CRÍTICA | Se Eu Ficar

Direção: R.J. Cutler
Roteiro: Shauna Cross
Elenco: Chlöe Grace Moretz, Mireille Enos, Jamie Blackley, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2014


Mia Hall (Chloë Grace Moretz) é uma adolescente norte-americana que tem três paixões: sua família, Adam, seu namorado, e o violoncelo, instrumento que aprendeu a tocar ainda muito nova e que revelou-se seu grande talento. A iminência de sair do colégio e conseguir uma bolsa em uma das melhores universidades do país através da música, sem que isso a separe do amado, é uma de suas maiores preocupações, como a da maioria dos jovens. Mas um acidente banal em uma estrada de Portland acaba mudando sua trajetória. Mia, em coma, entra em uma espécie de experiência extra-corporal, e tem de decidir entre continuar lutando pela vida ou entregar-se ao fatídico destino.

A premissa de Se Eu Ficar (If I Stay) soa bastante interessante a princípio, reforçada por um trailer que emocionou muita gente meses antes de seu lançamento, embalado pela música "Say Something". Como toda peça promocional deve ser, o vídeo aguçou os espectadores, porém é uma pena que a obra não passe de uma experiência mediana, embalada por decisões equivocadas de roteiro e direção, o cerne de qualquer longa metragem, ainda que sua protagonista continue crescendo como uma atriz revelação.

Faltou bagagem a R.J. Cutler (da série Nashville) na condução de seu filme, especialmente no que diz respeito a montagem. A obra salta no tempo a todo instante, entre o presente e flashbacks, mas comete o erro de tornar os acontecimentos passados muito mais atraentes do que a urgência que o presente apresenta. Prova disso é a total falta de impacto do momento em que a trama tem sua virada, o acidente. Pouco sabemos sobre aqueles personagens para que nos importemos emocionalmente como a obra sugere.

O roteiro de Shauna Cross, adaptado do romance homônimo de Gayle Forman, também pouco acrescenta a narrativa, enquadrando a protagonista em um conflito de ideias que prejudica nossa percepção sobre o que realmente importa a Mia. Após ver sua vida desmoronar, é frustrante perceber os motivos que a fazem continuar lutando, especialmente aquele que fará com que tome uma decisão importantíssima no ato final do longa. Podemos tomá-la como fútil em alguns instantes, mas admiramos sua personalidade forte em outros, como quando discute com o namorado de forma segura e madura, ao passo que o mesmo age de maneira infantil e machista. A postura de Adam, aliás, enfraquece o romance e nos faz torcer menos pelo casal (algo prejudicial a obra), ainda que soe real e plausível.

Moretz (Kick-Ass 2), por sua vez, mostra-se ainda um talento promissor, mas que carece de uma personagem que a trará a frente dos holofotes em definitivo. Destacam-se aqui o casal vivido por Mireille Enos (Guerra Mundial Z) e Joshua Leonard (da série True Detective), pais que fogem do convencional e transbordam carisma e amor em tela. São deles, sem dúvida, os melhores momentos da projeção. E quando os coadjuvantes tornam-se o destaque, fica notório os problemas de estrutura já citados.

No fim, Se Eu Ficar mostra-se um longa-metragem mal aproveitado. Me pergunto de que forma essa premissa seria tratada, se um diretor mais experiente e calejado estivesse no comando. Mas sabemos que o "se", nesse caso, deve-se ser restrito apenas ao título do romance, nos restando apenas lamentar por mais uma obra mediana nas telas de cinema.

Regular

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