Doctor Who | 5ª Temporada


Desde abril não escrevia sobre Doctor Who, foi o tempo que levei pra assistir a 5ª temporada. Nada contra a série em si, mas diversos outros compromissos levaram a esse distanciamento, o que foi uma pena, pois agora não pude acompanhar a estréia da 8ª temporada junto da maioria dos fãs. Se bem que, pensando bem, tem sido um privilégio acompanhar a saga do Time Lord no meu tempo, sem pressa, desfrutando cada episódio/roteiro e produzindo conteúdo para o Cinéfilo em Série.

Essa foi uma temporada bastante diferente do que estava acostumado. Quase um reboot na verdade. Novo Doctor, nova companion, nova TARDIS e, especialmente, nova produção. Foi notório o salto de investimento da série, tornando os efeitos especiais muito mais críveis e trazendo um ar muito mais cinematográfico para a narrativa, o que me agradou bastante. Mas vamos ao que interessa.

Essa é a 5ª parte de uma série de posts que venho escrevendo desde que me tornei um whovian. Nela faço um balanço geral da temporada, abordando aspectos de roteiro, desenvolvimento de personagens, atuações, episódios favoritos, entre outros. Você pode conferir os textos das temporadas passadas clicando AQUI. E, é sempre bom dizer, haverão spoilers abaixo, ok? Geronimo!


 THE DOCTOR 

Diferente da grande maioria dos whovians, nunca fui um fã incondicional de David Tennant, apesar de gostar muito de seu trabalho e da persona criada para o personagem. Dessa forma, não senti tanto sua saída como sentira a troca de Christopher Eccleston, por exemplo (aquele que até então era meu favorito no papel). Foi com bons olhos, então, que vi a chegada de Math Smith para interpretar o 11º Doctor, e me surpreendi positivamente em muitos aspectos.

Parece que a cada regeneração o personagem perde um pouco mais da raiva e culpa que o persegue por conta de suas decisões passadas (vejam bem, os sentimentos ainda estão lá, mas não vêm a toda com facilidade como antes), tornando-se alguém mais carismático e, nesse caso, aberto a se relacionar mais com a vida terrestre, tanto é que vemos o Doctor jogando futebol, morando na Terra por um curto período e até dançando em casamento. Ao mesmo tempo, o personagem parece ter adquirido uma certa inocência infantil em sua personalidade, como quando defende sua gravata borboleta ou o chapéu "fez" que utiliza em determinado momento. Devo dizer que Math Smith em breve deve assumir o posto de meu Doctor favorito, pois atua de forma segura e convincente, mesclando todos esses sentimentos e tendo ainda um grande apelo dramático. Claro que sua dinâmica com a nova companion também ajuda.

 THE COMPANION 

Amelia Pond, ou simplesmente Amy Pond. De uma forma simplista eu poderia definir a nova companion como uma mistura da beleza estasiante de Rose com a personalidade forte de Donna, mas estaria sendo injusto. Karen Gillan vai além disso e constrói uma personagem que, de longe, se tornou a minha acompanhante favorita do Doctor. Engraçada, bem humorada, destemida e bela (belíssima), Amy Pond me conquistou logo no primeiro episódio, quando aparece ainda garotinha esperando o retorno de seu "amigo imaginário", um background estabelecido que nenhuma outra companion teve antes - mérito para Steven Moffat, novo Show Runner da série.

Outra coisa que deu muito certo foi a inclusão de seu namorado. Diferente de Mickey, que nunca caiu totalmente nas graças dos fãs, Rory com seu jeito também bastante engraçado conseguiu isso. Todo o arco narrativo criado para o personagem (o garoto que esperou 2.000 anos) funciona tão bem que o mesmo encerra a temporada como um 2º companion fixo, aparentemente. A dinâmica dos 3 é ótima, impossível não se divertir e torcer pelos personagens, o que considero o maior trunfo desse 5ª ano.

 EPISÓDIOS 

Sou fã assumido dos roteiros de Doctor Who, mas devo confessar que em alguns episódios dessa temporada os achei um pouco aquém da grandeza da série. Por outro lado, houveram capítulos que fizeram tudo valer a pena. "The Eleventh Hour", o episódio de estréia, é um ótimo exemplo. Como não abraçar os novos personagens após vermos tudo que se passou ali, desde Amy garotinha até a definição do novo figurino do Doctor, passando por diversas pontas soltas que só iriam se encontrar no season finale, construindo um arco narrativo excepcional para a temporada, talvez o mais bem construído até aqui. "Amy's Choice" também vale ser citado, trazendo os personagens perdidos dentro de uma espécie de sonho macabro criado por um vilão aleatório. O tipo de narrativa que só essa série consegue trazer.

Posso falar aqui do excelente episódio duplo de Season Finale, "The Pandorica Opens" e "The Big Bang", que culminam no casamento de Amy e Rory e na linda cena em que a ruivinha lembra do Doctor ("something old.. something new.. something borrowed.. something blue"), ou mesmo no belo especial posterior "A Christmas Carol", que fez me sentir no Natal mesmo em agosto, porém, gostaria de destacar o décimo episódio.

Sempre ouvi falarem muito bem de "Vincent and the Doctor", fazendo com que minhas expectativas estivessem altíssimas ao assistir o episódio, algo que é sempre ruim. No começo estava achando um capítulo muito bom, como tantos outros, sem saber o que o tornava tão especial para os fãs. Até sua conclusão. Como não se emocionar com a cena em que Vincent Van Gogh presencia sua obra sendo admirada por tantos, enquanto escuta as palavras do curador vivido por Bill Nighy. Um retrato tão próximo da realidade do ser humano, que em sua grande maioria vive num conflito interno para se fazer notório em sociedade, ou mesmo ter seu trabalho admirado de alguma forma, a aceitação que todos queremos. Fantástico, emocionante, do jeito singular que Doctor Who sabe ser para seus espectadores.

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