O novo Jumanji parece tudo... menos Jumanji


Já vou pedindo desculpas pelo título profético desse post. Acreditem, eu sei que fazer uma crítica baseada apenas em um trailer pode ser muito errado ou até um tiro no pé (não desistam de mim, por favor), mas eu precisava compartilhar a depressão pessoal que eu senti ao assistir ao trailer da “continuação” de Jumanji.

Se você, assim como eu, cresceu assistindo a esse clássico dos anos 90, que passou repetidas vezes na Sessão da Tarde, e nutre por ele um amor especial, fique aqui que a conversa vai ser boa.

A primeira coisa que eu gostaria de deixar BEM CLARA é que eu não acho que o novo filme será ruim, longe disso. Ele pode ser uma ótima fonte de entretenimento e eu talvez goste bastante. O ponto que quero abordar com esse texto é outro.

O Jumanji que todos conhecemos, por mais que seja baseado em uma obra infantil de 1981, vai muito além desse perfil de público e conta um roteiro tão rico, que serve de exemplo para filmes que vemos até hoje. Eu ainda me pego assistindo e analisando detalhe por detalhe, e não falo de efeitos especiais, mas sim da construção de personagens, de conflitos, de cenas. Penso que esse é um daqueles longas que irão durar para sempre e continuar encantando gerações, é algo único. E esse é o primeiro erro da continuação.

Em meio a inúmeros filmes de ação com explosões, tiros, fugas e afins, o novo Jumanji parece tentar ser apenas mais um e se sustentar em cima de efeitos especiais. Talvez essa seja a maneira que eles acreditam que servirá para atrair uma nova geração de espectadores e não somente os saudosistas do clássico? Sim, é bem possível. Ainda assim, parece um roteiro que eu já vi e que mistura tudo que já assistimos, como Bem-Vindo à Selva, Indiana Jones, King Kong, Viagem ao Centro da Terra e tantos outros.



Outro fator que considero um erro, e que mais uma vez demonstra a busca por atrair um público mais jovem, é a transformação do jogo, que no original era um tabuleiro, em um jogo de video-game. Tudo bem, estamos na era da tecnologia, quase ninguém joga jogos de tabuleiro (Banco Imobiliário, WAR, alguém?), mas será que essa mudança era realmente necessária? Ainda mais se levarmos em consideração que o final do original dava uma boa margem para um próximo filme? Claro que isso pode ser explicado ainda, mas WHY A MOTHERFUCKING VIDEO GAME? Ok... passou.

Além disso tudo, temos os mesmos padrões de sempre: os fortões, as gostosas, os nerds, o tagarela engraçado, a patricinha superficial e todos aqueles clichês que já estamos cansados de ver, tudo ao som de "Welcome to The Jungle” do Guns N' Roses. Isso sem mencionar o clima de lição de moral de “vocês precisam saber quem são”.

Eu vi muita gente dizendo que “se fosse para ser algo igual, eu via o original, tem que ser diferente mesmo”. Sim, tudo bem, o que esperamos é mesmo uma história completamente nova, com uma nova roupagem, mas o que a gente também deseja de uma continuação ou adaptação é que ao menos ela mantenha o mesmo clima da história original. Jumanji nunca foi uma história de ação ou de adolescentes que precisam deixar de ser menos superficiais. Jumanji é complexo, com um clima mágico, de uma maneira que faz você sonhar com aquele tabuleiro. Ele é mítico, engraçado, envolvente e tantas outras coisas que parecem que não irão fazer parte dessa continuação.

O que eu quero dizer com todo esse texto é que esse novo filme poderia ser lançado sem nenhum problema. O que eu não acho é que ele deveria se chamar Jumanji, porque passa longe de ser.

Bom, eu provavelmente irei assistir ao filme, afinal tem o Jack Black, não é? Mas meu coraçãozinho já aceitou que ele será uma péssima homenagem àquele que é uma das minhas obras favoritas.

Fica aqui o meu lamento. E se eu estiver errada? QUE ÓTIMO, eu quero mesmo estar errada. E pra quem ainda não viu o trailer, é só dar o play e vir dizer se concorda ou não comigo.

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