CRÍTICA | A Sereia: Lago dos Mortos


Direção: Svyatoslav Podgaevskiy
Roteiro: Svyatoslav Podgaevskiy, Natalya Dubovaya e Ivan Kapitonov
Elenco: Viktoriya Agalakova, Efim Petrunin, Sofia Shidlovskaya, entre outros
Origem: Rússia
Ano: 2018

Quem acompanha os recentes filmes B no gênero terror nota que a fórmula adotada para assustar o espectador é a de usar viradas rápidas de câmera e os famosos jump scares, dando menos importância a narrativa e ao roteiro propriamente dito. Em 2017, o cineasta russo Svyatoslav Podgaevskiyma (A Dama do Espelho: O Ritual das Trevas) já havia nos apresentado A Noiva (Nevesta), no qual a prometida era assombrada por uma implacável força maligna. Em A Sereia: Lago dos Mortos (Rusalka: Ozero myortvykh), o diretor retorna com uma temática semelhante e com a mesma Viktoriya Agalakova como protagonista.

A bela Marina (Agalakova) está próxima de se casar com Roman Kitaev (Efim Petrunin), um nadador que herda de sua família uma velha casa de veraneio. Durante um fim de semana, no qual ocorre sua despedida de solteiro, o rapaz conhece uma mulher misteriosa, próximo a um lago, e esta acaba por seduzi-lo. Trata-se de La Sirena, uma jovem que se afogou há cerca de dois séculos no local após uma desilusão amorosa e que fará de tudo para manter Marina longe de Roman para possuí-lo de vez.

O roteiro apresenta uma premissa interessante, mas sua execução tem problemas evidentes. A história é inspirada na lenda de Rusalka, uma ninfa da água da mitologia eslava e referida por russos, ucranianos e bielo-russos como uma sereia. No entanto, em sua caracterização, a antagonista de sereia não tem nada, já que está mais para um fantasma ou zumbi. As motivações da criatura não são compreendidas, tampouco há aprofundamento dos personagens que vemos em tela. Se isso não bastasse, a forma como se dá o desfecho da obra beira o incompreensível.

Foto: Paris Filmes

No que diz respeito as atuações, tudo infelizmente é muito mecânico. As reações dos protagonistas, em especial Roman e Marina, se dão de maneira muito artificial. A "seria", por sua vez, pouco aparece para dar sustos, alguns até funcionam, mas com personagens pouco interessantes, fica difícil para que o espectador se envolva com o que vê em tela, muitas vezes sentindo o tédio imperar durante os 90 minutos de projeção.

Por outro lado, devo destacar que toda a mitologia em torno de La Sirena e um incidente envolvendo a família de Roman são bem executadas, com um um design de produção assustador, composto por casas velhas e despedaçadas, um lago verde e bosques  escuros. Já a fotografia acinzentada, dá o tom sombrio necessário para a obra. Ou seja, do ponto de vista visual, o filme acerta a mão, ainda que acabe deslizando em outros fatores.

No fim, A Sereia: Lago dos Mortos se mostra um longa-metragem de visual competente, mas que peca em termos de narrativa, apresentando situações previsíveis e personagens pouco interessantes. Tivesse uma classificação um pouco elevada, traria um atrativo maior, mas não é o caso, infelizmente.

Foto: Paris Filmes


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