CRÍTICA | Venom

Direção: Ruben Fleischer
Roteiro: Scott Rosenberg, Jeff Pinkner, Kelly Marcel e Will Beall
Elenco: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed, Woody Harrelson, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018


Venom, dirigido por Ruben Fleisher (Caça aos Gângsteres), era um longa aguardadíssimo pelos fãs de quadrinhos da Marvel, especialmente aqueles que gostam das histórias do Homem-Aranha. O filme busca contar, de uma nova perspectiva, a origem desse personagem icônico das HQs e para isso investiu pesado não apenas em sua divulgação, mas também na escolha do elenco, tendo ninguém menos que Tom Hardy (O Regresso) como protagonista, o que por si só já serve para aguçar a curiosidade dos espectadores.

Aqui conhecemos a história do jornalista Eddie Brock (Hardy), que após uma série de acontecimentos infelizes envolvendo uma grande corporação e uma reportagem investigativa sobre atividades ilícitas e escusas dessa empresa (incluindo experimentos letais em cobaias humanas), tem contato com um simbionte alienígena que se funde ao seu organismo, dando origem a criatura denominada Venom.

Seguindo um caminho completamente diferente da origem do vilão nos quadrinhos, Venom aposta em uma abordagem que pode chocar alguns e certamente causará alguma estranheza. Optando por um enredo onde o vilão chega à Terra através de outro ponto central, o personagem também surge nas telas com muito mais carisma do que o esperado para alguém que deveria ser maléfico, afinal, trata-se de um dos símbolos mais representativos da Marvel Comics. Sim, o alívio cômico é real e muito presente na narrativa, o que não é de todo mal se pensarmos que o humor muitas vezes precisa carregar a obra nas costas aqui. Ainda assim muito estranho.

Foto: Sony Pictures

A personalidade de Eddie Brock também pode causar estranheza entre os fãs que já estão familiarizados com sua origem. Citando levemente seu passado em Nova York e no Globo Diário, o jornalista aparece mais suavizado na tela e às vezes levemente “bobo”. Ainda assim, Hardy consegue imprimir um carisma no personagem e aparece bem no papel, também deixando uma marca cômica. Afinal, Tom Hardy é Tom Hardy, não é mesmo? Uma pena que não posso dizer o mesmo de sua parceira de cena, Michelle Williams (O Rei do Show), já que a sua personagem é soa bem apagada e sem apelo, muito mais pelo roteiro e contexto geral do longa do que pela atriz, que é formidável.

Usando e abusando das cenas de ação (algo esperado, não é mesmo?), Venom chama a atenção pelos bons cortes de câmera e por composições e dinâmicas de cena bem trabalhadas. Pra quem gosta de muita coisa acontecendo em tela, é difícil perder o foco. E falando de efeitos visuais, eles superaram a minha expectativa, já que o primeiro trailer do filme havia deixado todos preocupados. Mesmo que o padrão esteja um pouco abaixo do que estamos acostumados em grandes produções, ainda assim não se trata de nada que comprometa o longa como um todo.

Apesar de alguns acertos, o roteiro opta por final muito questionável, com uma solução nada convencional para o que se espera de uma obra de origem de um vilão. Além disso, o fato de termos um antagonista pouco carismático e nem um pouco marcante (desculpe, Riz Ahmed) diminui o impacto da obra como um todo Aindal, temos um filme de viça com um vilão? Pois é.

Foto: Sony Pictures

Em resumo, Venom tem lá os seus tropeços, soa um pouco estranho as vezes, mas ainda assim é divertido, dinâmico e com um roteiro que, mesmo que abordando um caminho inesperado, indo na contramão do personagem original, se mostra criativo, com boas saídas e tiradas bem feitas. Veremos quais serão os próximos passos dessa história.

Bom

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