5 Filmes Que Quebram a Quarta Parede


Uma das principais intenções do universo cinematográfico é levar o público a uma profunda imersão dentro do cenário apresentado em determinado longa. Essa ideia é chamada de suspensão voluntária da descrença, onde o espectador consegue esquecer de que está apenas vendo um filme, se empolgando com a história e se deixando levar pelos sentimentos e informações que lhes são apresentados.

Ainda assim, o cinema faz uso de um recurso narrativo que vai contra a regra da suspensão voluntária da descrença. A quebra da quarta parede – mesmo não seguindo o fluxo “normal” – tem como intuito construir mais conexão com o público, gerando intimidade. Essa nomenclatura surgiu do teatro, onde as paredes laterais e a do fundo funcionam como uma caixa, deixando a quarta parede – onde a plateia está situada – aberta para uma nova regra.

Ao ser retirado de sua suspensão voluntária devido a quebra da quarta parede, o público não é somente surpreendido, mas também desestabilizado, sendo tirado de sua zona de conforto. Nem todos os filmes conseguem utilizar este recurso a seu favor, mas abaixo listei 5 longas que quebraram a quarta parede de forma excepcional.


Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Buller’s Day Off, 1986)


Um dos grandes bastiões deste recurso narrativo com certeza é o longa dirigido pelo eterno John Hughes (O Clube dos Cinco) – homenageado recentemente em Homem-Aranha: De Volta ao Lar. Em Curtindo a Vida Adoidado acompanhamos a história de Ferris Buller (Matthew Broderick), um adolescente em seu último ano de colégio, que sente uma necessidade incontrolável de matar aula. O protagonista, por vezes, não compartilha seus pensamentos e desejos com os demais personagens envolvidos em sua trama, mas o faz com o público, cativando o espectador e lhe dando a sensação de cumplicidade. 


Os Bons Companheiros (Goodfellas, 1990)


O filme dirigido por Martin Scorsese (Os Infiltrados) conta a trajetória de Henry Hill (Ray Liotta), um garoto que desde sua infância tinha o sonho de ser gângster. Além de ser uma boa história de máfia – incrivelmente sem a participação de Al Pacino – o longa consegue entreter o público com a narração do protagonista interpretado por Ray Liotta (Profissão de Risco), levando o espectador a um desfecho incrível e surpreendente. Em Os Bons Companheiros, a quebra da quarta parede funciona perfeitamente, através da narração do protagonista, que conversa com o público, levando-os para dentro do filme e obrigando-os a ser cúmplices da história. 


Clube da Luta (Fight Club, 1999)


A adaptação do livro homônimo de Chuck Palahniuk utiliza a quebra da quarta parede para ajudar na construção caótica de sua narrativa. Mantendo o tom excêntrico da obra original, o filme critica a sociedade capitalista que gira em torno do consumismo. A trama se desenrola através do personagem sem nome interpretado por Edward Norton (O Ilusionista) – uma vítima de um determinismo social e da insônia. 

O filme dirigido por David Fincher (Seven: Os Sete Crimes Capitais) é lotado de easter eggs que, em conjunto com a quebra da quarta parede e as duras críticas sociais, mantém o público curioso e levemente exausto, não porque a história é maçante, mas sim pelo ritmo babélico em que os personagens se desenvolvem. Clube da Luta utiliza este recurso narrativo com maestria, cumprindo sua premissa em dar um soco na mente do espectador. 


O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2014)


Mais um filme dirigido por Martin Scorsese – dessa vez estrelado pelo seu recente queridinho Leonardo DiCaprio (O Regresso). Sempre ousando em seus trabalhos, Scorsese realmente abusa da boa forma – de um jeito maravilhoso – em O Lobo de Wall Street. O universo retratado no filme é o mais trivial possível e é aí que a quarta parede cumpre seu papel narrativo. A trama acompanha a ascensão de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) dentro da bolsa de valores. Uma história aparentemente sem graça, mas que logo de cara prova o contrário.

Fugindo totalmente do politicamente correto, o personagem de DiCaprio abusa da quebra da quarta parede para mostrar sua ambição pelo dinheiro, gana pelo prazer e vício pelas drogas. O recurso é utilizado para escancarar a louca realidade de Belfort e seus companheiros, escandalizando o espectador, bem como facilitando o entendimento de termos técnicos da bolsa de valores para leigos.


Deadpool (idem, 2016)


A quebra da quarta parede funciona muito bem no humor. Quanto Mais Idiota Melhor (Penelope Spheeris) e S.O.S. Tem um Louco Solto no Espaço (Mel Brooks) são grandes exemplos de como o gênero casa bem com este recurso narrativo. Em Deadpool não é diferente.

O longa protagonizado por Ryan Reynolds (Dupla Explosiva) é um prato cheio para os fãs dessa “contrarregra”. O personagem principal não só diverte como também cativa o público com suas referências a cultura pop e paradas para conversas despretensiosas. O filme consegue elevar seu nível cômico, transformando Deadpool não só em um personagem que tem consciência de sua origem, mas em um amigo que senta ao seu lado na sala de cinema e comenta detalhes da trama. 

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