5 Motivos Para Você Assistir | Twin Peaks


Sempre que alguém me diz que quer começar um seriado diferente, o primeiro que vem à minha mente, sem hesitar, é Twin Peaks. Porém, é preciso saber que a produção foge do convencional e que não é recomendável para alguém que só quer passar o tempo assistindo alguma coisa. Digo isso porque a criação de David Lynch (Veludo Azul) e Mark Frost (Storyville, Um Jogo Perigoso) é um desses seriados cheios de peculiaridades e que foi feito para dividir opiniões MESMO, além de exigir muita atenção e vontade de degustação por parte do espectador.

Ou você acha tudo non-sense demais, ou se encantará de primeira pelos mesmos motivos que outras pessoas simplesmente odiarão a série.

Pensando em trazer mais pessoas para essa experiência incrível e que vai muito além da icônica pergunta "Quem matou Laura Palmer?", elaborei esses 5 motivos bem resumidos (e sem spoilers, infelizmente) para você se tornar mais um fã obcecado por esse mundo que ultrapassa qualquer geração e já é um clássico absoluto do audiovisual.


  O Universo Twin Peaks  

Dar início ao seriado que revolucionou a televisão e a publicidade norte-americana nos anos 90 não é uma tarefa simples. No entanto, garanto ser extremamente recompensadora. Ao apertar o play no episódio piloto, prepare-se para entrar no universo nada convencional de Twin Peaks – um mundo à parte, criado por Lynch e Frost.

Se de início a série causa estranhamento, torna-se inevitável que, ao longo dos episódios, o espectador já esteja familiarizado com toda a excentricidade que permeia a produção e comece a cantarolar a trilha sonora por conta própria, ou que saiba exatamente o tipo de atitude e comentários absurdos que cada personagem possa fazer. É aquele momento definitivo em que você compra todas as bizarrices sem questionar se aquilo tem alguma lógica, e até esquece que houve o assassinato brutal da rainha do baile para também se interessar pelas outras tramas apresentadas pela narrativa.

A maior parte dos elementos incomuns do programa foram pensados cuidadosamente com o objetivo de criar aquela atmosfera única em cada episódio. Porém, o experimentalismo dos criadores era tanto que até mesmo o acaso de algumas situações no set foram posteriormente incorporadas na história, de forma totalmente imprevisível e definitiva, como o personagem Bob (vale a pesquisa).

Foto: Divulgação


  Os Personagens  

Um dos principais aspectos pelo qual Twin Peaks se destaca, entre tantos outros, é o desenvolvimento singular dos personagens que moram naquele local. É até difícil de acreditar como os produtores executivos da ABC aceitaram colocar no ar um seriado que ia contra qualquer parâmetro de audiência da época.

Do agente do FBI (Kyle MacLachlan) que se reporta a um gravador que ele chama por “Diane”, até a dona de casa (Wendy Robie) que usa um tapa-olho e cisma em arrumar a cortina. Isso sem contar a mulher (Catherine Coulson) que anda por aí segurando o tronco de uma árvore, entre diversos outros personagens cheios de segredos bizarros e envolvimentos amorosos às escondidas. Não há dúvidas de que grande parte da mágica do seriado tem tudo a ver com a complexidade dos próprios e suas características peculiares.

Vale ressaltar que o elenco da produção era bastante heterogêneo em termos de experiência, composto por veteranos do cinema e da TV, além de novatos em seu primeiro grande trabalho.

Foto: Divulgação


  Lynch + Frost  

A incrível dupla David Lynch e Mark Frost são os grandes responsáveis pelo fenômeno que Twin Peaks se tornou. Enquanto Frost acumulava bons trabalhos como roteirista de televisão à época, Lynch já tinha lançado alguns filmes que lhe deram notoriedade no cinema. Os dois se juntaram para criar o seriado, unindo a criatividade de Lynch com o dom de Frost em compilar e transpor essas ideias para um programa televisivo – campo totalmente desconhecido pelo primeiro até então.

Cada um colaborava de forma muito pessoal. Lynch se tornou parte do elenco ao interpretar o detetive Gordon Cole, enquanto Frost supervisionava constantemente toda a produção no set.

Outro ponto muito favorável da dupla (e sempre comentado pelo elenco) é o quanto ambos eram abertos para a colaboração dos atores em cena, além de também deixarem boa parte do desenvolvimento da narrativa na mão dos roteiristas e diretores que eventualmente participavam em rotatividade dos episódios da primeira e segunda temporada. 

Porém, os criadores também deram muita dor de cabeça para os executivos da ABC, que sofreram com as manobras da dupla em esconder a história original e enviar roteiros falsos para os chefões do canal, fazendo de tudo para evitar qualquer tipo de interferência na produção. Tem como não amar esse par de rebeldes que acreditavam que não era necessário revelar o assassino do homicídio mais bombástico da TV americana nos anos 90?

Foto: Divulgação


  Material Extra  

Twin Peaks é o tipo de produção que, além de trazer inúmeras teorias e deixar muita coisa no ar, presenteia o seu fã com diversos materiais extras que vão além do seriado e trazem informações que o deixará ainda mais apaixonado por aquele mundo. Algumas provas disso são as obras já lançadas e que complementam a série. Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer (Twin Peaks: Fire Walk With Me), de 1992, é o filme gravado após o fim da segunda temporada (e que, teoricamente, era a última até então), no qual ficamos sabendo o que aconteceu nos últimos dias da garota antes de sua morte. 

Além de conhecermos mais a fascinante personagem interpretada por Sheryl Lee (Inverno na Alma), também temos outras informações valiosas para entendermos as motivações de outros personagens, o aprofundamento de termos específicos que compõem a trama e outras informações que eram essenciais e que ainda nem sabíamos.

O outro longa lançado, Twin Peaks: O Mistério (Twin Peaks: The Missing Pieces), de 2014, também merece ser explorado, pois é uma coletânea de cenas excluídas e estendidas do longa anteriormente citado.

Há também outros materiais, como os livros O Diário Secreto de Laura Palmer - escrito por Jennifer Lynch (filha do cineasta) - e Twin Peaks: The Final Dossier - escrito por Mark Frost e lançado após o fim da terceira temporada -, com um amontoado de fan services e esclarecimentos pra tentar deixar os espectadores menos atordoados.

Foto: Divulgação


  Terceira Temporada  

Depois do cancelamento da série após sua segunda temporada (cheia de altos e baixos), mas com um final absolutamente mind-blowing, que deixou o público de cabelo em pé, Lynch e Frost cumpriram a “promessa” dos 25 anos e, enfim, anunciaram a terceira temporada de Twin Peaks.

Depois das dores de cabeça que tiveram com as intromissões da ABC no passado, a dupla assumiu a total responsabilidade pelo roteiro e direção da série, que foi lançada em 2017 pelo canal Showtime, contando com a volta de grande parte do elenco original e de alguns novos personagens. A terceira temporada teve 18 episódios com uma produção espetacular, respondendo muitos mistérios e levando o misticismo da produção a um patamar inigualável.

A série conseguiu se reinventar e manteve a comicidade bizarra das situações, sem deixar de lado o suspense e o tom sombrio de tudo que tem a ver com aquela cidade e seus personagens. Preparem-se para mais teorias, resolução de mistérios e para mergulhar na viagem que faz parte dessa temporada.

É como escreveu David Lynch em um de seus livros:

“Ideias são como peixes. Se você quer pegar um peixinho, pode ficar em águas rasas. Mas se quer um peixe grande, terá que entrar em águas profundas."

E isso é puramente a filosofia por trás de Twin Peaks.

Foto: Divulgação

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