CRÍTICA | A Primeira Noite de Crime

Direção: Gerard McMurray
Roteiro: James DeMonaco
Elenco: Y'lan Noel, Lex Scott Davis, Joivan Wade, Marisa Tomei, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018


A franquia Uma Noite de Crime costuma ser 8 ou 80. Ou você gosta, ou detesta. No meu caso, costumo dizer que se trata de uma premissa muito interessante, cheia de potencial, mas que não é tão bem explorada como poderia. Ainda assim, sequência atrás de sequência têm sido lançadas ao longo dos anos, o que nos traz ao A Primeira Noite de Crime (The First Purge), que chega com a proposta de nos contar como tudo começou.

Criminalidade aumentando, economia indo para o buraco, rebeliões se multiplicando, população aumentando e os mais pobres sofrendo, como de costume. Eis que um grupo, intitulado NPFA (Novos Pais Fundadores da América), entra em cena e decide fazer um experimento sociológico. Durante uma única noite a população está liberada para fazer o que bem entender, sem sofrer qualquer tipo de consequências legal. No entanto, para garantir que o experimento tenha boa adesão, o grupo decide premiar os participantes. Quem mata recebe recompensas ainda maiores, usando lentes de contato ultra tecnológicas que permitem a gravação de todo o ponto de vista do participante.

O roteiro aqui é o mais politizado, quando comparado com os filmes anteriores. Fica evidente que nem todos aceitam o experimento, porém poucos focam nos protestos e na corrupção do sistema, onde o plano da organização é se livrar do maior número possível de pessoas pobres, pois não há como cuidar de todos. Como frisei antes, trata-se de uma premissa interessante, mas que aparece sem grande fundamento em tela, sendo algo que surge sem contexto narrativo, de um suposto estudo que ninguém ouviu falar.

Foto: Universal Pictures

Alguns eventos extrapolam o limite da ficção e fazem críticas afiadas a acontecimentos reais, tais como o massacre na igreja em Charlottesville, o comportamento repreensível do presidente Donald Trump, entre outros. Mesmo assim o filme escorrega ao insistir em explorar clichês como o da donzela em perigo ou pessoas reféns de um grupo fortemente armado.

O figurino dos participantes do expurgo seguem sendo um dos destaques da franquia. Aqui vemos referências à vestes similares as usadas pelo grupo racista extremista norte-americano Klu-Klux-Klan, como também vemos bandeira do sul-americano separatista e uma possível menção ao boneco Billy, da franquia Jogos Mortais, já que, em determinado momento, há um participante com uma máscara branca e olhos vermelhos da lente high tech. Tudo casando com a ideia distópica que a obra propõe. Há ainda uma clara homenagem ao icônico vilão de A Hora do Pesadelo, Freddy Krueger, quando um dos personagens veste luvas com seringas afiadas.

Ainda que os personagens não sejam bem explorados, as atuações seguram a obra. Lex Scott Davis (Superfly) é vive uma ativista fervorosa contra o expurgo, sempre disposta a entrar na linha de frente. Joivan Wade (Doctor Who) a principio, parecia apenas mais uma figura desesperada em meio a multidão, mas cresce a medida que o evento inicia. Rotimi Paul (Dutch Kills) se apresenta como o vilão mais ameaçador da franquia. Sua paranoia e modo de agir o tornam um assassino intimidador. Y'lan Noel (Insecure) é o que tem mais tempo de tela, destacando-se especialmente nas cenas de ação, já que seu personagem vira uma espécie de Rambo das classes oprimidas no terceiro ato da narrativa, tornando-se um anti-herói humanizado.

Foto: Universal Pictures

A Primeira Noite de Crime talvez seja o melhor filme da franquia, não por sua qualidade cinematográfica em si, mas pelo reflexo de uma realidade espinhenta e que está tão próxima de todos nós. Se houver uma nova sequência no futuro, que mantenha o discurso politizado e impactante como o apresentado aqui.

Bom

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