GLOW | 2ª Temporada


Em junho de 2017 a Netflix trouxe ao seu catalogo uma série original que ninguém esperava. GLOW nos transportou para os ringues de luta livre lá do fim dos anos 80, a única diferença é que a história não era sobre lutadores e sim sobre as lutadoras do programa de TV chamado Gorgeous Ladies of Wrestling, que foi abreviado para G.L.O.W.

A primeira temporada foi bem recebida pelo público, tanto que a produção foi rapidamente renovada para um segundo ano. Algo bem bacana se levarmos em conta que o elenco é quase todo feminino, salvo pelos personagens Sam (Marc Maron), a figura de autoridade no set da produção do programa, e Bash (Chris Lowell), o cara que cuida do dinheiro e dos roteiros do programa.

Essa segunda temporada se aprofundou no grupo como um todo, mas também deu espaço para que suas histórias individuais fossem exploradas dentro do contexto de seus papeis na luta livre. Todas as picuinhas e mágoas foram abordadas aqui, e a série soube dosar bem cada faceta das personagens. Ainda mais se levarmos em conta que a trama se passa no fim dos anos 80, onde ainda existia muito tabu em relação às mulheres em posição de poder, além da inflexibilidade em relação a como elas deviam se apresentar e se portar na televisão. Isso sem contar o óbvio tom de racismo na caracterização de algumas personagens.

Foto: Erica Parise / Netflix

Não são apenas as protagonistas que ganham os holofotes. Aqui todas têm seus problemas problemas para lidar, cada um com sua escala de importância. Seja a luta para alterar caracterizações racistas de suas personagens, batizadas de acordo com suas etnia (nomes como Machu Picchu, Mad Bomber, Fortune Cookie, Welfare Queen, Junkchain e por aí vai), ou mesmo na dificuldade de provar o valor do programa para a emissora que exibe o show. Até encontrar investidores e patrocinadores que levem tudo a sério soa quase impossível.

A premissa de GLOW é justamente o dilema da criação desse programa de TV, onde mulheres lutam entre si para que reste uma vencedora. A série iniciou assim, quando acompanhamos a criação do conceito do show e conhecemos as duas personagens principais: Ruth (Alison Brie) e Debbie (Betty Gilpin). Elas se tornaram rivais nos ringues - já que Ruth faz a personagem da russa chamada Zoya e Debbie a norte-americana Liberty Bell - e também fora dele, já que existe uma história complicada de traições e competitividade entre as duas, tornando tudo mais denso nessa nova temporada.

A discussão sobre tais temas é explorada nesse segundo ano e podemos ver claramente como sempre foi difícil transpor as barreiras criadas no meio profissional para as mulheres em qualquer patamar. GLOW acerta em cheio na crítica social, e o faz com toda a classe e bom humor do mundo, já que a série é uma comédia que reserva pontualmente seus momentos de drama para reforçar sua mensagem feminista.

Foto: Bett Dubber / Netflix

Se isso não bastasse, existe ainda um cuidado muito especial com a direção de arte da produção. A caracterização não erra e faz bonito com suas cores vibrantes, estampas variadas e acessórios volumosos. Isso atrelado a ótima trilha sonora é um prato cheio para um mergulho de cabeça nos anos 80, um charme indiscutível dessa ótima comédia.

Por fim, a temporada encerra com um ótimo gancho, abrindo um leque de oportunidades para o que vem pela frente para essas personagens. Especular o futuro é possível, mas assim como recebemos GLOW de surpresa, prefiro ser surpreendida com o que pode vir adiante.

Excelente



Confira abaixo o vídeo que gravei sobre a 2ª temporada de GLOW:


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