CRÍTICA | Cadáver


Direção: Diederik Van Rooijen
Roteiro: Brian Sieve
Elenco: Shay Mitchell, Grey Damon, Kirby Johnson, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018


Filmes, e até mesmo séries, sobre exorcismo se tornaram comuns nos últimos anos, muito em função do clássico O Exorcista (1973) e de sucessos mais recentes como O Exorcismo de Emily Rose (2005) e a franquia Invocação do Mal (2013). Cadáver (The Possession of Hannah Grace), dirigido pelo cineasta Diederik Van Rooijen (Daglicht), é uma tentativa de emplacar mais um longa do tema junto aos fãs do gênero terror, mas que acaba empacando em sua proposta.

Na trama, uma sessão chocante de exorcismo acaba tirando a vida da jovem Hannah Grace (Kirby Johnson), quase vitimando também seu pai (Louis Herthum). Três meses depois, o corpo da garota chega ao necrotério no qual Megan Reed (Shay Mitchell) trabalha durante o horário noturno. Sozinha e trancada no local, Megan começa a ter alucinações e perturbações, passando a acreditar que o corpo desfigurado que lá está foi possuído por uma força demoníaca.

O roteiro apresenta ao espectador uma narrativa confusa, mal delineada e com personagens rasos, sem arcos dramáticos bem desenvolvidos. Reed é uma jovem que enfrenta transtornos psiquiátricos e um vício, mas o longa nunca deixa claro qual seria essa dependência, já que seu passado é abordado de forma breve. Sabemos apenas que a protagonista um dia foi policial, o que levanta questionamentos do que a levou a trabalhar no turno da madrugada de um necrotério, uma função isolada e sem assistência de outros funcionários. As perguntas levantadas nunca são respondidas, e a sensação que fica é a de que a personagem apenas foi lançada ali, naquela situação, para que a trama e os sustos gratuitos rendessem.

Foto: Sony Pictures

Se a protagonista não apresenta camadas de desenvolvimento, o que dizer dos demais personagens? O espectador acaba não conseguindo se identificar com a trama, fazendo com que recursos baratos como o jump scare sejam exaustivamente explorados. O personagem que mais interage com Megan é Andrew Kurtz (Grey Damon), um policial que já teve um relacionamento com a mesma e que trabalhou no caso de Hannah Grace no passado. Ele acaba se tornando uma peça importante na resolução da história, além de oferecer elementos que minimamente ajudam a entender o que de fato aconteceu com a jovem encontrada morta.

Se os elementos básicos de desenvolvimento de roteiro, ao menos a direção Van Rooijen é eficiente na criação de suspense, explorando as habilidades da protagonista como investigadora e o trabalho de Andrew e da polícia de Boston na tentativa de desvendar o mistério da morte de Hannah. As pistas encontradas são substanciais, porém, a resolução do conflito deixa a desejar.

Shay Mitchell (O Maior Amor do Mundo) tem pouco a entregar, muito em função do texto pobre. Ao nota-se o esforço da atriz em desenvolver uma personagem controversa, de muitos mistérios e com vontade de superar um trauma não bem especificado durante os 89 minutos de projeção.

Foto: Sony Pictures

Apesar do sucesso do subgênero junto ao público, Cadáver pouco tem a entregar, tornando-se uma obra limitada, que deixa muito a desejar. O filme que tinha certo potencial junto ao espectador, mas que é pouco envolvente ou assustador. Frustrante é o adjetivo ideal para o filme.

Regular

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