CRÍTICA | Lady Bird: A Hora de Voar

Direção: Greta Gerwig
Roteiro: Greta Gerwig
Elenco: Saoirse Ronan, Laurie Metcalf, Tracy Letts, Lucas Hedges, Timothée Chalamet, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2017


Uma jornada de amadurecimento. É sobre isso que se trata Lady Bird: A Hora de Voar, mas não espere grande inovação. Não há nada de extraordinário aqui, apenas a vida como ela é. E esse é um dos pontos fortes da obra, mais precisamente como essa jornada de transição é mostrada de forma simples, mas ao mesmo tempo impactante para quem assiste. A forma como a história é contada é que ganha destaque aqui.

A trama gira em torno de Christine (Saoirse Ronan), uma menina de 17 anos que, por drama adolescente ou forma de estabelecer uma identidade, resolve se auto nomear como Lady Bird. A vida da menina aspira a ser como um conto de fadas, com muito cor de rosa e o sonho do baile de formatura perfeito, só que a realidade é muito diferente disso. Ela constantemente cria expectativas sobre a universidade que pretende cursar, a casa perfeita que gostaria de morar e os meninos por quem se apaixona. 

Em sua vida pessoal, ela tem que lidar com problemas financeiros da família, um relacionamento conturbado com a mãe, a rigidez de um colégio católico, o primeiro amor e, principalmente, com ela mesma. É o clássico filme “coming-of-age”, que mostra o processo da saída da adolescência e a entrada na vida adulta, assim como foi Boyhood: Da Infância à Juventude ou As Vantagens de Ser Invisível.

Foto: Universal Pictures

Como um pássaro, Lady Bird deseja alçar voo, entretanto, para isso necessita encarar o último ano do ensino médio e convencer sua mãe a aceitar sua escolha de universidade. Saiorse Ronan (Brooklyn) e Laurie Metcalf (The Big Bang Theory) dão vida a uma relação de mãe e filha tão realista que trazem os pontos mais altos e identificáveis do longa. Enquanto a filha é elétrica, impetuosa e rebelde, a mãe é super centrada, trabalhadora e dura, mas que manifesta seu carinho nos momentos em que demonstra não querer que a filha se afaste da família. Há situações de intensa cumplicidade, onde a diretora Greta Gerwig (Frances Ha) explora essa estranha lógica entre mãe e filha.

A cidade de Sacramento também é bem explorada, inclusive com muito sentido narrativo. O local limita Lady Bird, como uma gaiola, que então estabelece uma série de negações, seguido da tentativa de voar dali. O roteiro é extraordinário, inventivo e inteligente, ao partir da ideia de que “menos é mais”. O filme encontra espaço para mostrar o quão importante é o círculo de amizades de um adolescente, representado muito bem pela personagem Julie (Beanie Feldstein). 

E, nesse ponto, vale citar que todos os coadjuvantes são encantadores e, em algum momento, têm participação essencial na trajetória de Lady Bird. Um dos seus interesses amorosos, Kyle (Timothée Chalamet), por exemplo, acaba por representar a popularidade que a protagonista gostaria de ter no colégio. Esse tipo de detalhe permite que qualquer pessoa que já tenha passado pela adolescência acabe se identificando com a protagonista. O jeito como ela ama e odeia intensamente, sonha, chora, e vive, humaniza a personagem, mostrando que ela realmente não está em um conto de fadas.

Foto: Universal Pictures

No fim, o que Greta Gerwig faz é tão difícil quanto bolar algo inédito. Ela transforma algo "clichê" e repetitivo, em uma premissa interessante e sincera. Fala-se sobre a ansiedade adolescente através de uma visão feminina. Fala sobre a busca por sair de casa e conhecer o mundo. Lady Bird é uma exposição sincera sobre o processo de amadurecimento de todos nós, bem como todos os erros e acertos que cometemos pelo caminho.

Bom

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