Os filmes de Matthew Vaughn


Na próxima quinta-feira chega aos cinemas brasileiros Kingsman: O Círculo Dourado (Kingsman: The Golden Circle), o sexto filme da carreira do diretor britânico Matthew Vaughn. Um filme que aparece em diversas listas dos mais aguardados do mês, e por que não, do ano?

Poucos conhecem os primeiros trabalhos de Vaughn e sua evolução na arte da direção. Hoje ele é reconhecido por se tornar um “especialista” em adaptação de histórias em quadrinhos para os cinemas, até por isso foi convidado para dirigir a sequência de O Homem de Aço. Então, para entender melhor a história desse cultuado diretor, analisarei rapidamente cada um de seus trabalhos.

Antes de começar a dirigir, Vaughn produziu alguns filmes independentes. Nessa época, ele conseguiu chamar atenção ao trabalhar com o também britânico Guy Ritchie. A dupla foi responsável por dois clássicos: Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (Lock, Stock and Two Smoking Barrels, 1998) e Snatch: Porcos e Diamantes (2000).


Nem Tudo é o Que Parece (Layer Cake, 2004)

Os dois longas que citei acima abriram o caminho para a sua estreia na direção. Nem Tudo é o Que Parece tem muitas características em comum com as duas produções anteriores. Por exemplo, o humor negro ao contar mais uma história do submundo do crime em Londres. 

Baseado no livro Layer Cake, de J. J. Connolly, o filme é estrelado por Daniel Craig (007 Contra Spectre) e apresenta a história de um dos maiores fornecedores de cocaína da capital inglesa. Após alcançar sua “meta financeira”, ele decide se aposentar, mas sua saída não será tão simples e com uma missão bem complicada.

Pelo trailer, é fácil identificar a influência de Ritchie na direção de Vaughn. O filme recebeu diversas críticas positivas na sua estreia, e atuação de Craig colaborou para que ele conquistasse o papel do agente James Bond, dois anos depois.



Stardust: O Mistério da Estrela (Stardust, 2007)

Em 2007, Vaughn trocou o mundo do crime pela fantasia, co-escrevendo e dirigindo a adaptação de Stardust, longa baseado na obra de Neil Gaiman. Trabalhando com atores famosos, como Michelle Pfeiffer (Mãe!) e Robert De Niro (O Lado Bom da Vida), o cineasta começa a definir seu estilo próprio de direção, se comparado com o trabalho anterior.

O filme mostra a jornada do jovem Tristan (Charlie Cox) saindo da sua cidade em busca de uma estrela cadente para presentear sua amada. Entretanto, ao deixar sua vila, ele é transportado para um reino mágico com uma grande briga entre herdeiros de um trono e bruxas buscando a imortalidade.

Apesar de ser um mundo de fantasia, Vaughn conseguiu encaixar ótimos momentos de humor em Stardust. Segundo ele, a intenção era criar uma mistura entre os filmes A Princesa Prometida (The Princess Bride, 1987) e Fuga à Meia-Noite (Midnight Run, 1988). O resultado foi um filme leve, com cara de Sessão da Tarde. Talvez por isso, a produção recebeu avaliações mornas na época do seu lançamento.



Kick-Ass: Quebrando Tudo (Kick-Ass, 2010)

A primeira adaptação de quadrinho dirigida por Vaughn foi Kick-Ass. A produção das histórias do autor escocês Mark Millar apresentou ao grande público um novo tipo de herói, bem diferente das primeiras produções da Marvel ou DC Comics, fazendo o diretor ir na contramão de seu filme anterior.

O longa retrata a vida de Dave Lizewski (Aaron Taylor-Johnson), um garoto nerd que resolve ser o herói vigilante Kick-Ass, mesmo sem nenhuma habilidade de combate ou super poderes. Ele tem penas um collant verde e dois bastões. Porém, sua atitude heroica começa a incomodar os verdadeiros criminosos.

O longa enfrentou algumas polêmicas por conta do alto grau de violência e também pela personagem Hit-Girl, interpretada pela atriz Chloë Grace Moretz (Se Eu Ficar), que tinha apenas 13 anos na época. Contudo, houve boas críticas por conta da adaptação da linguagem dos quadrinhos para os cinemas.



X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class, 2011)

Matthew Vaughn estava escalado para dirigir X-Men: O Confronto Final (2006), porém, faltando duas semanas para o início das gravações, o diretor abandonou o projeto para focar em Stardust. Contudo, a Fox deu mais uma chance pra ele.

Co-escrito e dirigido pelo britânico, X-Men: Primeira Classe deu início a bagunça da linha do tempo dos mutantes nos cinemas. Trata-se de um prequel que apresenta o começo da “amizade” entre Charles Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender).

O longa se passa na década 60 e faz um paralelo com a Guerra Fria, enquanto os mutantes estão começando a ser vistos com maus olhos pela sociedade. Misturar momentos históricos encaixando os personagens dos quadrinhos nesse contexto, foi uma excelente escolha de roteiro. Contudo, o filme ainda dá algumas derrapadas, apresentando resoluções pouco convincentes para quem está assistindo.

Ainda assim, o diretor conseguiu entregar vários “fan-services” para os fãs dos quadrinhos, apesar de fazer mudanças na “primeira classe” da Escola Para Jovens Superdotados do Professor Xavier. Pessoalmente falando, foi o melhor longa do universo mutante até o recente lançamento de Logan (2017).



Kingsman: Serviço Secreto (Kingsman: The Secret Service, 2015)

Após X-Men: Primeira Classe, Vaughn foi produtor Kick-Ass 2 (2013) e colaborou com o roteiro de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2014). Foi durante esse período e conversando com Mark Millar sobre filmes de espião, que ambos decidiram adaptar para o cinema Kingsman: Serviço Secreto. Os quadrinhos criados por Millar e Dave Gibbons, transformaram-se mais uma vez em um longa de humor negro e violência. O que estava nas páginas foi transportado para o cinema, comprovando o sucesso do diretor em produzir filmes menos “pipoca”, por assim dizer.

Basicamente, o longa conta a história do treinamento de Gary “Eggsy” Unwin (Taron Egeton) para se tornar um agente secreto da organização britânica Kingsman. Orientado por Galahad (Colin Firth), o protagonista precisa deter o milionário megalomaníaco e excêntrico Richmond Valentine (Samuel L. Jackson).

Em comparação aos trabalhos anteriores de Vaughn, Kingsman apresenta excelente diálogos, uma ótima fotografia, cenas de ação bem construídas e uma excelente trilha-sonora. Talvez por estar envolvido em todos os aspectos da adaptação (direção, roteiro e produção), o diretor conseguiu entregar algo que agrada os fãs de cinema em geral. 

Assim como aconteceu com Kick-Ass, o filme recebeu críticas positivas, ao mesmo tempo em que foi contestado pelo excesso de violência em alguns momentos. Contudo, a bilheteria mundial foi de 414 milhões de dólares. Quantia suficiente para garantir uma continuação.


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