CRÍTICA | Sueño Florianópolis

Direção: Ana Katz
Roteiro: Ana Katz e Daniel Katz
Elenco: Mercedes Morán, Gustavo Garzón, Andrea Beltrão, Marco Ricca, entre outros
Origem: Brasil / Argentina / França
Ano: 2018


Quem já viajou de férias com a família para lugares distantes e passou por perrengues, vexames a quilômetros de casa, certamente irá se identificar com a família de Lucrecia (Mercedes Morán) e Pedro (Gustavo Garzón). Em Sueño Florianópolis eles enfrentam de tudo: ameaça de vômito no carro, ficar sem gasolina à beira da estrada e chegar na casa previamente alugada, descobrindo que não era exatamente o que foi combinado por telefone. E se isso não bastasse, o casal, que estão há 22 anos juntos, está prestes a se separar. Porém, antes de tomar essa decisão, resolvem viajar com seus dois filhos adolescentes, de Buenos Aires para Florianópolis, em um velho carro sem ar-condicionado.

Motivados pelo câmbio favorável, eles caem na estrada no verão de 1990 e viajam 1.750 km até seu destino. Juntos, porém separados, conhecem Marco (Marco Ricca) e Larissa (Andrea Beltrão). E o que era para ser, talvez, uma última viagem em família, se torna algo bem mais interessante.

O roteiro, escrito pela própria diretora Ana Katz (Minha Amiga do Parque) em parceria com Daniel Katz (Los Marziano), propõe uma reflexão sobre a condição humana quando exposta a uma situação adversa, mostrando que, no fim das contas, estamos todos sozinhos. É uma história que, por vezes, gira em círculos, mostrando situações iguais com diferentes personagens em ritmo bem lento, com algumas cenas até bem desnecessárias, que poderiam ter ficado na sala de edição. Apesar disso a obra acerta, quando foca nas situações vividas do ponto de vista de Lucrécia.

Foto: Vitrine Filmes

Mesmo com seus problemas, a trama proporciona uma reflexão sobre como diferentes gerações e culturas encaram o amor (ou a falta dele), traduzindo com exatidão o clima de férias em um local nada luxuoso, porém receptivo, e aconchego é justamente o que a maioria dos personagens buscam nessa história.

O destaque no elenco vai mesmo para Mercedes Morán (Clube da Lua), por ser, na maior parte do tempo, quem conduz a trama. Demonstrando bem todos os estados da decepção humana, é sob sua perspectiva que vemos que seu quase ex-marido não sabe bem o que quer a respeito do relacionamento de ambos. Ele não aceita dividir o fardo da vida, mesmo que ela insista em assumir esse peso, chegando ao ponto de se sentir superior quando resolve contar que está tendo um caso com outra mulher.

É a isso que a diretora se dedica a observar, essa desintegração familiar motivada simplesmente pela falta de interesse que vem do passar dos anos, potencializada por questões externas. O acaso possui função determinante no andar da carruagem, por assim dizer. A proximidade com o casal de brasileiros que os hospeda irá proporcionar outras relações, como o flerte intempestivo entre Lucrecia e Marco, bem como no delicado processo de conquista e atração que se desenrola entre Pedro e Larisa.

Foto: Vitrine Filmes

Como qualquer romance de verão, o fim já estava previsto. E dele apenas resta a memória ou a indiferença. Sueño Florianópolis é um filme simpático, que entretém, diverte em alguns momentos e leva à reflexão. Expõe uma situação incômoda de um casal em busca de algum tipo de resolução, e que acaba encontrando algo mais. É um drama familiar com uma proposta boa, mas que peca por seus problemas de ritmo e falta de melhores linhas de diálogos. 

Bom

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