Cobra Kai | 1ª Temporada


Lá se vão 34 anos desde o lançamento de Karatê Kid: A Hora da Verdade (The Karate Kid, 1984), filme que embalou a infância de muita gente que cresceu na década de 90, inclusive deste que vos escreve. Era praticamente impossível que uma criança que assistiu ao longa-metragem na ocasião não tentasse repetir o famoso "golpe da garça", protagonista de uma cena que certamente marcou a história do cinema. O sucesso foi tanto que rendeu duas sequências: Karatê Kid II: A Hora da Verdade Continua (1986) e Karatê Kid III: O Desafio Final (1989). Sim, mais tarde tivemos Karatê Kid IV: A Nova Aventura (1994), mas desse capítulo os fãs da franquia preferem esquecer.

Foi com grata surpresa que tomei conhecimento da série Cobra Kai, pouco antes de seu lançamento pelo YouTube Red. A proposta aqui é mostrar como estão Daniel LaRusso (Ralph Macchio) e Johnny Lawrence (William Zabka) após todos esses anos, e como os eventos do primeiro filme influenciaram em suas trajetórias de vida. O curioso é que temos pela primeira vez a oportunidade de enxergar os acontecimentos pelo ponto de vista de Lawrence, o que justifica o nome da produção e possibilita discussões interessantes. Será que nosso querido Daniel-san sempre foi o mocinho da história, ou há mais tons de cinza para se abordar?

Evidentemente a série não se priva de referenciar os anos 80 com toda a força, trazendo uma sensação de nostalgia inevitável e que cabe perfeitamente dentro da proposta. Isso é perceptível não apenas no formato da narrativa, que muito se assemelha aos filmes de antigamente, mas também no uso da trilha sonora oitentista e na valorização de temas, digamos assim, politicamente incorretos. Johnny Lawrence é o típico personagem preso a uma época que não existe mais, portanto, sua visão ultrapassada pode chocar alguns espectadores menos acostumados com a "liberdade criativa" daquela década.

Foto: YouTube Red

Outro aspecto bem-vindo é a mudança de tom. Diferente dos longas originais, que se levavam a sério, Cobra Kai sabe rir de si mesma, adotando um tom bem humorado em todos os seus 10 episódios. Afinal, não daria para levar a sério dois personagens maduros levando uma rivalidade de infância às últimas consequências. E, nesse ponto, as atuações de Ralph Macchio (The Deuce) e William Zabka (A Ressaca) merecem destaque, não pelo apelo dramático, já que não se tratam de grande atores, mas pela capacidade de reviverem esse momento da forma correta, sem ridicularizarem a si mesmos ou a franquia que representam.

O fato dos episódios serem curtos (cada um tem em média 30 minutos) também tornam a experiência de assistir a série mais agradável. Cada capítulo passa voando, apresentando bons ganchos, que te deixam preso a narrativa. Dá pra maratonar em um ou dois dias tranquilamente, sem fazer grande esforço.

O único demérito de Cobra Kai talvez seja o seu apelo. Por ser muito dependente do fator nostálgico, de suas referências e da fanbase dos filmes originais, é difícil acreditar que ela consiga alcançar uma projeção relevante com essa nova geração, ainda que ela apresente novos e interessantes personagens como Miguel Diaz (Xolo Maridueña), Robby Keene (Tanner Buchanan) e Samantha LaRusso (Mary Mouser). Todos interpretados por jovens atores promissores, o que traz boas perspectivas para a segunda temporada, que já está confirmada.

Foto: YouTube Red

Portanto, se você é fã de Karatê Kid, pode assistir Cobra Kai sem medo. Garanto que você vibrará com as referências, dará risada com as situações e se divertirá com um bom entretenimento. Sobrará espaço até para algumas lágrimas de emoção com a bela homenagem que é feita ao saudoso Sr. Miyagi (Pat Morita). Se você já assistiu, sabe bem do que estou falando. Do contrário, prepare o coração, porque é lindo demais.

Bom

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