CRÍTICA | Blade Runner 2049

Direção: Denis Villeneuve
Roteiro: Michael Green, Hampton Fancher e Ridley Scott
Elenco: Ryan Gosling, Harrison Ford, Jared Leto, Robin Wright, Dave Bautista, Ana de Armas, Sylvia Hoeks, entre outros
Origem: EUA / Reino Unido / Canada
Ano: 2017


O fascinante universo criado por Philip K. Dick e adaptado em 1982 por Ridley Scott (Gladiador) está de volta ao cinema após 35 anos. Dennis Villeneuve (A Chegada) foi o diretor escolhido para dar um novo sopro de vida à franquia, nos apresentando o blade runner K (Ryan Gosling). 30 anos se passaram (o primeiro longa se passa em 2019) e a humanidade continua mergulhada em seu vazio futurista, cercada pelo caos tecnológico e seres sintéticos cada vez mais semelhantes aos humanos. Trazendo também o mesmo roteirista do longa original – Hampton Fancher, acompanhado de Michael Green – o filme caminha por uma estrada familiar, porém surpreendente.

Assim como seu predecessor, Blade Runner 2049 abusa de referências bíblicas para explicar, principalmente, as ambições e motivações de Niander Wallace (Jared Leto), comprador da Tyrell Corporation e agora responsável pela criação aprimorada de replicantes. O atual antagonista traz em sua personalidade o contraste do que foi visto em Roy Batty (Rutger Hauer), um personagem totalmente calculista e meticuloso em seus atos, sem grandes explosões de temperamento – essas ficam a cargo de sua subordinada, Luv (Sylvia Hoeks).

Sobre a trama, isso é tudo que quero dizer, pois o espectador merece ser surpreendido na sala de cinema. Vamos então aos aspectos técnicos da obra.

Crédito: Sony Pictures

O design de produção é um deslumbre a parte. A atmosfera de 2049 traz elementos de 2019, mas inova com locações e cenários mais coloridos, que fazem arder os olhos, exaltando a cinematografia. A trilha sonora, característica marcante do primeiro longa, mantém sua identidade e sua ausência em momentos adequados, carregando o público em situações claustrofóbicas. Os efeitos digitais, por sua vez, são outro ponto positivo, deixando o espectador atordoado quando preciso, fazendo jus ao gênero de ficção científica.

A narrativa lenta serve para aguçar a curiosidade e desenvolver, com calma, cada aspecto da trama. São 2 horas e 40 minutos muito bem distribuídos entre ação, investigação e subjetividade. As questões humanas abordadas no primeiro longa ganham outro peso, levantam novas dúvidas, novas respostas e mais indagações. É dentro desse cenário que os personagens têm seu espaço individual para crescer, mesmo que para isso dependam de atitudes alheias, sendo fácil entender o motivo de suas ações e reações. 

A ponte que liga o passado ao presente cria a familiaridade necessária com os fãs da franquia, e é um dos pontos que certamente conquistará o novo espectador. Apesar das referências e do respeito com o universo materializado há 35 anos, Blade Runner 2049 tem a clara intenção de cativar um público que ainda não conhece este futuro apático e virtual. Com atuações brutas e sensíveis, reviravoltas convincentes e a ininterrupta discussão existencial, o longa, acima de tudo, mostra que humanidade é uma questão de perspectiva.

Ótimo

Crédito: Sony Pictures

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