5 Bons Filmes Italianos Recentes


O cinema italiano viveu seus tempos de glória nos anos 40 e 60, ao apresentar filmes que exploravam a realidade política e econômica mediante projeções com formato similar ao documentário, além de produções populares feitas por ícones como Marco Bellocchio (De Punhos Cerrados), Federico Fellini (8½), Michelangelo Antonioni (Blow-Up: Depois Daquele Beijo)  e Luchino Visconti (Obsessão), respectivamente. A década de 80, por outro lado, foi dura para o país, com produções que não obtiveram grande destaque, ainda que, em 1988, eles tenham lançado Cinema Paradiso.

Nos últimos 20 anos, a indústria cinematográfica italiana voltou a todo vapor, tendo conquistado prêmios em grandes festivais, como o de Cannes e Veneza, além de ser agraciada com a maior premiação da sétima arte, o Oscar. 

Trago aqui no Cinéfilo em Série uma lista com 5 filmes de enorme apelo que farão você se apaixonar pelo país da Velha Bota e por seus filmes com temáticas emotivas, reflexivas e cômicas.


A Grande Beleza (La Grande Bellezza, 2013)

Direção: Paolo Sorrentino

O escritor Jap Gambardella (Toni Servillo), durante o verão, reflete sobre sua vida. Ele já está com 65 anos e desde o sucesso do livro "O Aparelho Humano", não conseguiu concluir nenhuma outra obra. O cotidiano de Jap passou a ser entre festas da alta sociedade, luxos e privilégios proporcionados pela fama. Mas quando passa a lembrar de um amor inocente que teve durante a juventude, Jap se esforça para mudar de vida radicalmente e voltar a escrever.

Destaque para as citações feitas a Dostoiévski, Breton e Flaubert e a constante análise sobre o ser e o não ser, que permeia a trama do início ao fim. Um filme épico e que permite ao espectador fazer uma viagem profunda pelas paisagens de Roma e pelos ideais do protagonista.


Malena (Malèna, 2000)

Direção: Giuseppe Tornatore

O ano é 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, na cidade de Castelcuto, na costa da Sicília. O garoto Renato (Giuseppe Sulfaro), de 13 anos, tem sua vida transformada, passando a desenvolver uma paixão platônica e uma grande fantasia com a chegada da bela Malèna (Monica Bellucci), uma mulher de uma beleza avassaladora. Além de despertar a cobiça e os olhares dos homens na pacata cidade, Malèna faz Renato ir a lugares onde jamais esteve, fazendo com que o jovem tenha grandes lições de vida.

Essa produção se destaca pelo ótimo plano visual, além da abordagem de uma maneira sensível da paixão adolescente por uma mulher mais velha, além de questões como inveja, preconceito e moral em uma Itália fascista.


Um Sonho de Amor (Io sono l'amore, 2009)

Direção: Luca Guadagnino

Nessa produção, indicada ao Oscar de melhor figurino em 2011, Tilda Swinton (Okja), interpreta Emma, uma mulher russa que se apaixona pelo viajante italiano Tancredi (Pippo Delbono), seguindo-o para casar-se na Itália e ampliar a tradicional família Recchi. Em um grande casarão, Emma tem o seu lugar garantido, mas sexualmente pouco interessa ao marido e ao longo do tempo se esquece até de seu nome de origem.

Uma trama que além de tratar de um drama familiar, aborda a globalização, o capitalismo, além da libertação feminina, ilustrando que as mulheres estão cada vez menos dependentes dos homens e estão mais fortes e com personalidade firme. Destaco também as belas tomadas feitas nos cômodos da casa, nas ruas de Milão e a Igreja Ortodoxa de San Remo, maravilhosas!


A Vida é Bela (La vita è bella, 1997)

Direção: Roberto Benigni

A história se passa no ano de 1939, um pouco antes da Segunda Guerra explodir e iniciar perseguições a judeus por exércitos comandados por Hitler. O judeu Guido (Roberto Benigni), é levado para um campo de concentração nazista e fica longe de sua esposa. Para proteger seu filho, Guido usa de sua imaginação e seu jeito bem humorado, fazendo todo o terror e violência se tornarem uma grande brincadeira aos olhos do garoto.

O longa faturou 3 estatuetas no Oscar em 1998, de melhor filme estrangeiro, melhor ator (Benigni) e melhor trilha sonora. Uma obra de belíssima fotografia e atuações de destaque, sem dúvida mereceu os prêmios citados.


Belos Sonhos (Fai Bei Sogni, 2016)

Direção: Marco Bellocchio

O grande cineasta Marco Bellocchio (A Bela Que Dorme), um dos maiores nomes do cinema italiano desde os anos 60 e mencionado no começo do texto, não poderia faltar nessa lista. Seu último filme, Belos Sonhos, aborda o luto sob o olhar de uma criança, com a mistura de conceitos do campo da psicologia e uma atmosfera poética. A narrativa acompanha a vida de Massimo a partir de seu trauma, a morte precoce da mãe, quando ele tinha 9 anos.

Nicolò Cabras, Dario Dal Pero e Valerio Mastandrea são os atores que se revezam no papel do protagonista em diferentes etapas da vida. Durante a infância, cenas mostram a relação próxima do garoto com sua genitora. Após a perda, ele apela para fantasias e personagens da televisão para lidar com o luto e a ausência do pai. Situações do passado e do presente se misturam, relacionando fatos do passado e atitudes do presente. Uma verdadeira obra-prima, que nos mostra ser possível sonhar com um futuro que possa compensar momentos dolorosos vividos.

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