CRÍTICA | O Jantar

Direção: Oren Moverman
Roteiro: Oren Moverman
Elenco:Richard Gere, Laura Linney, Steve Coogan, Rebecca Hall, Chloë Sevigny, Charlie Plummer, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2017


Um thriller psicológico com um minucioso jogo de palavras, poderosas interpretações, dramas pessoais e questões morais em voga. Assim posso descrever O Jantar, filme inspirado no romance homônimo de Herman Koch, lançado no Brasil em 2013. Um drama que vai mexer com suas emoções e fará você se colocar no lugar dos personagens.

A história acompanha Stan Lohman (Richard Gere), um político ambicioso e com pretensões de ser governador. Ele resolve convidar o irmão Paul (Steve Coogan) e sua cunhada, Claire (Laura Linney), para jantar em um restaurante chique na cidade de Amsterdã. Na medida em que os pratos vão sendo servidos, o clima tranquilo e casual vai dando lugar à uma atmosfera de medo e apreensão quando o verdadeiro motivo do encontro é abordado: um terrível crime cometido por Michael (Charlie Plummer), filho de Claire e Paul, e Rick (Seamus Davey-Fitzpatrick), filho de Stan e da sua ex-mulher, Barbara (Chloë Sevigny).

O recurso do flashback, utilizado desde o início do longa, é providencial, não só para mostrar como o crime aconteceu, mas também para nos ajudar a compreender a personalidade dos jovens e de seus pais. A divisão da narrativa, com o uso de letreiros como "entrada", "jantar", "digestão" e "sobremesa", além de criativa, contribui para a evolução da história, pois não a torna cansativa e faz o espectador se interessar pelo que virá em sequência.


Questões como tolerância, responsabilidade e dever de proteção são latentes, abordadas de maneira cirúrgica e muito bem interligadas desde o início da história, desde as posturas questionáveis de Paul e Stanm até questões mais complexas. Se os filhos dos dois protagonistas deveriam ser acobertados ou responsabilizados pelo que fizeram. Todo esse contexto obscuro faz com que o espectador queira se inserir na discussão e ter uma opinião a respeito, se devem ou não pagar pelo crime. 

É claro que esse não é o único questionamento que vem à mente. Fica a pergunta se os adolescentes foram influenciados pelas personalidades controversas de seus pais ou se eram vítimas de uma sociedade corrompida pela violência e corrupção.

A fotografia também impressiona, com tomadas feitas em ambientes noturnos, dentro e fora do restaurante, com pouca luz. Tudo isso traz um tom sombrio e uma atmosfera mais carregada. Os dois casais não podem sair do restaurante até tomarem uma decisão final sobre o que fazer para resolver o problema no qual os filhos se envolveram. As personagens femininas também contribuem para que a tensão aumente, tendo em vista as diferentes personalidades e maneiras de cada uma enxergar a tragédia que abateu a todos.

Com um trabalho primoroso do diretor e roteirista Oren Moverman (O Mensageiro), O Jantar é um misto de emoção, debate e reflexão, que vai levar o espectador a querer dialogar sobre o que viu e questionar sobre os valores presentes no ambiente familiar e na sociedade em geral. Vale mesmo tudo para proteger nossos filhos? Até onde o amor dos pais pode e deve chegar? Um suspense instigante, com um desfecho que te dá margem para imaginar o que vem depois.


Ótimo

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