada. Don recuperou seu poder, mas a que preço? Seus filhos moram com a ex-esposa, seu atual casamento fracassou. O que lhe resta?

Não teremos novos episódios de Mad Men até 2015. E se uma despedida temporária já é dolorosa, me pergunto o que será dos fãs (e aqui me incluo) quando terminarmos a temporada final no ano que vem. Há muitas séries excelentes no ar atualmente, mas nenhuma é Mad Men. Como nenhuma foi Breaking Bad, ou LOST, ou Família Soprano. E o fato dessas séries serem tão singulares é o que as tornam tão especiais em nossas vidas.

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