CRÍTICA | PéPequeno


Direção: Karey Kirkpatrick e Jason Reisig
Roteiro: Karey Kirkpatrick e Clare Sera
Elenco: Channing Tatum, James Corden, Zendaya, Common, Danny DeVito, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018


Na grande maioria das animações lançadas em Hollywood há uma ou outra crítica social importante, transmitida acerca das diferenças culturais e da necessidade de tolerância e convívio entre as diferenças. PéPequeno (Smallfoot), dirigido por Karey Kirkpatrick (Imagine Só!) e Jason Reisig, também segue essas premissa, fazendo uma interessante inversão acerca de uma lenda conhecida do grande público. Em vez do famigerado Pé Grande, criatura que habita as montanhas do Himalaia, temos um simpático yeti, mais conhecido como o Abominável Homem das Neves, que crê na existência de seres humanos, tidos como mitos.

O personagem central, Migo (Channing Tatum), vive em um vilarejo em uma montanha cercada por nuvens, cuja tradição aponta que, abaixo do nevoeiro, vivem dois enormes mamutes que sustentam os montes em suas costas. Após retornar de uma jornada, o protagonista afirma ter encontrado um Pé Pequeno, mas seus companheiros, apesar da crendice que circula de que seres humanos são criaturas minúsculas e capazes de causar enormes danos, duvidam da existência deles. Sem hesitar, ele se mostra disposto a provar sua tese, virando sua vida de cabeça para baixo, quando finalmente se depara com um ser humano, vítima de um acidente de avião, Percy (James Corden).

A partir daí a percepção do protagonista muda e seu mundo se altera por completo. O medo dá lugar à necessidade de mudança de perspectiva e de ajuda aos seus amigos do vilarejo, marcados pelo receio e preconceito com coisas novas.

Foto: Warner Bros Pictures

A animação acerta em entreter. Seus personagens são carismáticos e capazes de motivar crianças e adultos. Além disso, o filme é tecnicamente bem feito, com uma direção de arte que referencia outras obras. Os prédios e ruas do vilarejo, por exemplo, lembram a arquitetura de Chinatown. Em outro momento, uma perseguição com vista aérea remete ao lendário jogo de Atari, Pacman, tornando as intervenções dos personagens mais cômicas e a trama mais empolgante.

O uso das cores, especialmente o roxo e o azul, serviram para ambientar o espectador nos universos que a obra apresenta. O local em que os humanos vivem e o ambiente aconchegante proporcionado pelos yetis, reforçando as características das criaturas adoráveis que são. Nas cenas em que não há diálogos, o aspecto sensorial dá o tom, principalmente nos momentos de tensão.

Uma das principais lições da animação é a de que o preconceito pode existir em decorrência de uma limitação de percepção, e que é necessário enxergar o que está ao nosso redor, encontrando uma maneira de respeitar e conviver com as diferenças. A medida que a narrativa caminha para seu desfecho a mensagem se torna mais evidente.

Foto: Warner Bros Pictures

As transformações pelas quais passam os personagens também são gratificantes. Migo e Percy passam por grandes provações para perceberem que cada um possui seus defeitos e suas virtudes, e que muitos conceitos podem ser revistos, possibilitando abertura para o novo.

Mesmo com alguns clichês de roteiro, PéPequeno se mostra uma diversão honesta, com o adicional de trazer uma mensagem relevante. Nos resta torcer por uma eventual sequência, visto que o universo criado possibilita novas aventuras.

Ótimo

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