CRÍTICA | Deadpool 2


Direção: David Leitch
Roteiro: Rhett Reese, Paul Wernick e Ryan Reynolds
Elenco: Ryan Reynolds, Josh Brolin, Zazie Beetz, Morena Baccarin, T.J. Miller, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018

Atenção! Essa crítica contém spoilers.

É inquestionável que Deadpool fez renascer a carreira de Ryan Reynolds (Vida), tendo em vista que o ator vivia um semi-ostracismo após os fracassos de X-Men Origens: Wolverine (2009) e, posteriormente, Lanterna Verde (2011). Foi em 2016 então que o popular personagem da Marvel nos quadrinhos fez tudo mudar, com suas características peculiares, quebrando protocolos do politicamente correto e da quarta parede, tudo com muito humor metalinguístico. A questão é se a sequência faria jus a obra original.

Wade Wilson (Reynolds) é novamente apresentado como um sujeito tresloucado e disposto a encontrar uma nova motivação para sua vida, passando a enfrentar criminosos em todas as partes do mundo. Paralelamente a isso ele convive com sua amada Vanessa (Morena Baccarin), a qual presenteia com uma ficha de fliperama em seu aniversário de namorado e planeja ter filhos. Nesse momento o apartamento é invadido e Vanessa é atingida por uma bala, vindo a falecer.

Transtornado e buscando novo rumo, Deadpool ingressa aos X-Men, que saem em uma missão para salvar Rusty (Julian Dennison), um jovem mutante com poderes de fogo que estava sendo mal tratado pelos enfermeiros do reformatório em que vivia. Irritado com os abusos que o garoto sofria, Wade mata os enfermeiros e ambos acabam em uma prisão para mutantes. Lá a história muda bruscamente quando surge Cable (Josh Brolin), um mutante viajante do tempo, disposto a liquidar Rusty por ter matado sua família. Está montada em si a gigante confusão que é a premissa do filme.

Foto: Fox Film do Brasil

Para salvar o garoto, Wade decide formar seu próprio time, o X-Force, formado por uma porção de mutantes hilários e um homem comum. O destaque maior vai para Domino (Zazie Beetz), uma mulher de carisma, humor ácido e dotada de um dom peculiar: ela tem muita sorte. Por sinal, ela é a única sobrevivente da equipe que sobrevive após saltarem de um avião, visto que todos os outros morrem bisonhamente no momento do pouso.

Esse misto de premissas soa interessante a principio, com muita diversão e cenas de ação frenéticas, porém, o excesso de personagens e a falta de desenvolvimento dos mesmos (principalmente Cable), escancaram a fragilidade do roteiro. Domino, por exemplo, possui características marcantes, mas que são utilizadas apenas em momentos pontuais. Cable, por sua vez, surge apenas para fazer oposição a Deadpool, e nada mais. 

Em Deadpool 2 não existem conflitos que sejam vitais ou façam a narrativa evoluir. O foco é exclusivamente no protagonista. Basta ele estar ali, com todas as suas tiradas para divertir o público. Infelizmente muitas dessas piadas são repetidas e em, dados momentos, cansam a audiência. Anedotas sobre racismo, representatividade, membros decepados, ou mesmo todas as vezes em que o mercenário tagarela zoa o casal lésbico de X-Men, são forçadas e exageradas. Falta a espontaneidade que a obra original tinha, para que tudo não pareça muleta narrativa.

Se a obra erra no desenvolvimento do roteiro, o mesmo não se pode dizer das duas cenas pós-créditos, que se mostram como desfechos sensacionais para um filme que prometia ser superior ao seu antecessor, mas que fica apenas na média.

Foto: Fox Film do Brasil

Na primeira cena pós-crédito, Deadpool pede para Míssil Adolescente Megassônico consertar o aparelho de viagem do tempo de Cable. O que dá a deixa para a cena seguinte, quando ele volta no tempo e salva Vanessa da morte. Ele faz o mesmo com o único membro não mutante dos X-Force, em outro momento divertidíssimo. A cereja do bolo vem a seguir, quando Wade regressa à X-Men Origens: Wolverine e mata sua versão "Baraka" do filme, explicando que está "consertando a linha do tempo", diante de um Wolverine atônito. Em uma última viagem temporal, o mercenário tagarela encontra o próprio Ryan Reynolds diante do roteiro de Lanterna Verde, e o mata sem piedade, evitando que o ator entre nessa roubada.

No fim das contas, Deadpool 2 cumpre bem sua proposta de fazer o público gargalhar e se divertir com as cenas de ação, ainda que falte história para que o filme seja lembrado entre os melhores exemplares do gênero. Que a franquia ainda tenha fôlego para um terceiro filme, se possível mais bem trabalhado.

Bom

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