CRÍTICA | O Banqueiro da Resistência

Direção: Joram Lürsen
Roteiro: Marieke van der Pol, Thomas van der Ree, Matthijs Bockting, Michael Leendertse, Joost Reijmers e Pieter van den Berg
Elenco: Jacob Derwig, Barry Atsma, Fockeline Ouwerkerk, entre outros
Origem: Holanda
Ano: 2018


O Banqueiro da Resistência (Bankier van het Verzet) é o filme pré-selecionado pela Holanda para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2019. Particularmente não creio ter sido a melhor escolha do país, especialmente pela forma como a trama foi conduzia pelo diretor Joram Lürsen (Uma Nobre Intenção), que faz com que uma obra essencialmente dramática adote tons cômicos em determinados momentos.

Baseada em fatos, a história ambienta-se na Holanda da Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha nazista ocupava o país. Descontentes com o fato e ansiando qualquer tentativa de mudança e liberdade, alguns holandeses criam um banco clandestino para ajudar os judeus, países aliados como a Inglaterra e, claro, incentivar a derrubada da ditadura alemã.

O roteiro aqui pouco tem a oferecer ao espectador, visto que todas as soluções para os obstáculos apresentados soam fáceis demais. O clima de suspense, que poderia ser bem empregado, acaba prejudicado pela rápida conclusão dos acontecimentos, não trazendo a sensação de recompensa a quem assiste.

Foto: Divulgação

Muitos dos problemas acima citados encontram-se no protagonista, Walvaren van Hall (Barry Atsma), o homem que conduz o esquema e com seus contatos externos. Ele era a mente de todo o negócio, no entanto, sua prepotência, falta de afeto e autoconfiança, acabam não trazendo identificação com o espectador. Evidentemente fatos históricos não deveriam ser alterados, mas aqui os adjetivos são colocados de modo superlativo, te fazendo muitas vezes odiar aquele que deveria conduzir a narrativa ao nosso lado.

Outro ponto baixo do roteiro são os termos refinados usados pelos personagens, que não possuem qualquer explicação. Em determinado momento o espectador se vê em uma aula de economia ensinada por pessoas que se acham mais espertas e ricas que as outras. E, se isso não bastasse, a utilização das personagens femininas apenas para consolo e sofrimento soa ultrapassada dentro do contexto audiovisual, por mais que estejamos falando de ma obra de época.

Evidentemente nem tudo é motivo para lamentação. Devemos destacar o design de produção e o figurino da obra, pois ambos retratam com precisão o período histórico em que a narrativa se passa. Fica evidente aqui que, com um roteiro melhor trabalhado, teríamos um resultado final muito mais coerente.

Foto: Divulgação

No fim, O Banqueiro da Resistência apresenta uma uma história interessante, mas que merecia mais cuidado e desenvolvimento, valorizando as decisões ousadas que mudaram e nos levaram ao mundo que conhecemos hoje. É o típico exemplo de filme do qual lembraremos do fato histórico em si, mas pouco da obra audiovisual.


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