CRÍTICA | O Estado das Coisas

Direção: Mike White
Roteiro: Mike White
Elenco: Ben Stiller, Luke Wilson, Jermaine Clement, Austin Abrams e Michael Sheen
Origem: EUA
Ano: 2017


O Estado das Coisas (Brad's Status) talvez seja o filme mais "estilo Ben Stiller” que Ben Stiller já fez, e isso é realmente uma coisa boa. O ator e diretor construiu boa parte de sua carreira interpretando homens comicamente miseráveis: autocentrados, frustrados, passivo-agressivamente perturbados. São personagens arrogantes que fazem rir facilmente, mas são difíceis de simpatizarmos por completo.

O roteirista e diretor Mike White (Amor Pra Cachorro) reconhece essa contradição inata, entregando a Stiller um papel promissor que é extremamente engraçado e surpreendentemente penetrante. Brad, seu personagem, pensa que não está feliz com o estado das coisas, enquanto dirige por New England para visitar faculdades com seu filho adolescente, Troy (Austin Abrams). 

Ele tem uma vida confortável em Sacramento, com sua esposa amorosa e tranquila, Melanie (Jenna Fischer) e seu trabalho em uma organização sem fins lucrativos, uma extensão de seu idealismo ao longo da vida. Troy, por sua vez, é um prodígio musical, um garoto pensativo e talentoso, com um futuro promissor - um candidato legítimo para universidades de elite como Harvard e Yale.

Crédito: Imagem Filmes

Brad possui uma carreira estável e uma vida familiar feliz, mas isso não é o bastante. Ele está obcecado em ser o mais bem-sucedido entre os seus ex-colegas de escola, ainda que, durante um reencontro com um velho amigo, seja forçado a ignorar seu sentimento de inferioridade, revendo assim seus conceitos.

Apesar da natureza específica do personagem que Stiller interpreta, O Estado das Coisas encontra uma universalidade nas verdades incômodas que explora, trazendo velhos questionamentos humanos à tona. Para Brad, a vida dos amigos parece muito melhor que a sua, seja nas redes sociais, na TV ou nas revistas, todos parecem estar muito melhor que ele. A tendência humana de fazer negócios, especialmente em torno da meia idade, comparando nossas conquistas com as conquistas de nossos amigos.

É um filme que cativa desde o início. É brincalhão, melodramático e um reconhecimento do privilégio branco e masculino. No final, o status de Brad não muda muito, mas há uma vaga esperança de que ele possa lutar por algo parecido com o contentamento.

Bom

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