CRÍTICA | Um Dia Para Viver


Direção: Brian Smrz
Roteiro: Ron Mita, Jim McClain e Zach Dean
Elenco: Ethan Hawke, Qing Xu, Rutger Hauer, Liam Cunningham, entre outros
Origem: África do Sul / China / EUA
Ano: 2017


Não é novidade para ninguém quando atores hollywoodianos trabalham em produções independentes, especialmente aqueles que já atingiram certa idade, embarcando em filmes de ação com muitos tiros e perseguições. A típica história do assassino de aluguel aposentado e traumatizado, que retorna para um último trabalho.  Já vimos vimos isso acontecer com Liam Neeson, Nicolas Cage, Kevin Costner, e por aí vai.  É a vez de Ethan Hawke (Antes da Meia-Noite) encarar o arquétipo desse personagem em trama similar a tudo que já assistimos antes.

Em Um Dia Para Viver (24 Hours to Live), longa dirigido por Brian Smrz (Herói), nos deparamos com o drama de Travis Conrad (Hawke), que está novamente a serviço da organização Red Mountain, empresa perita em crimes de altíssimo nível, cujos chefes exigem a morte de uma testemunha que pretende depor contra o grupo na África do Sul, e está sob a proteção da agente da Interpol Lin Bisset (Qing Xu). Em sua jornada, Travis acaba morrendo antes mesmo de encontrar seu alvo, mas é ressuscitado pela Red Mountain por um prazo de 24 horas, com o intuito de passar tudo que sabe aos seus subordinados.

O protagonista aqui passa por uma jornada pessoal bastante extenuante, com muito sangue, intrigas, tortura e um embate contra um grande vilão. Nesse ponto, o roteiro foca unicamente na figura de Travis, sem se preocupar em trabalhar os arcos narrativos de personagens secundários, deixando alguns deles completamente sem função. Tal decisão acaba prejudicando o resultado final da obra, certamente.

Foto: PlayArte Pictures

O protagonista então assume uma postura de anti-herói, com um chip implantado sob sua pele e um cronômetro marcando a quantidade de tempo que ainda tem para eliminar a testemunha. O problema aqui é a indiferença que o personagem demonstra com relação a própria vida, o que contribui para que a contagem regressiva não se torne um grande conflito na trama. E nem vou detalhar aqui os procedimentos utilizados para sua ressurreição, que executados às pressas na narrativa, não encontra tempo para que o espectador assimile e compre a ideia.

A fotografia apresenta a estilização já conhecida na maioria dos filmes de ação, com planos aéreos cheios de adrenalina, mulheres exuberantes e homens imponentes, munidos de facas e armas de fogo. Tais elementos funcionam bem, mas o roteiro novamente expõe os pontos fracos da obra, carecendo de reviravoltas ou surpresas que motivem o espectador a acompanhar aquela história.

Apesar do carisma de seu protagonista, Um Dia Para Viver não consegue entregar ao público aquilo que poderia, com uma trama rasa, arrastada e sem grandes novidades. Faltou criatividade e ousadia para um filme que, por mais que possua um gênero batido, poderia entregar mais com os elementos que possui. No fim, acaba devendo.

Regular

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