CRÍTICA | A Forma da Água

Direção: Guillermo del Toro
Roteiro: Guillermo del Toro e Vanessa Taylor
Elenco: Sally Hawkins, Doug Jones, Michael Shannon, Richard Jenkins e Octavia Spencer
Origem: EUA
Ano: 2017


Depois de um hiato de quase dois anos desde seu último filme live action, o diretor mexicano Guillermo del Toro (A Colina Escarlate) volta ao circuito com a fábula A Forma da Água (The Shape of Water), cuja estreia no Brasil é prevista para janeiro de 2018.

Elisa Esposito (Sally Hawkins), uma moça que mora sozinha, tem uma rotina regular e todos as noites sai para trabalhar de madrugada numa empresa de experimentos, onde faz a limpeza e a higienização das salas e banheiros. Sua melhor amiga, Zelda (Octavia Spencer), faz toda a intermediação de Elisa no trabalho, pois - vejam só! – a garota é muda. O que causa estranheza logo de início rapidamente se torna óbvio para o expectador: apenas uma protagonista muda sabe a importância de conseguir se fazer entender através da comunicação por linguagem de sinais.

A história se passa nos anos 60 nos Estados Unidos, ou seja, no auge da Guerra Fria, embora esse dado não seja oferecido ao expectador de bandeja, mas sim nos detalhes: no figurino dos personagens, no telefone com fio e de parede, na televisão em preto e branco e na fascinação que os filmes e shows com cenas de dança e de sapateado causam em Giles (Richard Jenkins), vizinho da protagonista, um pintor frustrado por não conseguir trabalhos e que tem em Elisa sua única amiga.

Crédito: Fox Film do Brasil

Elisa está bastante satisfeita com sua rotina: dormir durante o dia, acordar com o despertador, tomar banho de banheira e masturbar-se ali, enquanto cozinha um ovo para seu jantar de mais tarde. Até que um dia um cilindro enorme chega ao seu trabalho no momento em que está limpando a sala de experimentos. O cilindro se agita, claramente mostrando que há algo vivo dentro dele, e isso desperta a curiosidade da protagonista. Dias depois, porém, ao entrar no mesmo local para fazer a limpeza de costume, Elisa encontra manchas de sangue por todos os lados, e imediatamente é tocada por um senso de preservação da criatura.

Começa então a jornada da protagonista para conseguir se comunicar e cuidar da criatura – que custa a aparecer em todo o seu esplendor para o espectador, porém, quando se mostra, é de fazer os olhos brilharem. Entre uma criatura retirada dos confins do Amazonas e que não sabe falar e um ser humano incapaz de se comunicar na modalidade oral, resta apenas a eles fazer-se entender através de sinais com as mãos e a demonstração de sentimentos por olhares e expressões faciais. É onde mora o encanto dos dois, e do espectador pelo filme.

Uma fábula poética, um conto de fadas erótico e sombrio, daquele que você se encantará de formas diferentes cada vez que assisti-lo. A Forma da Água é desses filmes que nascem para virar o mais novo queridinho da rota jovem cult e estampar tatuagens hipsters do mundo todo. Um mérito da fantástica mente de Guillermo del Toro.

Ótimo

Crédito: Fox Film do Brasil

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