CRÍTICA | Capitão América: Guerra Civil

Direção: Anthony Russo e Joe Russo
Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely
Elenco: Chris Evans, Robert Downey Jr., Sebastian Stan, Scarlett Johansson, Anthony Mackie, Don Cheadle,
Jeremy Renner, Chadwick Boseman, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Paul Rudd, Tom Holland, Emily VanCamp,
Daniel Brühl, William Hurt, Martin Freeman, Marisa Tomei, Frank Grillo e John Slattery
Origem: EUA
Ano: 2016


Estamos vivendo a era dos filmes de super-heróis, isso não se discute. Em um ano como 2016, em que tivemos Batman vs Superman: A Origem da Justiça em março, Capitão América: Guerra Civil em abril e futuramente X-Men: Apocalipse em maio, a briga é boa para saber qual estúdio entregará a melhor adaptação. O Universo Cinematográfico Marvel, ainda que receba críticas em alguns filmes, estabeleceu um padrão a ser seguido, um nível de qualidade que não pode ser baixado, fazendo com que o público também fique mais exigente com o que vai ser visto em tela. Talvez por isso "BvS" tenha sido tão criticado, o espectador não aceita mais soluções fáceis e banais pela simples justificativa de ser um “filme de quadrinhos”. O público quer mais... e Guerra Civil entrega.

Sabe aquela margem de segurança que tende a impedir os críticos e profissionais da área de entretenimento em afirmar que determinado filme é o melhor que ele já viu naquela franquia? Não esperem isso de mim hoje. Guerra Civil é o melhor filme da Marvel Studios até o momento. E isso é grande coisa. Ponto.

Estruturado em um roteiro muito bem amarrado e que relaciona todas as suas subtramas de forma invejável, os irmãos Joe e Anthony Russo (Capitão América: Soldado Invernal) constroem uma trama solida, relevante e que expande o background estabelecido nos filmes anteriores, permitindo inclusive que atores já confortáveis em seus papéis possam entregar novas nuances de interpretação. É o caso de Robert Downey Jr. (O Juiz), que aqui tem todo seu potencial dramático exigido e entregue, prova do grande ator que é. Seu Tony Stark continua sendo engraçado e cativante, mas atravessa um dilema moral interessantíssimo em sua jornada.

Impressiona também a forma hábil como Guerra Civil introduz novos e velhos conhecidos de seu universo ao público geral. Se por um lado todos conhecem o Homem-Aranha (Tom Holland) (sua apresentação não precisa ser tão detalhada e é feita de forma muito eficiente), o mesmo não podemos dizer do Pantera Negra (Chadwick Boseman). O personagem exerce papel importantíssimo na trama contada e em nenhum momento ficamos perdidos ou deixamos de entender suas motivações. A obra vai além, te deixando curioso para saber mais de sua história, ansioso pelo seu filme solo.

As motivações de cada personagem, aliás, são peças chave para que Guerra Civil funcione tão bem. Cada um dos heróis tem seu motivo particular para entrar no conflito e a todo momento isso fica claro ao espectador. Essa compreensão que temos de suas motivações, fora o fato de já conhecermos aquelas figuras há algum tempo, traz uma carga emocional surpreendente ao longa. Assistir nossos heróis brigando por seus ideais é angustiante, justamente por sabermos que são amigos e não gostariam de estar fazendo aquilo. Isso fica claro a todo momento. Muito em função disso a obra pode ser considerada o filme mais denso do Universo Cinematográfico Marvel, sem necessariamente abrir mão do bom humor característico do estúdio. Os irmãos Russo souberam dosar perfeitamente o tom do filme, ou seja, você se ri (muito) quando a piada vem, e se emociona quando a batalha ganha contornos de drama.

Claro que não podia encerrar essa crítica sem comentar a incrível batalha no aeroporto de Berlim. Não darei spoilers aqui, mas a longa sequência em que os heróis se enfrentam é o melhor exemplo da diversão que uma adaptação de quadrinhos pode proporcionar. As habilidades e personalidades de cada personagem são utilizadas da melhor maneira possível em tela e cada um tem seu momento para brilhar, sem exceção. E não dá para negar a satisfação de ver o Homem-Aranha interagindo com as demais figuras da Marvel. O clima na sala de cinema diz tudo.

Não menos importante, o filme não se chama Capitão América à toa, mesmo em meio a tantos personagens, Steve Rogers (Chris Evans) ainda é o protagonista da história. E se você entrou no cinema torcendo para o Homem de Ferro, acho difícil que não tenha ao menos simpatizado com os ideais do Capitão no decorrer do longa. Mas o contrário também se aplica, ou seja, se Guerra Civil teve um vencedor, certamente foi o espectador.


Excelente!

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