5 Filmes Com Um Único Cenário


Quantas vezes você já não se viu maravilhado com aqueles cenários épicos de um filme ou então mais empolgado com o coadjuvante do que com o protagonista? Muitas, eu aposto! Mas e se o filme só tiver um ou dois cenários e não tiver coadjuvantes, seria menos interessante ou empolgante? 

Pensando nisso, avaliei algumas experiências que me surpreenderam e decidi fazer essa lista para refletirmos o quanto a sétima arte pode ser entusiasta, mesmo com poucos elementos em cena. Menos, nesse caso, não significa diminuição do trabalho, na verdade, o trabalho é dobrado. Produzir esse tipo de obra é um risco, pois o roteiro tem que estar muito bem amarrado. O ator que ficará em cena quase que em tempo integral, precisa estar focado e conectado com o personagem, o cenário e a fotografia precisam caminhar juntos.


Naúfrago (Cast Away, 2000)

Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: William Broyles Jr.

Graças ao sucesso de Náufrago essa lista se torna possível, afinal, o filme provou que nem só de explosões e mil personagens vive a arte cinematográfica. É possível ter poucos elementos e um roteiro que instiga o espectador, que te faz se importar com o protagonista.

Chuck Noland (Tom Hanks) é um executivo da Fedex, que trabalha minunciosamente para que suas entregas sejam pontuais, ele mostra sua natureza controladora ao andar com o relógio pra cima e pra baixo. Durante uma de suas viagens pela empresa, seu avião caiu e Chuck se vê isolado, faminto, sem esperança e com uma dor de dente absurda, afinal, embora ele controle bem o tempo das entregas, nunca soube controlar o tempo que deveria ter pra si. Trata-se de uma das mensagens que a obra passa. Devemos viver a vida, se dedicando, mas não nos privando de pequenos prazeres que até uma simples conversa com alguém pode proporcionar. Chuck descobre isso quando se vê conversando com Wilson, a famosa bola de vôlei estampada com a marca sangrenta de sua mão.


Locke (idem 2013)

Direção: Steven Knight
Roteiro: Steven Knight

Locke é um filme que demorei a assistir, pois mesmo sendo super fã do Tom Hardy (O Regresso) , confesso que estava com medo de me decepcionar. Felizmente aconteceu exatamente o contrário, e eu amei o filme. Seus 90 minutos de duração são completamente filmados dentro de um carro e não temos outros personagens em cena. Tom interage com os outros apenas pelo auto falante do celular.

Ivan Locke (Hardy) é um engenheiro civil que está atordoado tentando resolver problemas pessoais e profissionais enquanto dirige. Ele tem uma família perfeita, é apaixonado por sua esposa - com quem tem dois filhos - e é um pai dedicado. Certa vez ele cometeu um erro que colocará tudo isso em xeque.

Não enxergo esse filme funcionando com outro ator como protagonista.


Hush: A Morte Ouve (Hush, 2016)

Direção: Mike Flanagan
Roteiro: Mike Flanagan e Kate Siegel

Hush é um suspense surpreendente pelo fato da protagonista ser surda. A personagem é interpretada por Kate Siegel (O Espelho), que também escreveu o roteiro ao lado do diretor. Trata-se de uma escritora que vive isolada em uma casa perto da floresta, tendo como amiga apenas a vizinha que a visita vez ou outra. Ela se vira muito bem e vive tranquila, até que um dia, um homem mascarado aparece em sua porta para perturbar a paz, mostrando-se fascinado pelo fato da mulher ser surda.

A casa é o principal e único cenário, criando uma atmosfera tensa, sem precisar recorrer a trilha sonora para assustar (jump scares). A obra se beneficia do silêncio e nos faz torcer pela protagonista.


Águas Rasas (The Shallows, 2016) 

Direção: Jaume Collet-Serra
Roteiro: Anthony Jaswinsk

Acompanho o trabalho de Blake Lively (A Incrível História de Adaline) desde Quatro Amigas e um Jeans Viajante e me surpreendo bastante com o seu crescimento como atriz. A maior prova disso é sua atuação em Águas Rasas, filme que se situa 90% do tempo no mar. A atriz divide cena apenas com albatroz e o tubarão imenso que a persegue, algo que fez nunca querer surfar na vida.

Nancy (Lively) é uma ex-estudante de medicina, que decide visitar uma praia frequentada por sua mãe no passado. Ela se encanta pelo lugar e resolve surfar, conhece dois rapazes locais que a alertam sobre o horário e a maré, mas ela não da muita bola e... claro, se dá mal. Um tubarão aparece e passa a rodeá-la, tornando do passeio o pior pesadelo possível. Nancy fica horas e horas no mar, tendo a sorte de ser amparada por uma rocha, rodeada de corais, mas que desaparecerá em breve dentro d'água, quando a maré subir.

O filme bem feito, que te deixa aflito. Apenas considerei o final um pouco surreal, mas tudo bem.


Por Um Fio (Phone Booth, 2002)

Direção: Joel Schumacher
Roteiro: Larry Cohen

Com esse filme Colin Farrell (O Estranho Que Nós Amamos) virou meu crush. Me lembro de gostar tando que até comprei o DVD e, ainda hoje, acompanho a carreira do ator. Sua atuação é muito eficiente para uma obra que foca quase todos os seus 80 minutos de duração dentro de uma cabine telefônica, com seu personagem principal.

Stu Shepard (Farrell) é um relações públicas bem arrogante, que humilha seu assistente ao invés de ensiná-lo sobre a profissão, que mente e engana para que seus clientes estampem revistas e jornais. Ele é casado, mas não é fiel, então todo dia, no mesmo horário e na mesma cabine, ele liga para a "namorada", até que um dia tudo sai errado, o telefone toca e quando ele atende, o jogo começa.

Um sniper está do outro lado da linha e mostra a Stu que sabe tudo sobre ele e sua rotina, prova que ele está na mira e que deve seguir toda sua recomendação para que não acabe morto. A princípio não entendemos a razão disso tudo, apenas temos a noção de que o personagem precisava aprender a ser menos egoísta e mentiroso.

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