CRÍTICA | Um Pequeno Favor


Direção: Paul Feig
Roteiro: Jessica Sharzer
Elenco: Anna Kendrick, Blake Lively, Henry Golding, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018


Longas-metragens adaptados de obras literárias conseguem, em algumas oportunidades, trazer resultados positivos ao público, ainda mais se tratando de histórias com alto grau de suspense e que se sustentam até seu desfecho. Um Pequeno Favor (A Simple Favor), baseado no livro homônimo de Darcey Bell e com direção de Paul Feig (Caça-Fantasmas), é esse tipo de filme, funcionando não apenas no gênero mencionado acima, mas flertando com a comédia, em uma mistura difícil de se imaginar, seja em produções independentes ou hollywoodianas.

A trama apresenta Stephanie Smothers (Anna Kendrick), dona de casa, vlogueira e viúva, que vive para cuidar de seu filho. Certo dia seu caminho cruza com o de Emily Nelson (Blake Lively), uma executiva de moda, rica, bem-sucedida, que adora se embebedar, mas é pouco presente na vida do filho, Nicky (Ian Ho). Logo no primeiro encontro entre elas percebe-se uma perfeita harmonia que logo se transforma em amizade. As duas passam a trocar ideias e a contar seus mais íntimos segredos, até que Emily passa a pedir favores para Stephanie, como o de buscar Nicky na escola. Porém, quando esta vai buscar o garoto, Emily desaparece misteriosamente. Com o auxílio de seu vlog de variedades, Stephanie parte em uma investigação e divulgando para encontrar a amiga.

Foto: Paris Filmes

O roteiro assinado por Jessica Sharzer (American Horror Story) ilustra uma história tensa, envolvente e com arcos dramáticos bem desenvolvidos, especialmente o de Stephanie, que se transforma após o sumiço da amiga. A vlogueira passa a mostrar um lado não antes visto, de muita força e coragem, deixando de lado seu comportamento inseguro e semblante fragilizado do início da narrativa. Ao passo que a trama se desenvolve, segredos vão sendo revelados e a dramaticidade aumenta, fazendo com que as pistas encontradas passem a fazer sentido para o espectador, que vai juntando as peças para compreender o motivo do sumiço repentino de Emily.

Os plot twists são outro atrativo de Um Pequeno Favor, surpreendendo a audiência sempre que a mesma acredita que o desfecho se aproxima. Os elementos que surgem para bagunçar a cabeça de quem assiste a obra torna tudo mais intrigante e interessante.

Outro aspecto técnico a se destacar é a direção de arte. A casa de Emily e seu local de trabalho, a Dennis Nylon Company, conversam com seu desaparecimento e também o potencializam. Os dois ambientes não só dizem muito sobre a personagem, como também oferecem elementos cruciais para desvendar o mistério que toma conta da narrativa, além de ditar os rumos da trama e de seus personagens de arcos complexos muito bem conectados.

Foto: Paris Filmes

Blake Lively (Águas Rasas) entrega uma personagem sedutora, imponente e com o ar misterioso essencial para que a narrativa funcione. Anna Kendrick (Amos Sem Escalas), por sua vez, mostra que sua personagem não é o tipo de amiga submissa e sem personalidade, passando por enormes transformações, "carregando a obra nas costas". Kendrick, aliás, vem se mostrando uma atriz versátil e pronta para atuar em diversas searas.

Um Pequeno Favor se mostra mais um trabalho satisfatório de Paul Feig. Uma obra repleta de reviravoltas, com ritmo frenético e elenco carismático. O tipo de longa-metragem que dá vontade de assistir novamente.

Ótimo

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