CRÍTICA | Covil de Ladrões


Direção: Christian Gudegast
Roteiro: Christian Gudegast
Elenco: Gerard Butler, Pablo Schreiber, O'Shea Jackson Jr., 50 Cent, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018


Construir um filme com uma narrativa criminal é uma tarefa complexa, exige não só o desenvolvimento eficiente do arco dramático, como também a apresentação de personagens com motivações fortes e sinceras, além de um roteiro que permita a narrativa evoluir para que os intérpretes se sobressaiam. Alguns desses aspectos são bem sucedidos em Covil de Ladrões (Den of Thieves), novo longa de Christian Gudegast (Invasão a Londres), ainda que outros deixem muito a desejar.

A trama se passa em Los Angeles, apontada como a capital mundial dos roubos a banco, local que será palco de investigação de mais um crime, sob o comando do chefe da divisão de delitos graves, Big Nick O’Brien (Gerard Butler). O assalto foi organizado pelo grupo comandado por Ray Merrimen (Pablo Schreiber), criminoso em liberdade condicional há oito meses, e outros bandidos, como Enson Levoux (50 Cent) e Donnie (O’Shea Jackson Jr.), especialista em grandes fugas. O’Brien não perde tempo e começa a agir para não perder a quadrilha de vista.

O roteiro inicialmente desenvolve o perfil do protagonista como uma figura obstinada e disposta a cumprir com seu objetivo, apesar dos problemas familiares que passou, como o fim de seu casamento e o afastamento das filhas menores. Trata-se de um personagem que não tem nada a perder. Do outro lado somos apresentados a um bandido de personalidade dúbia, Donnie, que trabalha em prol de seu grupo e ao mesmo tempo deixa pistas para a polícia. O restante do elenco, no entanto, sofre com a falta de desenvolvimento, servindo apenas como figuras decorativas que são apresentadas sob uma perspectiva de narrador, com letreiros e referências.

Foto: Diamond Films

O desenvolvimento da narrativa é satisfatória, apresentando planos e estratégias por parte dos bandidos para roubar o principal banco de Los Angeles, e da polícia para seguir em seu encalço e prender os criminosos. A cidade de Los Angeles, aliás, como costuma acontecer, serve como uma espécie de personagem no filme, sempre fotografada em planos abertos que a valorizam.

A edição acelerada no início mostra-se uma decisão acertada em decorrência do imediatismo dos acontecimentos e da ação frenética, no entanto, as cenas dos bastidores dos crimes e a formulação das estratégias soam longas demais, prejudicando o ritmo da obra como um todo, em se tratando de um filme de ação policial. Falta dinamismo a obra.

No fim, Covil de Ladrões apresenta uma narrativa linear, sem grandes novidades para o espectador e recheada de clichês do gênero. A tentativa de um plot twist no ato final é decepcionante e confirma a fragilidade de um roteiro que tinha potencial para algo mais, mas que soa apenas satisfatório. Um longa-metragem que entretêm moderadamente quem o assiste, e nada mais.

Bom

Foto: Diamond Films

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