CRÍTICA | Amor, Paris, Cinema

Direção: Arnaud Viard
Roteiro: Arnaud Viard
Elenco: Arnaud Viard, Irène Jacob, Louise Coldefy, entre outros
Origem: França
Ano: 2015


Arnaud (Arnaud Viard) é um cineasta na casa dos 40 anos que está com um bloqueio criativo e não consegue desenvolver seu segundo filme, passa por maus bocados, sem dinheiro e com diversos problemas. Para começar, embora ame a namorada Chloe (Irène Jacob) o relacionamento chega ao fim após uma última tentativa de terem um bebê. A mãe está no hospital desenganada, ele a visita sempre que pode e a relação deles é amável, tanto que, em determinada visita, vemos o protagonista passar uma noite ao seu lado, em uma cena marcante que revela de maneira sutil os dilemas vividos por ele.

Em determinado momento vemos Arnaud sentado na lanchonete do hospital, ao fundo um quadro muito bem encaixado, uma pintura de uma ponte sobre um precipício, a chuva começa cair, e temos um homem tentando atravessar os obstáculos da vida. O interessante é que o personagem passa longe do tipo de sujeito amargurado, que desconta suas frustrações em tudo e em todos, pelo contrário, mostra-se sempre de bom humor e esperançoso, entregando sempre um sorriso ao se despedir, o que o faz ser muito querido.

Algum tempo antes do ponto de partida da narrativa, tomamos conhecimento que ele aceitou atuar em uma série de TV, algo que acabou manchando sua reputação e rendeu alguns fãs incovenientes, além de diminuir sua credibilidade com o seu patrocinador. Quando rompe o namoro, aluga um apartamento e volta a lecionar em uma universidade, e é nesse cenário que temos as cenas mais divertidas e inteligentes do filme, uma montagem entre a atuação dos alunos e o clássico francês O Ultimo Metrô, algo bonito de se ver.

Crédito: Fênix Filmes

Em meio a vários alunos peculiares, surge Gabrielle (Louise Coldefy), que entra em cena numa explosão de energia, uma personagem que exala jovialidade e ambição, que nos encanta com seu número musical (cuja música ainda toca em minha cabeça). A atração entre os dois é natural e doce, sem existir um apelo sexual forçado, o que é muito positivo, tratando-se da relação de um homem mais velho e uma mulher mais nova. E ainda que esteja adorando a fase inicial de seu novo romance, Arnaud ainda nutre sentimentos por sua ex, um conflito que humaniza o protagonista.

Conforme a trama se desenrola e reviravoltas vão acontecendo, percebemos a força do roteiro de Amor, Paris, Cinema, pois embora a trama seja, de certa maneira, previsível, os pequenos detalhes do cotidiano fazem de Arnaud um personagem a se admirar, um protagonista pelo qual torcemos por um final feliz. 

Nesse ponto, é curioso notar que o diretor do longa não só atua como seu próprio protagonista, mas também empresta seu nome ao personagem. que certamente deve ter algum contexto auto-biográfico. Uma combinação de drama e comédia na medida certa.

Excelente

Crédito: Fênix Filmes

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