CRÍTICA | Apenas um Garoto em Nova York

Direção: Marc Webb
Roteiro: Allan Loeb
Elenco: Callum Turner, Jeff Bridges, Kate Beckinsale, Pierce Brosnan, Kiersey Clemons, Cynthia Nixon, Tate Donavan, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2017


Sabe aquele tipo de comédia dramática que inicialmente não promete muita coisa, mas na medida em que se desenvolve nos surpreende e proporciona um desfecho impressionante? Com a direção de Marc Webb ((500) Dias com Ela), Apenas um Garoto em Nova York é esse tipo de filme, trazendo como maior atrativo as estrelas de seu elenco.

Thomas Webb (Callum Turner) é um jovem recém-formado, mas sem grandes expectativas e que acaba de passar por uma desilusão amorosa com Mimi Paston (Kiersey Clemmons). Apesar da decepção, ambos continuam amigos e em uma das festas que costumam frequentar acabam descobrindo que o pai do rapaz (Pierce Brosnan) está tendo um caso extraconjugal com a bela e sedutora freelancer Johanna (Kate Beckinsale). Disposto a acabar com o relacionamento, Thomas tenta se aproximar da amante, mas antes que tome atitudes extremistas, aceita os conselhos de um estranho e excêntrico vizinho, W.F. Gerald (Jeff Bridges). O protagonista então se envolve em uma cadeia de eventos que mudará tudo o que ele acha que sabe sobre si e sobre sua família, após se envolver amorosamente com Johanna.

O roteiro, que apresenta uma história inicialmente apática e com ritmo apressado, consegue encontrar seu equilíbrio desvendando alguns segredos trama, como os passos deixados por Johanna e os locais nos quais ela se encontra com o pai de Thomas, ou mesmo a identidade do misterioso W.F. Gerald, qual profissão possui e todo o seu passado, além de particularidades do protagonista que não se conhecia. Um perfeito jogo de xadrez, cujas peças, ao serem movimentadas, oferecem novas possibilidades e a chance de novas surpresas.

Foto: H2O Films

Callum Turner (Rainha & País) nos oferece um personagem inicialmente amargurado, com sede de vingança e disposto a proteger a mãe, Judith (Cyntia Nixon), mas que aos poucos se perde na trama após seu envolvimento com a amante do pai. Turner, em dados momentos, deixa o espectador confuso, pois a cada encontro com Johanna, não sabemos mais se ele planeja algo contra o pai ou se ele está curtindo cada vez mais a presença da amante. É um personagem ambíguo, de difícil leitura e pouca empatia. 

E por falar em empatia, Kiersey Clemons (Dope: Um Deslize Perigoso) também não consegue justificar a presença de Mimi na trama, pois, de tão passiva, acaba desaparecendo no ato final da história. Kate Beckinsale (Anjos da Noite: Guerras de Sangue) e Pierce Brosnan (Horas de Desespero), por outro lado, são gratas surpresas. Os dois conseguem sustentar uma história para lá de irregular, mas que encontra um desfecho surpreendente e impressionante. E claro, não podemos esquecer de Jeff Bridges (A Qualquer Custo), modesto e aparentemente figurativo a princípio, acaba crescendo e ganhando importância vital para a solução do conflito instaurado. Já Cyntia Nixon (Sex and the City), sempre arrasadora em cena, interpreta uma mãe mergulhada em crise, melancólica e que consegue se transformar, em uma reviravolta digna de aplausos.

Apenas um Garoto em Nova York oferece um enredo com altos e baixos, porém, apesar dos problemas de roteiro, tem boas doses de drama e diversão. Um filme com boas surpresas, um bom elenco, e que não oferece o óbvio ao espectador. Apenas não vá com tanta sede ao pote.

Bom

Foto: H2O Films

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