5 Motivos Para Você Assistir | Girls


Todo mundo sempre tem aquele filme ou série que sabe que deveria assistir, mas acaba prorrogando por nunca achar a hora certa para começar. Com Girls, série da HBO que teve seis temporadas entre 2012 e 2017, eu sempre tive essa sensação de ainda não ser o momento ideal e nunca soube o porquê. O tempo foi passando e comecei a ver o seriado um ano após seu fim, com a mesma idade das personagens na primeira temporada, e posso afirmar: confiem em seus instintos.

Um mês após essa maratona de seis temporadas, as quais mais me lembraram uma montanha-russa, por conta da imprevisibilidade do roteiro, o seriado definitivamente ganhou meu coração, mesmo com seus altos e baixos. Vale mencionar que a série foi criada por Lena Dunham (Um Novo Começo), que também é diretora, produtora, roteirista e interpreta a protagonista Hannah Horvath, e conta com a máxima colaboração de Judd Apatow (Love) e Jenni Konner na produção.

Abaixo, listo 5 motivos pelos quais você também precisa começar a assistir Girls!


1. Proposta

Quando pensamos em séries com protagonistas femininas, de imediato temos algumas lembranças como Sex and the City ou Desperate Housewives. Claramente, Girls se inspira e até cita esses seriados em seus diálogos, no entanto, já nos primeiros episódios, o roteiro desconstrói qualquer impressão glamourosa que envolva mulheres "independentes" na casa dos 20 anos morando em Nova York. A proposta da série se utiliza do que já conhecemos sobre a megalópole e o estilo de vida norte-americano, nos trazendo um olhar cômico nada convencional sobre a vida dessas garotas que estão se adaptando às responsabilidades da vida adulta.

A produção também retrata os relacionamentos conturbados que todos possuem, envolvendo família, amizade e amor, com o adendo das desilusões que acompanham essa etapa da vida, bem como a escassez de dinheiro para se manter na maior capital do mundo. 

Foto: HBO


2. Elenco

O legal de começar a assistir Girls é que, dificilmente, você já terá visto o quarteto principal em alguma outra produção. Vejo isso como um ponto a favor da série, já que a impressão que fica é de que as atrizes são exatamente aquilo que mostram no programa. Lena Dunham, Allison Williams (Corra!), Jemima Kirke (A Comédia dos Pecados) e Zosia Mamet (Mad Men) possuem uma química incrível. Chega um momento em que você até consegue imaginar qual seria a atitude de cada personagem por conta do quanto elas são reais e possuem uma complexidade próxima a nossa.

O elenco masculino também não deixa a desejar. Andrew Rannells (Um Senhor Estagiário), Alex Karpovsky (Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum) e Adam Driver (Star Wars: Os Últimos Jedi) também são essenciais para que a série e a integração entre personagens totalmente distintos flua tão bem. 


3. Lena Dunham

Não há dúvidas de que a "cabeca" da série, Lena Dunham, é uma pessoa polêmica. É só dar um Google no nome da mulher para saber do que estou falando. Porém, é inegável o talento que Lena possui para desenvolver seu grupo de personagens. Além disso, diversos elementos de sua vida são utilizados na história, como o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) que desenvolveu desde a adolescência, a ansiedade dos personagens e alguns complexos envolvendo peso e padrões de beleza.

Ciente da amplitude que esses problemas têm em nossa sociedade, ela os explora, expondo o íntimo feminino de forma honesta como poucas (e, principalmente, POUCOS) já fizeram.

Foto: HBO


4. Personagens e a forma como se relacionam

Boa parte dos personagens de Girls está passando por aquela fase adulta cheia de expectativas, entre o fim da faculdade e o salto para a independência, junto com todas as indecisões sobre o que fazer da vida. É a partir desse ponto que acompanhamos o quarteto principal, composto por quatro mulheres completamente diferentes em atitudes e personalidade. Chega um ponto da série em que você começa até mesmo a se irritar com cada uma em momentos diferentes, pois são egoístas, narcisistas, irresponsáveis e mimadas. Só que, no momento em que essa raiva passar, logo virá sua empatia para que elas superem seus respectivos problemas. 

E é dessa forma que funcionam as amizades e relações na produção. Elas não são bonitas e nem exemplares, muito pelo contrário, têm defeitos e, em uma melhor análise, veremos que não se distanciam muito da nossa realidade. Somos inseguros, chatos e individualistas, mas também precisamos do apoio daqueles que amamos no momento certo. A série "valoriza" as imperfeições de seus personagens, e não há mal nenhum nisso, pois, assim como eles, também estamos em nossa própria jornada de amadurecimento.


5. Quebra de estereótipos

A liberdade com cenas de nudez, sexo e violência são marcas já conhecidas da HBO. Dunham teve carta branca para tratar esses temas como quisesse e soube tocar na ferida de uma sociedade que ainda vive sob determinadas expectativas e padrões que não correspondem com o que, geralmente, é mostrado na mídia. Em Girls, a criadora literalmente se despiu e abriu um precedente importantíssimo para desconstruir o padrão de beleza presente no cinema e na TV. Há corpos variados e expostos para o público, da gordinha à muito magra, valorizando todo tipo de beleza.

Outro ponto que se destaca é a desconstrução do sexo. Há fetiches, sexo bom, sexo ruim e o sexo que nem deveria ter acontecido, tudo retratado de forma crua e sem o romantismo hollywoodiano. As mulheres também não estão o tempo todo maquiadas, reclamam da menstruação, enchem a cara, têm paranoias como todo mundo, falam um monte de besteira e, nem por isso, deixam de ser lindas e femininas.

Os homens também tem espaço nesse sentido, e Dunham desenvolve as inseguranças, problemas emocionais e vícios masculinos paralelamente, dando sustância para esses personagens não ficarem totalmente à deriva, apesar do foco central ser o universo feminino livre (em sua maior parte) de estereótipos e romantizações.

Foto: HBO

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