5 Filmes de François Ozon


Sabe aquela angústia de aguardar o filme do seu diretor favorito? Então, quem conhece e acompanha o trabalho do François Ozon, pois o diretor consegue manter o ritmo de curtos intervalos entre um filme e outro.

Um dos cineastas mais importantes da França está sempre em atividade, e não pense que ele peca na qualidade dos seus projetos, muito pelo contrário, parece sempre se renovar e consegue fazer com que suas obras não sejam classificadas em um único gênero, ou seja, em um mesmo longa encontramos drama, suspense, romance e até comédia!

O currículo do nosso diretor hiperativo (risos) é vasto, então citarei a seguir 5 filmes que, acredito, merecem a sua atenção.


A Beira da Piscina (Swimming Pool, 2003)


Foi com A Beira da Piscina que conheci o trabalho de François Ozon. O pôster me chamou muita atenção, ele transmitia algo que despertou minha curiosidade. Me encantei com toda estética da obra e com o que depois de um tempo aprendi que seria a fotografia. 

Sarah Morton (Charlotte Rampley) é uma escritora britânica meio amarga que quer sair da rotina. Seu editor a oferece a casa de verão na França e ela aceita. Ao chegar lá, percebe que nada será tão tranquilo como imaginava, pois a filha do editor, Julie (Ludivine Sagnier). a incomoda muito. Sarah é barulhenta e desorganizada, não quer amizades e só pensa em acabar seu livro. A "Lolita", porém, acaba por chamar a atenção devido a sua sexualidade aflorada, o que faz com que Sarah comece escrever sobre a garota. Mesmo sendo um filme lento, não é cansativo. Em alguns momentos é divertido, em outros... bem intenso.


Ricky (idem, 2009)


Alguns seguidores de Ozon simplesmente não aceitam esse filme, o que me surpreende, pois não é do feitio do diretor fazer sempre mais do mesmo. Ele ousa e nos entrega obras para interpretarmos de diferentes maneiras e acho isso muito saudável, pois instiga o debate em cima de sua obra. 

Ricky, que é baseado em um conto da escritora Rose Tremain, flerta com o mágico e o improvável. 

Quando Katie (Alexandra Lamy) encontra Paco (Sergi López), o amor acontece e dele nasce também um bebê, que não puxou, digamos assim, o lado comum dos pais: o bebê tem asas! A partir daí a vida deles muda e os acontecimentos tomam uma proporção que foge do controle, tirando nossos protagonistas da zona de conforto mundana de suas vidas.


Dentro da Casa (Dans la masion, 2012)


Temos aqui um dos filmes mais elogiados de François, adaptado da peça de Juan Mayorga. Dentro da Casa segue com um roteiro que não deixa pontas soltas, ainda que permita que algumas perguntas borbulhem em nossa cabeça, o que, talvez, seja a parte mais gostosa de assistir. Reúne humor, drama e suspense, fazendo o espectador grudar na tela.

Germain (Fabrice Luchini), um professor de ensino médio, fatigado pela falta de brilho entre seus estudantes encontra em Claude (Ernst Umhauer) um verdadeiro diamante, quando lê uma de suas atividades, um texto que cativa e intriga o mestre. A curiosidade de Germain nos aponta para a mensagem do filme, que aborda o fato do interesse pela vida alheia quando a nossa não parece emocionante o suficiente. Percebemos então que não é somente na sala de aula que o professor se sente fatigado.

Eles desenvolvem uma amizade que vai se tornando perigosa ao passo que Claude insere eventos reais em sua narrativa.


Jovem e Bela (Jeune et Jolie, 2013)


Certa vez François Ozon resumiu Jovem e Bela da seguinte forma: "Uma jovem que descobre a sexualidade". E sim, o filme trata exatamente disso, sem rodeios!

Isabelle (Marine Vacth), 17 anos e de classe media alta, perde sua virgindade e deixa clara sua indiferença com o ato. Ela resolve então fazer programas e se mostra muito mais satisfeita com a adrenalina que a atmosfera "proibida" envolve. O que ela de fato busca com isso é algo que não vamos descobrir, afinal o filme não se preocupa dar explicações e sim em nos contar o que se passa com a protagonista de acordo com as estações do ano, mas sem se aprofundar ou julgar seus atos.

Ozon aborda com maestria a parte delicada que a profissão trás e isso só torna a obra muito mais interessante.


Uma Nova Amiga (Une Nouvelle Amie, 2014)


Um tema atual que nos trás a reflexão de como as coisas mudaram e como nossa empatia sobre direitos iguais precisa ser empregada. A transexualidade se faz presente no dia-dia e Uma Nova Amiga mostra como a desconstrução é feita de maneira gradual.

Na trama acompanhamos a história de Claire (Anais Demoustier), que promete cuidar do marido e da filha de sua melhor amiga Laura (Isild Le Besco), que já aparece morta na primeira cena. A surpresa vem quando Claire descobre que David/Virgínia (Romain Duris) se veste de mulher, e que o hábito vem de antes do casamento. A personagem então se encontra dividida entre seu preconceito, a curiosidade e um inesperado desejo.

Ficamos intrigados em saber se o desejo vem porque Virgínia faz alusão a sua amiga de infância ou porque ela está confusa em um estado pós traumático, tentando encontrar uma nova figura feminina que preencha a lacuna que Laura deixou.

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