CRÍTICA | Cargo

Direção: Ben Howling e Yolanda Ramke
Roteiro: Yolanda Ramke
Elenco: Martin Freeman, Anthony Hayes, Susie Porter, entre outros
Origem: Austrália
Ano: 2017


Apesar do gênero de filmes de zumbi estar saturado no momento, muito em função do sucesso de The Walking Dead na TV, há sempre espaço para boas histórias serem contadas. É esse é o caso de Cargo, longa baseado originalmente em um curta-metragem homônimo produzido em 2013 na Austrália. Ambas as produções foram dirigidas pelos estreantes Ben Howling e Yolanda Ramke, que já possuem novos projetos pela frente.

Aqui acompanhamos a jornada de Andy (Martin Freeman) e sua adorável filha Rosie. Infectado pelo vírus que transforma as pessoas em zumbis, o protagonista tem 48 horas para encontrar um lugar seguro para sua bebê, antes que ele mesmo se torne uma ameaça para ela, um cenário absolutamente desolador.

Quando aposta no lado humano, Cargo brilha, nos fazendo comprar, sem questionar, cada uma das premissas apresentadas pelo roteiro de Yolanda Ramke. Evidentemente, Martin Freeman (Pantera Negra) tem grande mérito aqui, pois consegue expressar toda a carga emocional necessária pra carregar o filme nas costas (sem trocadilho) praticamente sozinho.

Foto: Matt Nettheim / Netflix

A solidão nesse futuro desértico e pós-apocalíptico se torna ainda maior devido às escolhas de enquadramentos propostas pelos cineastas, além da excelente direção de fotografia. O longa é repleto de tomadas aéreas, decidindo por utilizar locações com grande profundidade de campo, para potencializar a pequenez de Andy perante o cenário desanimador.

O que nos trás novamente ao coração da história. O foco de Cargo nunca está no vírus ou em como se deu toda a infecção no planeta (esta não é nem apresentada, é bom dizer). Tal qual The Last of Us fez no mundo dos videogames em 2013, o filme aposta na caminhada do homem, física e espiritualmente. Nisso, acerta em cheio. Porém, quando se distancia dessa proposta, a obra se perde. A doença e a consequente perda da humanidade deveriam ser os verdadeiros antagonistas, no entanto, o roteiro opta por dar rosto a um vilão, enfraquecendo toda a construção realizada até ali.

Vale citar também o interessante uso da trilha sonora, que segue o mesmo trajeto tortuoso de ideias. Ela soa quase imperceptível, sem personalidade, como uma deixa para um susto ou momento de tensão. Quando precisa-se de uma carga dramática maior, deixa um pouco a desejar por parecer não estar alinhada com o que se passa em tela.

Foto: Matt Nettheim / Netflix

O sentimento que fica ao final de Cargo é igual ao das pessoas infectadas pelo vírus zumbi, perdendo vida a medida que o tempo passa. Vale, portanto, a jornada vivida, especialmente por Martin Freeman e o drama vivido por seu personagem.

Bom



Eduardo é jornalista, fã dos quadrinhos de Walking Dead, mas abandonou a última chata temporada

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