True Detective 2x07 | Black Maps and Motel Rooms


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Demorou sete episódios, mas finalmente essa temporada de True Detective me fisgou por completo. Isso, por si só, denuncia que a trama teve problemas em seu desenvolvimento, não que eu não estivesse gostando desse 2º ano, quem acompanha minhas reviews semanais sabe que eu aprecio as mudanças que foram feitas e a total falta de conexão com sua temporada de estreia, mas isso não me impede de notar as dificuldades encontradas pelo pretencioso drama de Nic Pizzolatto.

Talvez o maior exemplo desses problemas seja Frank Semyon. O belo trabalho de composição de personagem de Vince Vaugh acaba ofuscado pela dificuldade do roteiro em incluí-lo na trajetória dos demais protagonistas. Se não fosse sua ligação com Velcoro, a trama do gângster poderia caminhar isoladamente em uma série paralela. Não que isso seja um defeito grave, mas gostaria de vê-lo interagir com uma personagem forte como Bezzerides, por exemplo.

Ainda sobre Frank, é assustador presenciar a frieza com que executa seus inimigos, sem um pingo de hesitação ou ressentimento. O personagem sabe que precisa fugir, mas foge sem deixar nada para trás. Ao menos, restando um episódio para o fim, o que pedi no parágrafo passado parece estar prestes a acontecer.


Longe dali, Velcoro e Bezzerides são considerados foragidos. A primeira por ter mexido com quem não devia na orgia do episódio passado, o segundo, por ter caído numa emboscada que tenta incriminá-lo do assassinato de sua “chefe”. Os dois, escondidos num quarto de motel (numa alusão ao título do episódio, Black Maps and Motel Rooms, boa parte das ações acontecem em quartos baratos de motel), protagonizaram diálogos fascinantes, que discutem a eterna busca do homem em querer ser alguém relevante, uma boa pessoa.

A cena de sexo entre a dupla, aguardada por boa parcela dos fãs, poderia ter acontecido mais cedo, mas o que resta da decência de Velcoro não permitiu que o mesmo tirasse proveito da companheira. Mais tarde, no entanto, ambos estão conectados por meio de suas experiências e angústias, dois personagens fragilizados perante as desgraças de suas vidas, transformando uma cena que a princípio poderia ter uma conotação puramente sexual, em um momento... triste, de certa forma.


Só um momento conseguiu ser mais melancólico que a relação de Ray e Ani: a morte de Woodrugh. Um amigo comentou, logo após a exibição do episódio, que era engraçado como passamos a nos importar com o personagem, agora que foi assassinado. A princípio concordei, no entanto, depois, parando para pensar melhor, notei que não era bem assim.

A direção de Daniel Attias (irrepreensível aqui) soube construir uma atmosfera favorável para que sentíssemos o peso de sua perda. Desde a conversa do detetive com sua noiva no carro, onde ele afirma que só está tentando ser um homem bom, até a sequência nos túneis subterrâneos de Los Angeles. O diretor sabe elevar a tensão a um nível absurdo, pois sabemos que Paul pode morrer a qualquer momento. Quando o vemos triunfar a empolgação é inevitável. Quando o vemos ser baleado, o baque é grande.

Gostei particularmente da forma como Woodrugh não desiste e tenta chegar até sua arma, para então tomar o tiro final, seco, de repente, como é na realidade. A cena infelizmente é pouco verossimilhante, uma vez que foi uma coincidência tremenda o assassino estar ali nas sombras, naquele exato momento em que Paul saía dos túneis. A bonita montagem em que mostra sua noiva chorando ao assistir um filme clássico na TV do motel, no entanto, faz tudo funcionar.

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