Planeta dos Macacos | O caminho até a guerra!


"Se perdermos... Esse será um planeta dos macacos." 
Coronel

Amanhã estreia o novo filme do reboot da franquia de Planeta dos Macacos. Os anteriores foram A Origem (2011) e O Confronto (2014). O primeiro foi muito bem recebido, já o segundo dividiu opiniões: teve gente que amou ao ponto de afirmar que era um dos melhores filmes que já havia assistido e outras que acharam a obra bem aquém dos originais. Eu me encontro no primeiro grupo e não vou considerar o segundo grupo na minha análise, já que é justamente o oposto do que pensei do do longa.

A Origem era bem definido pelo título, mostrava a origem do primeiro símio mais evoluído, o chimpanzé César (Andy Serkis), sobrevivente de uma série de testes para criar uma droga que revertesse o quadro do mal de Alzheimer. Adotado pelo principal cientista do projeto, Will Rodman (James Franco), César vai demonstrando sua inteligência superior conforme é capaz de interpretar o mundo ao seu redor, e se comunica muito bem por sinais (algo que, vale comentar, cientistas já conseguiram fazer na vida real). Mas eventos infelizes o levam a se separar de sua amável família adotiva e liderar a libertação de outros macacos que estavam presos em um vivedouro local. Ao mesmo tempo um vírus fatal para os humanos começa a se proliferar em decorrência dos experimentos que estavam sendo feitos.

"BANANAAAAAAAAAAS!!!!"

Com esse primeiro longa, duas coisas ficaram claras. A primeira foi que tratava-se de um filme muito envolvente, que te dava vontade de estar no meio daquela revolução primata.  A outra é que não se tratava só de um prequel, mas de um reboot também. Na série original, os primatas dominavam o mundo por outras razões, não relacionadas a uma droga que aumentava a capacidade cognitiva deles. Um astronauta havia trazido uma doença do espaço para a Terra, mas ela não afetava os homens nem os primatas, porém afetava os gatos e os cachorros. Em poucos anos todos estavam extintos, e os homens então adotaram os macacos para serem seus animais de estimação. Com o tempo eles notaram que os macacos eram inteligentes o bastante para serem treinados ao ponto de fazerem serviços que os humanos não gostavam de fazer. Em pouco tempo tornaram-se escravos, e muito mal tratados. César, que havia vindo do futuro dominado pelos macacos, filho de Zira e Cornelius, era o líder da revolução símia contra as maldades dos homens.


Mesmo com as diferenças, ficou claro que a nova equipe criativa não queria fazer algo sem relação alguma com os filmes originais. Era possível ver uma notícia de jornal dizendo que astronautas haviam ficado perdidos no espaço e o momento fatídico em que César se rebela contra seus detentores é quando ele se expressa verbalmente pela primeira vez dizendo "Não!", uma referência à mitologia da série antiga, onde diziam que a rebelião dos primatas havia começado assim também.

Apesar dos trailers empolgantes, haviam dúvidas quanto à qualidade da continuação que ia ser lançada em 2014. Primeiro que não é raro que um filme super legal e com um final aberto seja premissa para uma grande continuação e se lambuzarem em sequências terríveis! Outra notícia ruim era a mudança de diretor. Rupert Wyatt (A Escapada) que havia feito um trabalho tão bom, estava saindo, sendo substituído por Matt Reeves (Deixe-me Entrar). A preocupação se mostrou desnecessária, já que foi uma sequência exemplar. Todos as escalas foram aumentadas, o enredo desenvolvido de forma inteligente, sem ignorar os acontecimentos do filme anterior e os personagens realmente amadurecendo e mudando conforme se passa a história.












César, protagonista que herda o nome do personagem antigo, ainda que também lidere os macacos, teve uma trajetória um tanto diferenciada, mais madura e com mais atenção a conflitos existenciais envolvendo responsabilidade e moral. Foi um filme surpreendentemente completo; a ação era eficiente, o drama e as reflexões também.

Há tantas semelhanças com os filmes antigos que fica a imaginação do que deve vir de novo. O Confronto mostrou os seguidores de César, estabelecendo rigorosamente o ensinamento de que "macaco não mata macaco", para evitar que a comunidade símia caia no mal da civilização humana, que mata uns aos outros em guerras. Também houveram momentos, principalmente no final, onde eles dedicam bastante tempo a mostrar o olhar do personagem enquanto reflete sobre tudo o que aconteceu, o que é bem impactante quando você está envolvido no filme, isso também acontecia nos antigos.

Ao final do longa, a comunidade de César havia saído de sua situação de paz a lá Jardim de Éden e entrado em forte combate contra os humanos, após as ações do macaco traumatizado Koba, que até atirar no César atirou (filho da mãe). Então temos um baita final aberto após muitas perdas e uma batalha de grandes escalas no setor onde haviam alguns humanos dos EUA que tinham sobrevivido ao vírus. Agora os humanos com certeza vão se colocar contra eles, o que ficou claro no trailer do filme, então vamos falar da GUERRA!

No lado dos homens, os inimigos


Após as ações do Koba, atacando e escravizando os humanos, formou-se uma resistência humana para enfrentar os macacos. Como líder deles temos o Coronel interpretado por Woody Harrelson (True Detective). Nos trailers ele dá discursos dizendo como essa será a guerra mais importante da história da humanidade, já que, caso eles percam, deixam de ser a raça dominante da Terra, que passará então a ser dominada pelos macacos. Para César, que era um pacifista, pegar em armas de fogo, tudo indica que os humanos devem atacar os macacos de maneira bem covarde.

No filme anterior, o líder dos humanos era o Dreyfus, interpretado por um ator de primeiríssima linha, Gary Oldman (Batman Begins). O cara havia perdido a família para o vírus e queria ajudar os humanos a sobreviverem, matando os macacos se for preciso. Mas o Dreyfus não tinha um caráter perverso, ele realmente só queria fazer o que era certo. Quem tinha mais jeito de vilão era o macaco Koba, interpretado por Toby Kebbell. Era Koba quem tomava as atitudes que levaram a todos os problemas, inclusive mentindo e matando. Isso causava um empasse no estilo Professor X e Magneto. O César era um pacifista compreensivo, tendo sido criado com muito amor em sua família, já Koba havia sido preso e torturado fortemente, não tendo qualquer tipo de empatia pelos seres humanos. O novo filme deve trazer misturas dessa relações, com macacos ajudando os humanos.


Mas isso não significa que César se tornará um radical como Koba, já que nos trailers também podemos ver os macacos acompanhados de uma simpática garotinha loira. Em um momento César justifica carregar a garota dizendo que ela não tem ninguém. A garota aparece segurando uma bonequinha, que também é um elemento importante dos filmes clássicos.

Divisões entre os macacos?


No livro e nos filmes antigos, apesar de viverem todos juntos, havia uma clara divisão entre os orangotangos, os gorilas e os chimpanzés. Com isso, o autor Pierre Boulle queria discutir as diferenças de tipos de personalidade das pessoas do mundo real, com os gorilas sendo mais brutos e especialistas em atividades de administração, organização. Os chimpanzés eram a força criativa e curiosa, digamos assim, os sensatos, enquanto os orangotangos eram conservadores e teimosos, sendo bons apenas em decorar enormes quantidades de informação.

Os temas para reflexão



"Você esta certo, eu sempre soube sobre os homens. Pelas evidências, eu acredito que sua sabedoria devia andar junto com sua idiotice. Suas emoções deviam comandar seu cérebro. Ele deve ter sido uma criatura guerreadora que leva guerra a tudo ao seu redor, até si próprio."

É difícil olhar para Planeta dos Macacos e não esperar uma trama que tentará te prender, simplesmente por mostrar macacos dominando o mundo, afinal, está cheio de filmes desse tipo. O único que foi assim foi o remake do Tim Burton (Batman), que é considerado o pior de todos. De resto, os livros e os filmes, tanto os antigos quanto os novos, são tão apaixonantes por apresentarem uma sequência infinita de temas interessantes. Não há um aprofundamento adequado sobre os complexos temas trazidos, mas são tantas coisas interessantes que eles te fazem pensar que acabam sendo viagens inesquecíveis!


Os filmes ampliaram as várias críticas do autor Pierre Boulle, do extremismo político ao conservadorismo científico e religioso. Eles também fizeram críticas ainda mais fortes à criação da bomba nuclear, a perseguição às pessoas por suspeitas de comunismo, o uso abusivo de técnicas de psicologia comportamental, biologia evolucionista e representação bem pesada de fanatismo religioso. Sinceramente, pode parecer bobo por causa dos personagens macacos, mas eu não colocaria uma criança para ver os filmes antigos, ou ela entenderia nada ou ficaria bem assustada.

Coisas como religiosos louvando uma bomba nuclear, dizendo que ela desce do céu para trazer a verdade a todos. E às vezes simples frases que passam rápido, como uma mulher fumando o cigarro mais saudável do futuro dizendo "Agora que não vai me matar eu não vejo mais graça" ou "Era pra isso que o homem queria tanto petróleo? Para matar os peixes?". São temas que mesmo não sendo explorados com toda a profundidade e complexidade que poderiam, fazem a sua imaginação ampliar mais e mais, conforme os filmes avançam, o que, na minha opinião, é o que torna todos tão apaixonantes.

Levando em conta os tempos de politicamente correto em que vivemos, duvido MUITO que no novo filme eles coloquem referências mais chocantes à religiões como nas obras anteriores. Vale lembrar que na Segunda Guerra Mundial, os super-heróis da Marvel e da DC apareciam explicitamente socando a cara do Hitler e do Stálin na capa dos gibis, mas com a globalização os tempos mudaram.

Será que são os orangotangos, os chimpanzés ou os gorilas que estão ditando as regras?

A César o que é de César!

"Você é impressionante. Esperto pra caramba... Mais forte do que a gente. Mas você está levando tudo isso de forma muito pessoal! Tão emotivo!"
Coronel

É interessante notar a evolução de César! Primeiro o vimos nascendo, com toda a mudança de atitude. Em O Confronto o vimos se transformar em um líder sábio, e o bacana é como deu pra acompanhar as mudanças. Tá certo que o personagem mais famoso do ator Andy Serkis é o Smighol de O Senhor dos Anéis, mas eu não tenho dúvida que o César foi o papel mais bem desenvolvido dele. É muito emotivo, mesmo com toda a computação gráfica por cima, fica claro como ele se sente, desde quando era um macaquinho ingênuo com suas dúvidas até se tornar um verdadeiro líder, bravo e sábio!


Eu já achava Andy Serkis um artista incrível, mas virei fã mesmo depois de assistir a franquia. Em entrevistas ele tem dito que César continua mudando em A Guerra, e agora veremos um lado mais obscuro do personagem. Está animado? Também curte Planeta dos Macacos? Encerro esse post com o trailer do filme.



"Eu espero que... dessa ocasião solene... um mundo melhor surgirá. Nascido do sangue e da carnificina... do passado. Um mundo baseado em fé e compreensão. Um mundo dedicado ao sonho... de liberdade... tolerância... e justiça."
César

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