Primeiras Impressões | Top of the Lake: China Girl


Nem só de filmes é feito o Festival do Rio. Reservaram uma sessão especial para a exibição dos seis episódios da segunda temporada de Top of the Lake, que recebeu o subtitulo China Girl. Trata-se de uma série pouco conhecida, mas que deu bastante o que falar quando lançada em 2013, com criação de Jane Campion e Gerard Lee. Acompanhamos Robin Griffin (Elisabeth Moss), uma detetive cheia de frustrações e problemas do passado, que encontra no trabalho a única forma de sobrevivência. A primeira temporada gira em torno do caso do desaparecimento de uma garota de 12 anos, vítima de um esquema de exploração sexual.

Após quatro anos, a série ganhou uma segunda temporada. Nessa nova etapa, Robin retorna à sua cidade natal e, agora, encara mais um caso: o assassinato de uma menina encontrada dentro de uma mala no mar. Logo ela descobre que a vítima é uma prostituta tailandesa, com o nome de guerra Cinnamon. A importante diferença deste trabalho é que a detetive é uma mulher, e ainda tem de lidar com um departamento de polícia composto por homens machistas. A única outra personagem feminina na delegacia é a parceira de Griffin, Miranda (Gwendline Christie), uma profissional um tanto alienada que é a amante grávida de um homem casado.

Crédito: BBC Worldwide

A narrativa do primeiro episódio é muito boa, fazendo o espectador se interessar para saber mais detalhes da trama. A produção de Jane Campion traz histórias que merecem ser contadas. Roteirista e diretora de três dos novos episódios, Campion não tem medo de exibir sua visão do mundo: a vida é injusta, a humanidade é imperfeita e finais felizes podem seguir caminhos completamente equivocados. Uma das grandes sacadas da série é a abordagem desses assuntos delicados que incomodam o espectador e o fazem refletir. 

É fundamental mencionar as atuações do elenco principal. Elisabeth Moss (Mad Men), recente vencedora do Emmy, dispensa comentários e Nicole Kidman (Big Little Lies) está sensacional, como sempre, no papel de mãe histérica. David Dencik (Boneco de Neve), que não é muito reconhecido fora do Reino Unido e da Austrália, é outro que consegue levar o clichê do personagem intelectual e psicopata, a um nível de emoção convincente.

Top of the Lake: China Girl está mais interessada em uma exploração sobre a feminilidade e o panorama emocional de mulheres forçadas a lidar com violência tipicamente masculina, do que com a solução do caso em si. Embora haja uma explicação para o crime, não existe uma solução, mesmo que o bandido se dê mal no final. Sua genialidade vem de explorar esse esforço diário que é ser uma mulher num mundo masculino. É necessário e merece ser visto.

Crédito: BBC Worldwide

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