Doctor Who | 7ª Temporada


Essa foi uma temporada intensa para qualquer fã de Doctor Who e, sem dúvida, uma das melhores. Foi um ano de grandes mudanças, de acontecimentos marcantes para a mitologia do personagem e de muita celebração, afinal, o Doutor e a série completaram 50 anos de existência. Por conta disso, essa análise será um pouco maior que o normal, visto que abordarei não só a temporada em si, mas também os especiais The Day of the Doctor e o fantástico The Time of the Doctor.

Essa é a 7ª parte de uma série de posts que venho escrevendo desde que me tornei um whovian. Nela faço um balanço geral da temporada, abordando aspectos de roteiro, desenvolvimento de personagens, atuações, episódios favoritos, entre outros. Você pode conferir os textos das temporadas passadas clicando AQUI. E, é sempre bom dizer, haverão alguns spoilers abaixo, ok?

 THE DOCTOR 

É engraçado o que acontece com Doctor Who. Parece que quando o ator chega no auge de sua interpretação, é o momento dele se despedir. Foi assim com David Tennant, e novamente com Matt Smith (que já disse e repito, se tornou meu Doctor favorito). Esse talvez seja o segredo do sucesso da série, aquele conceito de que é melhor se despedir no topo do que dar tempo para conhecer o fundo do poço. Mas sobre a despedida do 11th falarei mais à frente.

Foi um ano difícil para nosso Doutor, pois teve que lidar com perdas que partiram seus corações (e os nossos, consequentemente). Olhando pelo aspecto do roteiro, a despedida dos Pond causou uma grande mudança no personagem, como pode ser percebido no especial de Natal que marcou a metade da temporada, The Snowmen. Nesse episódio vemos o protagonista em estado de luto, passando a usar uma roupa mais conservadora (e roxa), além da completa mudança visual do interior da TARDIS, que se tornou menos aconchegante, mais escura e impessoal, ainda que belíssima.

E Matt Smith foi genial, em cada momento.


 THE COMPANIONS 

Foi doloroso assistir a primeira metade da temporada, pois já sabia o que me aguardava. Me despedir de Amy e Rory não seria fácil, mas, confesso, foi menos pior do que imaginei. Digo isso pois a despedida foi muito bem trabalhada no roteiro, episódio a episódio nos preparando para o que viria pela frente em The Angels Take Manhattan, de forma que, se despedir do casal se tornou uma consequência já aguardada, ainda que pesarosa. O que me faz tirar o chapéu para Steven Moffat como showrunner, certamente seu ano mais inspirado até aqui.

Amelia Pond. De longe minha companion favorita, sem precisar diminuir as anteriores ou as que virão. Foram muitos os momentos marcantes com Matt Smith, alguns nessa temporada. O inesperado retorno na regeneração do Doutor foi a cereja no bolo.

"O primeiro rosto que esse rosto viu. E você foi marcada 
no meu coração. Amelia Pond."


Se há algo que admiro no trabalho de Steven Moffat é a construção dos arcos narrativos que ele cria para a série. Especialmente no que diz respeito as companions, que deixaram de ser meras companheiras ou interesses amorosos para se tornarem realmente relevantes para a história (não que antes não fossem, mas aqui tudo torna-se mais apoteótico). Dito isso, como não gostar de Clara Oswald, a Garota Impossível?

Foi praticamente impossível não simpatizar com a personagem em Asylum of the Daleks ou em suas demais apresentações, The Snowmen e The Bells of Saint John. Dali pra frente fomos conhecendo-a e descobrindo, pouco a pouco, o mistério que a rodeava. Em The Name of the Doctor tudo fez sentido, e Clara acabou tornando-se essencial para a existência do Doutor, a companion mais importante de sua existência, por mais impressionante que isso possa parecer, especialmente pelos poucos episódios que protagonizou.

Sobre Jenna Coleman, posso dizer que a atriz - bela e talentosa - faz jus ao papel e a importância de sua personagem, me deixando curioso para conhecer sua dinâmica com o Dourtor seguinte, Peter Capaldi.


 EPISÓDIOS 

Essa foi uma temporada de grandes episódios e grandes momentos. Logo na season premiereAsylum of the Daleks, tivemos o gostinho de ver os Daleks não reconhecerem o Doutor: "Doctor Who? Doctor Who?", além de toda dinâmica da introdução de Clara, que também foi muito bacana, ainda que triste naquele final. Também gostei muito de The Power of Three, que foi uma espécie de despedida não oficial do trio protagonista. Toda a trama vivida em Londres foi muito divertida, o que já me deixa com saudades de Amy e Rory.

Poderia falar aqui sobre Cold War ou The Name of the Doctor, mas prefiro destacar aquele que para mim foi o melhor episódio da temporada: The Rings of Akhaten. Nele tivemos uma cena em que o Doutor recita um emocionante monólogo na tentativa de salvar a todos, relembrando momentos de sua longa vida e as centenas de lembranças e experiências pelas quais já passou. Matt Smith foi fantástico e me emocionou, assim como o próprio personagem ali se emocionara.

"Eu vi o nascimento do universo e assisti quando o tempo se esvaiu, momento a momento até que nada restasse. Sem tempo. Sem espaço. Apenas eu."


 THE DAY OF THE DOCTOR 

Ao contrário da grande maioria dos whovians, confesso que não achei o especial de 50 anos uma unanimidade. Foi sim um ótimo episódio, divertido e emocionante, mas talvez o monstro da expectativa tenha me picado. Fica claro, porém, que trata-se de uma grande homenagem ao personagem, e isso, por si só, é muito interessante e digno perante a representatividade de sua história. Como fã recente da série, não saberia identificar a quantidade de referências e easter eggs que The Day of the Doctor apresentou, mas destacarei alguns elementos que me empolgaram.

Foi muito legal rever Billie Piper no bom e velho estilo Bad Wolf, encarnando a interface do Momento, a arma de destruição em massa. E ainda que sua participação tenha tido bastante destaque, fico imaginando que os fãs de David Tennant tenham lamentado dos atores não terem interagido. E falando do 10th, as melhores cenas do especial foram fruto de sua interação com o 11th. Munidos de imenso carisma e química em tela, Tennant e Smith deram um show, cada um com seu estilo característico. Como não se empolgar quando, no clímax do episódio, ambos gritam suas marcas registradas: Allons-y! Geronimo! E claro, o Gallifrey resiste, de John Hurt (também ótimo)!

Gostei particularmente da forma como eles recontaram a história da Time War de maneira completamente diferente do que imaginávamos e do que o próprio Doctor se lembrava. Saber que ele, afinal, não teve a frieza de dizimar seu povo, foi algo que elevou ainda mais meu conceito pelo personagem. Confesso que senti falta de Christopher Eccleston ali, mesmo quem em uma pequena aparição. Uma pena que o ator não queira mais se envolver com a produção, seu Doctor é inesquecível. Ao menos tivemos a inesperada, e fantástica, aparição de Tom Baker, naquele mágico final.


 THE TIME OF THE DOCTOR 

Esse especial de Natal testou os limites da minha emoção. Já declarei por vezes (inclusive nesse texto) que Matt Smith é meu Doctor favorito, e ter que me despedir do ator no auge de sua interpretação é uma pena. Em contrapartida, sua despedida foi tão bem construída que me deixa imensamente satisfeito pelo término de mais essa fase de Doctor Who.

Foi triste ver o Doctor envelhecendo, "sozinho", tendo que enfrentar todos os seus piores inimigos pela eternidade (e vale citar o trabalho de maquiagem que ficou excelente) e tendo que aceitar que era o momento de partir definitivamente. O imenso carinho com que ele recebe Clara em seu retorno também me emocionou.

Acho que não vale a pena entrar em detalhes da trama, pois The Time of the Doctor merece ser assistido. Mas, claro, não posso deixar de citar a cena da regeneração, momento em que Matt Smith se despede do personagem de maneira sublime, num monólogo emocionante e cheio de significado, resgatando elementos de seu passado recente (como o peixe empanado no molho de baunilha ou o rápido encontro com Amy em sua cabeça). Foi impossível não chorar, foi difícil me despedir, assim como vai ser difícil me acostumar com Peter Capaldi. Mas Doctor Who tem dessas, não para de nos surpreender. E espero ser surpreendido novamente.


"Todos nós mudamos... quando você pensa sobre isso. Somos diferentes pessoas durante nossas vidas. E tudo bem, está bom, temos que continuar mudando, desde que nos lembremos das pessoas que éramos.

Não esquecerei uma linha disso. Nem um único dia. Eu juro.
Eu sempre lembrarei quando o Doutor era eu."

Comentários

  1. Bruno Arakaki Taira23 de dezembro de 2014 18:54

    Ótima review, foi difícil mesmo a despedida do 11th, a review saiu na melhor hora, já que ele se despediu no Natal passado, enfim, quase um ano e a nostalgia já estava vindo. Sinto falta do jeito brincalhão dele, dos "Bow ties are cool", "fish fingers and custard", "geronimo", o raggedy man Matt Smith era espetacular, lembro que depois do 10th eu estava com medo dele ser ruim. Nem preciso dizer o quanto fiquei surpreso. Esse discurso do final do texto... Ainda ecoa na minha cabeça. Única coisa boa dele ter saído foi que a River saiu também, personagem horrível que pra mim estragou a 6ª temporada e a história dos Ponds, que quando saíram, por outro lado, pareceu que o 11th e a 7ª temporada perderam parte da graça. Finalmente alguém foi justo com a Amy, muitas reviews dizem que ela só era bonita e mais nada, discordo, ela foi a que mais se desenvolveu durante sua jornada de companion, apesar de ainda preferir a Rose (fiquei triste por não ter tido interação com o 10th, mas como reclamar do episódio com a melhor atuação da Billie Piper? Raggedy Rose foi demais). Sobre a Clara, não vou spoilar, mas ela é uma decepção na 8ª temporada, que foi a pior da série, histórias ruins, apesar de um bom Doctor. Espero que Clara saia no especial de Natal. Saudades gostar dela na 7ª, agora está pior que Martha Jones.
    Adorei que você comentou bem de The Rings of Ahkaten, não acho melhor que The Name of The Doctor, mas é bem subestimado, alguns consideram até um dos piores da série... Opiniões divergem.

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  2. Obrigado pelo comentário, Bruno!


    Estou bastante curioso pela 8ª temporada, mas você não é o primeiro que me diz que ela não foi tão boa, apesar de aparentemente todos estarem gostando do Doctor do Capaldi.


    Sobre The Rings of Ahkaten, não consigo imaginar o porque das pessoas não gostarem. Eu particularmente achei o episódio fantástico. A canção The Long Song já virou uma marca registrada da série. Inclusive esqueci de escrever na review, mas no momento em que o Doctor diz que sempre lembrará quando o Doutor foi ele, e toca um pedacinho da canção, é fantástico.


    Abraços!

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  3. João Paulo Dos Santos26 de dezembro de 2014 22:34

    Hahaha, também queria que existisse Braking Bad na época do Ensino Medio, com certeza as aulas de quimica seriam muito mais interessantes. Mas o Ensino Medio acabou a 8 anos , a serie começou a 6, eu descobri ela a 1 ano mas enrolei e só estou maratonando agora.

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  4. Cynthia Marques Arruda Gregori6 de janeiro de 2015 19:04

    O Doutor de Peter Capaldi é excelente, mas tem uma grande trava que o deixa mostrar mais o desenvolvimento dessa nova face do personagem, e o nome dela é Clara. Foram muitos (quase todos) focados nela e sua própria história, fazendo com que Capaldi ficasse como um mero coadjuvante. Matt Smith com certeza foi um dos que interpretaram o Doutor com maestria (Tom Baker, sendo um dos melhores) e Capaldi tem potencial para dar sequência a série, mas enquanto Steve Moffatt focar em Clara, vai ser complicado.

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