CRÍTICA | Vidas Duplas


Direção: Olivier Assayas
Roteiro: Olivier Assayas
Elenco: Juliette Binoche, Guillaume Canet, Vincent Macaigne, Christa Théret, entre outros
Origem: França
Ano: 2018


Com um mundo cada vez mais globalizado e informatizado, a procura por conteúdos em meio digital cresceu exponencialmente e o consumo de mídias impressas passou a ocupar uma escala bem menor. Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza e ao People’s Choice Award, no Festival de Toronto, Vidas Duplas (Doubles Vies), novo filme do cineasta francês Olivier Assayas (Personal Shopper) fala sobre a evolução do mercado digital e como a internet pode interferir no dia a dia das pessoas, em especial, dos escritores.

O editor Alain (Guillaume Canet) e o autor Léonard (Vincent Macaigne) veem sua amizade ficar abalada porque o primeiro não aprova o último livro do segundo. Ambos também vivem problemas em seus relacionamentos, em meio à discussão da crise que vive a literatura, com os jovens lendo cada vez menos livros impressos e aderindo aos e-books, além dos grandes autores perdendo espaço para os conteúdos em blogs. O problema na trama é que Léonard quer propor mais uma história de auto-ficção, revelando suas próprias experiências de vida, dentre elas um relacionamento com uma celebridade que ele quer recontar, o que é reprovado por seu editor. Selena (Juliette Binoche), esposa de Alain, tem opinião diferente e vai intervir para que a obra seja publicada.

O roteiro, assinado pelo próprio Assayas, aborda de uma forma didática e propõe contundentes debates acerca da tecnologia, além da comunicação entre as pessoas, cada vez mais complexas e distantes no dia a dia. As críticas aos aplicativos de conversa instantânea também não foram poupadas.

Foto: California Filmes

Outro ponto crucial está na questão dos direitos autorais de uma obra. A pessoa que serviu de inspiração para um determinado livro, mesmo que não seja citada nominalmente, tem direito aos lucros sobre as vendas? E ao fazer isso, estaria promovendo um acerto de contas? Essas perguntas surgem durante o lançamento de "Ponto Final", livro de Léonard, e o autor vira o centro das atenções em razão das polêmicas em torno de sua história e dos recursos que utilizou para conta-la, inspirada em uma amante.

Alain também ganha espaço e destaque na trama, não só por suas escapadas no casamento, como também por sua postura imponente, introspectiva e confuso profissionalmente. Guillaume Canet (Amor ou Consequência) tem uma atuação digna, que rende risadas em alguns momentos, mas séria nas ocasiões pontuais. As maiores honrarias vão para Juliette Binoche (Tal Mãe, Tal Filha), sempre graciosa, de presença marcante e de grande influência na trama. Ela é responsável por uma grande reviravolta no último ato, mostrando o porque de ainda atrair os holofotes e sua capacidade de entregar os mais variados papéis, dos mais cômicos aos mais dramáticos. 

Se os diálogos de Vidas Duplas não foram tão atrativos, o enredo e o desempenho do elenco salvam a obra. Olivier Assayas não apenas apresenta ao público uma história interessante, como também discussões acaloradas e necessárias sobre uma ferramenta que tem sido benéfica por um lado e uma ameaça por outro.

Foto: California Filmes


Ótimo

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