A trajetória de Chistopher Nolan até Dunkirk | Parte 2


Não teria uma forma mais impactante de começar a segunda parte dessa análise da filmografia de Christopher Nolan. Considerado por muitos o filme definitivo do diretor e o melhor filme do gênero de super-heróis de todos os tempos, Batman: O Cavaleiro das Trevas é uma obra que eleva o patamar dos heróis no cinema. Assim como “A morte de Gwen Stacy” foi para as HQs um marco que acabou com a ideia de inocência na nona arte, O Cavaleiro das Trevas vem fazer isso, só que com a sétima. 

Aqui, temos o acréscimo de um ator que muda toda a dinâmica do longa. Heath Ledger (Candy) como Coringa, o maior vilão do Homem-Morcego, um dos maiores das histórias em quadrinhos (talvez o maior) e graças à sua interpretação, um dos maiores vilões do cinema. A loucura obscena passada por Ledger dinamiza e contrasta com a moralidade do herói. Harvey Dent (Aaron Eckhart) é outro ponto crucial da história, e a transformação do justo promotor no vilão Duas Caras é arquitetada milimetricamente. O resultado final é primoroso, discursos inesquecíveis, cenas marcadas no inconsciente popular, o Poderoso Chefão dos filmes de super-herói. E graças a essa obra, podemos ver abordagens mais sérias e reais sobre tais temas nos cinemas, como O Soldado Invernal e Logan.

The Dark Knight, 2008

Em decorrência do sucesso absoluto de crítica e bilheteria, Nolan deu seu próximo passo em direção a um grande projeto próprio. A Origem (Inception), roteirizado também por ele, não era um filme fácil de se fazer, mas como tinha confiança total da Warner, isso possibilitou que ele pudesse produzi-lo. Aqui repetiu nomes que já haviam trabalhado com ele anteriormente (outra marca do diretor) Cilian Murphy como Fichser e Michael Caine como Miles, além de vários outros acréscimos como Leonardo DiCaprio (Dom), Marion Cotillard (Mal), Ellen Page (Ariadne) e Joseph Gordon-Levitt (Arthur). 

Lançado em 2010, o filme conta a história de um ladrão especializado em extrair informações do inconsciente dos seus alvos durante o sonho. A narrativa é complexa e muito bem construída, temos a criação de toda uma mitologia de ladrões de sonhos e no subtexto temos uma obra de assalto, facilitando o entendimento do espectador. As cenas de ação são cirúrgicas e feitas com efeitos práticos. Todo o elenco está muito bem, mas DiCaprio e Ellen Page merecem destaque. Outro grande nome é Hanz Zimmer, o compositor alemão tem aqui um de seus melhores trabalhos, firmando a genial parceria com o diretor A Origem trouxe o sci-fi de volta a Hollywood em grande estilo e mostrou o quão criativo o diretor inglês pode ser como roteirista. Muitos fãs consideram seu melhor trabalho, aliás, como Nolan tem uma filmografia muito densa e coesa, diversos filmes dele são considerados seu melhor trabalho, dependendo da ótica. 

Inception, 2010

Em 2012 o diretor encerra sua trilogia do Homem-Morcego com Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Este é o pior filme dos três e um dos piores do diretor, mas em nenhum momento chega a ser um filme ruim. Dois acréscimos no elenco são de muito valor, Anne Hathawhay como Mulher Gato e Tom Hardy como Bane. Unindo ideias da saga dos quadrinhos “A queda do Morcego” e “Cavaleiro das Trevas” de Frank Miller o filme nos traz ótimas referências.

Muitos não gostam do Bane, porém vejo que o vilão funciona, ele impacta e causa medo de uma forma diferente ao seu predecessor. No entanto, a virada de roteiro no final do filme enfraquece o personagem. O longa poderia ter sido algo próximo do perfeito, mas deslizes de roteiro e continuidade o atrapalharam. A manutenção do status quo chega a incomodar também, mas merece destaque por cenas grandiosas como o assalto ao avião na cena de abertura, o estádio de futebol vindo a ruínas, e principalmente, pela primeira luta entre Batman e Bane, sem trilha sonora, apenas com o som das esperanças do herói sendo esmagadas. Perfeita!

The Dark Knight Rises, 2012

Chegamos a Interestelar, seu penúltimo filme, logo antes de Dunkirk. Mais uma obra grandiosa para a carreira do cineasta. O interessante nesse longa é a fidelidade a ciência. Nolan teve diversos cientistas ajudando-o com as teorias aplicadas no roteiro, inclusive o famoso pupilo de Carl Sagan, Neil Degrasse Tyson. No elenco temos Matthew McConaughey como o personagem principal Cooper. Matthew nos entrega uma performance sensacional, ele que vinha de grandes trabalhos em True Detective e Clube de Compras Dallas (filme pelo qual recebeu o Oscar de melhor ator). Anne Hathaway também está presente como Brand, e Michael Caine (que sempre é um colírio para os olhos).

Esse filme expande barreiras do sci-fi, falando de conceitos poucas vezes tocados no cinema, como buraco negro, teoria da relatividade e principalmente a quarta dimensão. Um prato mais que cheio para fãs do gênero. Efeitos especiais extremamente realistas e palpáveis. Interestelar é também uma ode a 2001: Uma Odisseia no Espaço, mas nunca o copiando, e sim criando algo novo. Percebo até uma referência a Guia do Mochileiro das Galáxias nos robôs, em um dos poucos momentos cômicos do filme. A narrativa se perde um pouco no final, recorrendo a alguns clichês, mas, ainda assim, o filme se mantém excelente, o mais comprovadamente científico das ficções cientifica e uma obra sobre o ser humano, acima de tudo, pavimentando o excelente caminho do diretor até o seu mais novo filme, Dunkirk.

Interstellar, 2014

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