PSI | 1ª Temporada


Quem acompanha a programação do canal HBO há de concordar que a emissora tem caprichado, e muito, no nível das séries nacionais. Roteiro, fotografia, direção, escolha de atores... tudo impecável. Dá gosto assistir.

Também pudera, os "donos" de Game of Thrones – uma das mais grandiosas séries da atualidade em todos os sentidos: produção, popularidade e reconhecimento – não chegariam ao nosso país para fazer "qualquer coisa" ou "mais do mesmo". Em meio a outros conglomerados multimídia que se acomodam na zona de conforto, com repetição de clichês e fórmulas baratas, a HBO definitivamente honra a pré-disposição do telespectador em pagar pelo serviço de TV por assinatura.

E neste refinado menu da emissora está PSI, que estreou em 2014, tendo suas temporadas seguintes em 2015 e 2017.  No elenco principal estão Emilio de Melo, Claudia Ohana, Raul Barretto, Marcelo Airoldi, Aida Leiner e Paula Picarelli.

PSI é uma criação de Contardo Calligaris, que assina os roteiros junto com Thiago Dottori. Italiano formado na França (Doutor em psicologia) e radicado no Brasil desde os anos 80, Calligaris empresta suas vivências pessoais e profissionais para composição do personagem principal e desenvolvimento das histórias protagonizadas pelo mesmo.


São Paulo (capital) nos dias de hoje constitui o cenário. Emilio de Melo faz o alter-ego de Contardo, o terapeuta Carlo Antonini. As histórias são basicamente sobre a vida do protagonista, sem se limitar ao que se passa dentro do consultório (embora alguns de seus conflitos coincidam com os de seus pacientes). Sua forma de ver o mundo, suas buscas, suas relações com as pessoas mais próximas.

Seu núcleo familiar inclui a ex-exposa Flávia (Aida Leiner) e seus enteados Marina (Bianca Vedovato) e Henrique (Igor Armucho), mantendo um amigável relacionamento com todos, incluindo a quase nora Janaína (Camila Lecciolli), namorada de Henrique. Carlo possui também um filho adulto, Mark (Victor Mendes), fruto de um relacionamento anterior, que no meio da temporada chega de volta ao Brasil e será parte de alguns dos casos resolvidos pelo pai.

Seu melhor amigo é o “coveiro-por-vocação” Severino (Raul Barretto), que permite que o terapeuta use seu local de trabalho (Cemitério da Consolação) como lugar para reflexões pessoais. Outros amigos próximos são o policial Roberto (Otávio Martins) e a procuradora Taís (Paula Picarelli). Mais do que todos estes, quem ganha destaque é Valentina, personagem de Claudia Ohana. Valente – como é chamada por Carlo – também é médica terapeuta, e divide não só o espaço na clínica, mas também impressões e dedicação ao tratamento dos pacientes de seu colega. A forma como se conheceram e a natureza do relacionamento dos dois é contada aos poucos nesta e na segunda temporada.

Carlo leva a psicologia e a psicanálise para muito além do consultório. A maioria de suas intervenções acontece com pessoas que cruzam seu caminho no cotidiano. Sua premissa de que “a normalidade é uma patologia sem graça” somada a sua personalidade curiosa, impulsiva e intervencionista, leva-o a envolver-se em casos nada convencionais, e muitas vezes perigosos, inclusive.


Alucinações sobre perseguição, pedofilia e outras desordens de cunho sexual, vampirismo, espiritualidade, “self-cutting”... Estes e outros transtornos são parte dos casos que formam o  prato cheio no qual o terapeuta mergulha fundo nesta primeira temporada, tudo pontuado com certo humor (negro inclusive, como no episódio da ‘vampira’).

Nesta e na segunda temporada não há muita conexão entre os casos mostrados em cada episódio. O que pontua certa continuidade e dá o sentido temporal às coisas é, como já foi dito, o cotidiano do personagem principal e seus afetos mais próximos. Já na terceira temporada, o formato muda um pouco, mas isto é assunto para as próximas colunas.

Em síntese, PSI é uma série de histórias que analisam as diversas personalidades do cidadão metropolitano, enfrentando constantemente suas questões existenciais e morais no mundo moderno. Isto torna a série atrativa não apenas aos simpatizantes da psicologia, mas a todo interessado no comportamento humano. Tudo isto narrado num ritmo bem cadenciado, sem tirar o fôlego do espectador, muito menos o deixando ao tédio.

PSI foi indicada ao Emmy Internacional na categoria de Melhor Série em 2015.
Até o momento, a emissora não divulgou seu futuro após a terceira temporada.

Disponível no site oficial da emissora e para assinantes do canal HBO.

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Rodrigo Alves é músico, produtor musical, estudante de psicologia e (agora) colaborador neste site. Links para suas redes sociais: rodrigoalves.com

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